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Os desafios do nosso tempo - Coggle Diagram
Os desafios do nosso tempo
A CRISE DOS ESPAÇOS MULTILATERAIS
:silhouettes:
A crise do multilateralismo
A ordem internacional contemporânea vivencia um momento de
transição sistêmica
, marcado pelo
descompasso entre a estrutura de poder
— crescentemente
multipolar
— e a
arquitetura de governança global
— ainda fortemente ancorada nos arranjos do pós- IIGM e na expansão liberal do pós-GF. Essa assimetria, portanto, expõe os
limites
do multilateralismo tradicional.
:red_flag: avanço da retórica
ultranacionalista
Retorno da geopolítica, reforço de fronteiras, denúncia de tratados, corte de contribuição financeira para organizações, construção de muros
Apego a noção de
soberania vestfaliana
- avanço da
desglobalização
- questionamento do multilateralismo e regionalismo - coloca em cheque
global rule of law
O que é multipolaridade
:question:
Refere-se à distribuição factual de capacidades materiais de poder entre múltiplos polos (como :flag-us:, :flag-cn:, :flag-eu: e potências regionais)
Composição Anacrônica
:older_man::skin-tone-2:
No cenário contemporâneo, a emergência de
novos centros de poder
enfraqueceu a
hegemonia normativa ocidental
. Contudo, o aumento do número de atores relevantes
não traduziu,
:red_cross: automaticamente,
o fortalecimento de fóruns universais
.
Ao contrário, verificou-se uma
fragmentação da governança global
, em que a
competição
geopolítica entre as grandes potências frequentemente
paralisa
os órgãos decisórios tradicionais.
multipolaridade :red_cross: multilateralismo anacrônico
A redistribuição de poder exige a reforma dos organismos internacionais
:!!:
Implicações para a governança global :explode:
Multilateralismo
à la carte
e minilateralismo :recycle:
Esse comportamento manifesta-se sob duas modalidades principais:
Preferência por coalizões e blocos
informais
(G7, G20, BRICS, AUKUS) -
minilateralismo
.
O
esvaziamento de mecanismos de solução de controvérsias
(como a paralisia do Órgão de Apelação da OMC) e a
adesão pontual
a tratados internacionais.
Diante da rigidez e da contestação nos órgãos universais, as grandes potências têm recorrido crescentemente ao "multilateralismo à la carte":
uso
seletivo
e
instrumental
dos fóruns multilaterais, no qual os Estados optam por engajar-se apenas nas instâncias e normas que atendem aos seus interesses estratégicos imediatos,
contornando obrigações
que imponham custos ou restrições à sua soberania.
Isso mina o
princípio da universalidade
e erosiona a
legitimidade do DIP
, criando um sistema
assimétrico
e
instável
.
Tudo isso enfraquece
a capacidade de resposta coletiva
na promoção por bens públicos globais e na
neutralização desafios transversais
, tais como as mudanças climáticas, pandemias e a regulação do espaço digital.
O :flag-br: navegando nas águas turvas :ferry:
O Brasil sempre consolidou uma atuação construtiva na
criação
e
consolidação do sistema multilateral
(ONU, GATT, OMC, Rio 92 ...). Mas, o engajamento do Itamaraty
nunca foi passivo
, o país mantém postura crítica quanto à falta de representatividade nas instituições anacrônicas.
Compromisso com o
multilateralismo de reciprocidade
mais e melhor voz aos países do sul global
instituições compatíveis com a ordem multipolar
Por isso, o Brasil postula a expansão do CSNU (G4, L.69), reforma das instituições financeiras (BRICS), defende a ONU como único fórum com legitimidade universal para gestão de crises globais.
Portanto, para o Brasil, a superação da crise da governança global não passa pelo abandono das regras multilaterais, mas por
sua democratização e atualização institucional,
garantindo que as estruturas de poder global reflitam com equidade as realidades do século XXI.
O discurso do Primeiro-Ministro Canadense,
Mark Carney
, no Fórum Econômico em Davus , 2026
"
If we’re not at the table, we’re on the menu"
Seu discurso foi um chamado para os países "não tão poderosos assim", para as potências médias trabalharem juntas por uma nova ordem internacional que requer
um balanço mais proativo de valores e realismo
.
Destaques do discurso :speech_balloon:
"The system's power comes not from its truth but from everyone's willingness to perform as if it were true."
"For decades, countries like Canada prospered under what we called the rules-based international order. [...] we could pursue values-based foreign policies under its protection. [...] We knew the story of the international rules-based order was partially false. [...] And we knew that international law applied with varying rigour depending on the identity of the accused or the victim." [...] This fiction was useful. So, we placed the sign in the window. We participated in the rituals. And we largely avoided calling out the gaps between rhetoric and reality.
