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Economia do desenvolvimento, Todo modelo neoclássico, seja ele exógeno ou…
Economia do desenvolvimento
Fatos estilizados
É observada correlação entre
produtividade do trabalho
e
intensidade de capital (K/L)
ou
educação (capital humano).
A
lei de Kaldor
diz que quanto maior a participação inicial da indústria no emprego, maior será o crescimento da produtividade, graças a economias de escala.
Ao mesmo tempo, não é observada uma correlação entre
recursos naturais
. Há países ricos que são abundantes e escassos em recursos naturais.
1. Modelos neoclássicos
Crescimento exógeno - Solow
Produção
é função de 3 fatores: K, L e tecnologia.
Tecnologia aqui representa tanto
inovações
quanto
progresso técnico.
Além disso, apresenta
retornos constantes de escala
.
K vai apresentar
retornos decrescentes
e por isso precisa acompanhar o crescimento de L
(equilíbrio steady-state).
Investimento depende de poupança, logo temos lei de Say e nunca falta demanda ou emprego.
De acordo com Solow, todos os países tem acesso à mesma tecnologia, suas economias tendem a
convergir absolutamente no longo prazo
, pois países atrasados podem adotar a tecnologia dos desenvolvidos. É claro, isso não foi observado na realidade.
Investimentos vão naturalmente migrar para os países com menos K, aumentando sua produtividade e gerando uma eventual convergência.
Como progresso técnico e população não podem ser influenciados por políticas econômicas, o crescimento se mostra exógeno.
Sem progesso técnico a economia está apenas repondo K.
A balança de pagamentos também vai tender ao equilíbrio por conta dos preços, já que os neoclássicos não acreditam em termos de troca.
Crescimento endógeno
Diferente de Solow, investimento vai sim afetar o crescimento, e de forma crescente, ao gerar trabalhadores mais produtivos.
O problema dessas teorias é que sem investimentos esse pessoal qualificado não vai ter onde trabalhar, vide Uber formado em engenharia.
Romer
Conhecimento é compartilhado entre as firmas, e é capaz de gerar externalidades com efeitos crescentes para a economia.
Um crescimento da força de trabalho pode até mesmo reduzir a taxa de crescimento, pois reduz salários e desmotiva inovações.
Lucas
Para Lucas, a fonte do crescimento é o
capital humano
, que também vai gerar externalidades.
2. Modelos clássicos do desenvolvimentismo
Rosenstein-Rodan
Big Push
é um conjunto de investimentos públicos na economia, já que o setor privado de países em desenvolvimento é muito fraco para isso.
A industrialização também pode ser feita com capital estrangeiro, pago com o dinheiro de exportações intensivas em trabalho.
Lewis
Países em desenvolvimento tem grande quantidade de mão de obra em setores de baixa produtividade.
Tal mão de obra pode ser transferida para a indústria, que apesar da baixa produtividade consegue competir através de baixos salários.
Quando as reservas de mão de obra se esgotarem, o país vai precisar investir em K.
Isso ou adquirir imigrantes para abaixar os salários.
Prebisch
A especialização comercial sugerida por Ricardo e HO vai gerar
deterioração dos termos de troca
, já que commodities possuem menor elasticidade renda-demanda.
Por isso a periferia deve se industrializar para não lidar com constantes
crises do balanço de pagamentos
.
Protecionismo temporário, investimentos estatais e exportação de manufaturados vão bancar a
industrialização por substituição de importações.
Hirschmann
Crítica o Big Push de Rodan ao argumentar que países em desenvolvimento não possuem tantos recursos para investir, logo deve investir em setores específicos e gerar um
crescimento desequilibrado.
Encadeamentos para frente
vão gerar insumos, enquanto que
encadeamentos para trás
vão gerar demanda para a indústria.
Kaldor
1° lei
é que o crescimento do PIB se dá em grande parte por conta do crescimento do PIB manufatureiro, logo diversificação é importante.
Isso porque a indústria possui
retornos crescentes de escala
graças ao
learn by doing,
que gera aumentos de sua produtividade.
A demanda é então central para o desenvolvimento, pois gera investimentos.
A
2° lei
diz que o crescimento do PIB industrial está relacionado com o crescimento da produtividade industrial.
A
3° lei
diz que um crescimento da produtividade industrial contribui para um crescimento da produtividade não industrial.
Restrições do BP e a lei de Thirwall
Um aumento das
exportações
funciona como um aumento da demanda, desde que as importações permanceçam as mesmas.
Exportações mais elásticas, e portanto menos sujeitas à deterioração, ajudam nisso. Daí a influência de Prebisch.
As exportações são então centrais para um crescimento sem dívida na BP, logo crescer com poupança externa vai ser instável.
Da mesma forma, um aumento das importações vai reduzir o multiplicador keynesiano.
1.5 Douglas North
Importante para separar os neoclássicos dos estruturalistas.
Instituições
são criadas para lidar com os custos de transação.
"Why Nations Fail"
argumenta que países desenvolvidos são aqueles com instituições que favorecem o livre mercado, ao invés do extrativismo em prol de elites, mas isso é criticado como
simplista.
3. Desindustrialização
Alguns autores preferem a métrica do emprego, e outros o valor agregado para medir a desindustrialização.
Inicialmente, a elasticidade renda das manufaturas é maior que dos serviços, mas conforme a renda per capita cresce a situação muda, gerando o
U invertido.
A
doença holandesa
nem sempre é resultado de descoberta de recursos. Pode ser causada por
liberalização rápida demais
.
Nem toda a desindustrialização precoce é igual, pois no Brasil alguns setores manufatureiros de baixa tecnologia conseguiram se desindustrializar de forma natural.
Contudo, os
setores de alta tecnologia
(com maior potencial de progresso técnico e difusão tecnológica) se DS de forma prematura. Por isso é preciso uma
abordagem setorial.
Políticas para a promoção de exportações não devem ser de grande ajuda para os setores de baixa tecnologia, mas devem ajudar no desenvolvimento dos intensivos.
Promoção de exportações é o contrário da SI: ao invés de produzir o que é importado, gradualmente se cria uma indústria competitiva para acumular divisas e bancar mais desenvolvimento.
Todo modelo neoclássico, seja ele exógeno ou endógeno, é determinado pela
oferta
.