Assim entendida, a culpabilidade só podia ter um conteúdo heterogêneo: o dolo e a culpa, e a reprovação dirigida ao autor por seu dolo ou sua culpa. Isto fez com que os autores não se pusessem de acordo acerca de como funcionavam esses elementos dentro da culpabilidade. Para FRANK, podia haver dolo sem culpabilidade, enquanto para GOLDSCHMIDT, o dolo, como dado psicológico, era um pressuposto da culpabilidade, e MEZGER afirmava que o dolo requeria a consciência da antijuridicidade, isto é, que o dolo sempre era culpável. Estas posições, segundo as quais o dolo é um capítulo da culpabilidade (FRANK), um pressuposto da culpabilidade (GOLDSCHMIDT), ou um componente desvalorado dela (MEZGER), e todas suas possíveis variantes, demonstram a heterogeneidade irredutível do conteúdo que esta teoria atribui à culpabilidade.