This bargain no longer works.
"
Let me be direct: We are in the midst of a
rupture
, not a transition.
"
[...] recently, great powers have begun using economic integration as weapons. Tariffs as leverage. Financial infrastructure as coercion. Supply chains as vulnerabilities to be exploited.
You cannot "live within the lie" of mutual benefit through integration when integration becomes the source of your subordination.
"
"And the question for middle powers, like Canada, is not whether to adapt to the new reality — we must."
"The question is whether we adapt by simply building higher walls or whether we can do something more ambitious. [...] This is not naive multilateralism. Nor is it relying on their institutions.
It's building coalitions that work
. What it's doing is creating a dense web of connections across trade, investment, culture on which we can draw for future challenges and opportunities."
"Middle powers must act together because
if we're not at the table, we're on the menu."
"In a world of great power rivalry, the countries in between have a choice: compete with each other for favour or to combine to create a third path with impact. [...]
"What would it mean for middle powers to "live the truth"?
"First it means
naming reality
. Stop invoking "rules-based international order" as though it still functions as advertised. Call it what it is: a system of intensifying
great power rivalry
where the most powerful pursue their interests using economic integration as a weapon of coercion."
"Building a strong domestic economy should always be every government's immediate priority. And diversification internationally is not just economic prudence — it is the material foundation for honest foreign policy. Because countries earn the right to principled stands by reducing their vulnerability to retaliation."
"We are taking the sign out of the window."
"We know the old order is not coming back. We shouldn't mourn it.
Nostalgia is not a strategy.
But we believe that
from the fracture, we can build something better, stronger, more just
. This is the task of the middle powers. The countries that have the most to lose from a world of fortresses and the most to gain from genuine co-operation."
Declaração Parceiros pelo Multilateralismo (P4M)
Setembro de 2026
Publicada à margem da 81ª AGNU. É um compromisso conjunto pelo
Multilateralismo, DIP, Paz e Prosperidade
de nações que se preocupam com a crescente polarização, disseminação de conflitos, violações de DIP, protecionismo, coerção e ameaça ou uso da força.
Co-patrocinadores
Austrália, Barbados,
Brasil
, Canadá,
União Europeia
,
Índia
e Quênia.
Signatários
Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Chipre, Finlândia, Guatemala, Liechtenstein, Luxemburgo, Moldávia, Noruega, San Marino, Eslováquia, Espanha, Turquia e Uruguai.
A GORVERNANÇA TECNOLÓGICA IA, DESINFORMAÇÃO E NEGACIONISMO
OS CONFLITOS ARMADOS REGIONAIS
:explode:
Israel :red_cross: Palestina
"Yasser Arafat e Yitzhak Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz. Foram derrotados pelo ódio."
Lula na 81ª AGNU (setembro de 2026).
Yasser Arafat
- principal líder do movimento nacional palestino.
Yitzhak Rabin
- General do exército e primeiro-ministro de Israel, mudou sua postura militar para buscar uma solução política.
(Assinaram os Acordos de Oslo, 1993)
:bulb:
Rabin foi assassinado em 1995 por um extremista israelense contrário aos acordos de paz, o que enfraqueceu drasticamente o processo de reconciliação.
A Guerra no Irã
Crise no Sudão
Massacres na região de Al-Fashir, no Darfur teriam causado cerca de 60 mil mortes.
Crise em Burkina Faso
O número de conflitos armados em 2025 foi o
MAIOR desde a IIGM
, segundo relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo.
aumento de ataques contra
civis
cerca de 245 mil mortes por ano em decorrência direta de combates ou violência política
65 conflitos envolvendo ao menos um Estado, segundo o "Conflict Trends"
Ainda, a pesquisadora Siri Aas Rustad, responsável pelo relatório, destacou que os :flag-us: desempenham papel relevante nesse processo (tanto por atuação direta nos conflitos quanto por políticas econômicas coercitivas). Também, reforçou que Israel está claramente entre os países mais agressivos no momento.
A GRANDE DISPUTA HEGEMÔNICA DO SISTEMA-MUNDO
:flag-cn: :red_cross: :flag-us:
A crise da hegemonia norte-americana, segundo Giovanni Arrighi (
O longo século XXI, 2016
) possivelmente poderá ter três desfechos:
Um império mundial coercitivo pelos antigos centros de poder (EUA e Europa Ocidental).
Rastro de intervenções iniciadas pós-11 de setembro (Iraque e Afesganistão), projeto de Trump para imposição de um império militar global, expansão da OTAN na Europa Oriental e apoio as revoluções coloridas, a recente Guerra do Irã, o rapto de Maduro e as ameaças a soberania brasileira.
Apontam para o desfecho do império mundial coercitivo.
A ascensão do Leste Asiático como novo centro de acumulação
Liderança chinesa no PIB por paridade de poder de compra, o deslocamento do eixo dinâmico para o leste asiático e a financeirização e desindustrialização do Ocidente, A
Belt and Road Initiative (BRI)
(:flag-cn: canalizando seus maciços excedentes comerciais para financiamento de portos, ferrovias, redes de energia e telecomunicações na Ásia, África, Leste Europeu e América Latina), a desdolarização e os novos sistemas de pagamentos (comércio em moedas locais, transações bilaterais de energia e
commodities
), expansão do BRICS e a integração regional via RCEP.
Apontam para o desfecho do Leste Asiático como a nova área-pivo do mundo.
Transição violenta rumo ao caos sistêmico
Dados do Programa sobre Conflitos da Universidade de Uppsala evidenciam uma
escalada global
de violência organizada nas últimas décadas. Em 2024, o número de conflitos interestatais atingio 61, com 11 guerras ativas, o maior número desde 2016.
Essa instabilidade crônica poderia sugerir que o sistema-mundo atravessa o desfecho do caos sistêmico.
:arrows_counterclockwise: Para o autor, a transição hegemônica ocorre quando o
centro em declínio
entra em expansão
financeira
, enquanto
o centro emergente
concentra a expansão
material e produtiva.
Mas, afinal, qual dos três cenários é o mais provável desfecho :question:
Possivelmente, a
combinação dinâmica
entre o caos sistêmico e a ascensão do Leste Asiático, com o Império Coercitivo atuando como principal elemento desestabilizador da transição.
O Império Coercitivo impondo o caos sistêmico
A história das hegemonias mostra que
NÃO
:red_cross: há
transição suave
(Tucídides). O poder dominante raramente aceita a perda da proeminência sem violência. Dessa forma, o
"Império Coercitivo"
atua de forma a buscar a desestabilização dessa transição.
À medida que os :flag-us: busca impor seus interesses a todo custo (sanções, ingerências, intervenções, ameaças, paralisação de instituições - OA na OMC por exemplo) para evitar a ascensão da :flag-cn:, a governança multilateral se desfaz [possilmente a fase atual :warning: - crise do multilateralismo e conflitos regionais] :fast_forward: período prolongado de
fragmentação e caos sistêmico
.
Os limites estruturais do Império Coercitivo
No entanto, a
financeirização do Ocidente já se iniciou
, ao passo que o leste asiático é o pólo dinâmico de produção material atual da economia.
Embora haja projeção militar proeminente do Ocidente, a sustentação da hegemonia é extremamente dispendiosa.
A imposição da força sem a contrapartida
(capacidade de oferecer bens públicos globais - crédito, investimentos de longo prazo, infraestrutura e estabilidade de mercado), desgasta a hegemonia,
gera resistência
dos outros países e isolamento diplomático.
A ascensão do Leste Asiático como centro gravitacional final
O eixo produtivo já se deslocou irreversivelmente para a Ásia. Portanto, possivelmente, o desfecho final é a alternância do poder global.
Contudo, a filosofia chinesa parece se distanciar (e muito!) do modelo hegemônico norte-americano. Notavelmente, ao país asiático interessa a construção de um mundo multipolar e regional, pois a manutenção da hegemonia nos moldes conhecidos é demasiadamente custoso. Portanto, é provável que a China não busque construir uma influência cultural ou militar nesses moldes.
Nesse sentido, prevê-se um Leste Asiático como principal motor de acúmulo de capital e inovação tecnológica, mas dividido e integrado a redes globais diversificadas, dividindo o espaço geopolítico com a América Latina, Oriente Médio e a África.
E, o :flag-br: em meio a esse cenário de caos atual :question:
O Brasil possui
elevada sensibilidade estratégica
no cenário global hodierno:
minerais críticos - uma das maiores reservas mundiais em minérios essenciais para transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
Soberania sobre grande parte da
Amazônia
Portanto, tem sido um dos alvos da ingerência e pressão norte-americana. O grande desafio é "navegar nas águas turvas" do caos sistêmicos sem ceder ao isolamento ou ser reduzido a um peão no tabuleiro de terceiros.
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém:!:"
- Lula, discurso na 81ª AGNU, 2026
A diplomacia brasileira, historicamente, atinge seu maior valor estratégico justamente quando
atua de forma altiva e pragmática
. Dessa forma, entende-se que o Brasil deve se projetar
como um país soberano e fraterno
, isto é, ao mesmo tempo: senhor de seu próprio destino, que não cede a pressões imperialistas, e, senhor de ascendência cooperativa, solidária e altiva, que busca a justiça social global e a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
INVESTIDAS CONTRA A DESDOLARIZAÇÃO
:money_with_wings: