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Uma definição de trabalho - Coggle Diagram
Uma definição de trabalho
RESSALVAS:
O objetivo desse capítulo é oferecer uma definição de trabalho da musicoterapia para o ano de 2014 que leve em conta as questões mais significantes levantadas pelo grupo de desconstrução (veja a Introdução) assim como a análise das definições existentes (capítulo 3).
Terceiro, é assumido que a definição de trabalho é uma co-construção do autor, que está situado na perspectiva americana da musicoterapia; de experientes colegas musicoterapeutas dos EUA, Canadá, Europa e Austrália, que ofereceram seus aportes à definição e ao texto; e de outros autores e organizações espalhados no mundo que publicaram sua própria definição.
E por último, é assumido que a definição de trabalho não é de relevância universal.
Segundo, a definição de trabalho de 2014 está claramente situada na cultura ocidental que usa a língua inglesa na academia e pode, portanto ser relevante apenas dentro deste contexto.
A definição é teórica. Seu propósito é habilitar profissionais e estudantes a examinar questões conceituais envolvidas na definição de musicoterapia. Ela não é dirigida ao público leigo, e pode não ser útil para descrever a musicoterapia para outros profissionais pela primeira vez.
Primeiro: é assumido que a musicoterapia pode ser definida independentemente se ela existe na realidade ou é meramente uma construção ou discurso como proposto por alguns autores.
DEFINIÇÃO DE TRABALHO:
Musicoterapia é um processo reflexivo onde o terapeuta ajuda o cliente a otimizar sua saúde, usando variadas facetas da experiência musical e as relações formadas através desta como o ímpeto para a transformação. Como definido aqui, a musicoterapia é o componente de prática profissional da disciplina, que informa e é informado pela teoria e pela pesquisa.
PROCESSO REFLEXIVO:
Em um processo reflexivo, o terapeuta promove avaliação e, quando necessário, modificação de seu trabalho com um cliente – antes, durante e depois de cada sessão, assim como nos variados estágios do processo terapêutico.
Isto é efetuado através de autoobservação, auto-inquirição, colaboração com o cliente, consultas com especialistas e supervisão profissional.
A musicoterapia é um processo metódico em dois níveis, a saber: nível da sessão e nível do estágio.
No nível da “sessão”: as ações do cliente são sequenciadas para motivar e engajá-lo no processo musicoterapeutico e assim conseguir
No nível do “estágio”: além de sequenciar as atividades propostas, fazer com que essas atividades se tornem desafios terapêuticos colocados em prática no momento (ou estágio) apropriado, ou seja, quando o cliente estiver pronto para trabalhar esses desafios.
TERAPEUTA
O terapeuta é definido como alguém que assume o compromisso de ajudar o cliente, através da música, com um objetivo de proporcionar saúde, ao oferecer determinado tipo de serviço
Qualquer trabalho relacionado à saúde, mas não relacionado à música ou vice-versa cai fora das fronteiras da musicoterapia profissional.
O musicoterapeuta deve ter o conhecimento necessário e perícia para assumir responsabilidades no oferecimento do cuidado e promoção da saúde do cliente
O musicoterapeuta deve ser reconhecido como tal pela autoridade competente de que é um “profissional treinado” através de algum mecanismo ou autoridade oficial.
AJUDA
Desenvolver habilidade de comunicação
Fomentar autorreflexão
Fornecer um espaço de expressão
Superação de traumas, abuso ou negligência
Estar presente junto ao cliente
O terapeuta deve ajudar a si próprio
CLIENTE:
Um cliente é qualquer indivíduo, grupo, comunidade ou ambiente que precise ou busque ajuda de um terapeuta, na forma de serviços prestados numa relação profissional, com o propósito de se alcançar uma meta ou preocupação relacionada a saúde, usando experiências musicais e as relações formadas através delas
OTIMIZAR A SAÚDE DO CLIENTE
Otimizar não é meramente aperfeiçoar ou promover; implica que esforços são feitos para levar o cliente ao seu mais alto nível potencial de estar são, especificamente e genericamente.
Saúde envolve e depende do indivíduo e de todas as suas partes (por exemplo, corpo, psique, espírito) e também de suas relações com os contextos mais amplos da sociedade, cultura e ambiente.
USANDO VARIADAS FACETAS DA EXPERIÊNCIA MUSICAL
Cada experiência musical minimamente envolve uma
pessoa
, um
processo musical
específico, um
produto
de algum tipo e um contexto ou ambiente.
Quatro tipos específicos de experiência musical servem como métodos primários de musicoterapia:
escutar
,
improvisar
,
recriar
e
compor
.
RELAÇÕES FORMADAS ATRAVÉS DAS EXP. MUSICAIS
As experiências musicais podem ser desenhadas para ressaltar as relações entre:
Entre uma ou mais pessoas.
Entre uma pessoa e seu ambiente sociocultural ou físico.
As partes de uma pessoa.
Entre uma pessoa e um objeto ou entre objetos.
Experiências musicais podem ser desenhadas para:
Entre os sentimentos do cliente e do terapeuta.
Entre a música do cliente e do terapeuta.
Entre diferentes partes de seu corpo ou entre sua música e seus sentimentos sobre seu cônjuge.
Entre os pensamentos do cliente e os sentimentos de outro cliente ou cônjuge.
Explorar as relações entre dois sentimentos opostos que um cliente tenha.
Entre as ideias e sentimentos do cliente e aqueles prevalentes em seu
setting
sociocultural.
COMO ÍMPETO PARA TRANSFORMAÇÃO
Transformações potenciais resultando da musicoterapia podem ser:
pessoais
,
interpessoais
e
ecológicas
.
Transformações interpessoais são aquelas que o cliente ou grupo faz em suas relações com os outros.
Transformações ecológicas são aquelas que o cliente ou grupo faz em seus ambientes socioculturais ou físicos.
Transformações pessoais são aquelas que o cliente faz em si mesmo.
Estas transformações podem ser manifestas em ambas as formas musical ou não musical, dentro ou fora do
setting
terapêutico. Estas transformações também podem ser classificadas como exteriores ou interiores.
Transformações exteriores são aquelas que podem ser observadas e medidas (incluindo qualquer manifestação de transformação interior que seja operacionalmente definida).
Transformações interiores são aquelas transformações subjetivas que tomam lugar dentro de uma pessoa ou contexto que não sejam facilmente observadas e medidas.
O ímpeto para a transformação na musicoterapia surge diretamente de estratégias orientadas a
resultados
e/ou orientadas à
experiência
.
Estratégias orientada a resultados: as experiências musicais e relações são usadas pelo terapeuta para induzir a transformação pretendida no cliente.
Estratégias orientada a experiência: a música e afins servem como um processo ou meio para o cliente identificar, explorar, avaliar, ensaiar e implementar transformações necessárias para uma saúde melhor.
UMA DISCIPLINA DE PRÁTICA PROFISSIONAL, TEORIA E PESQUISA
A musicoterapia é uma disciplina e profissão por direito próprio e não é um ramo ou parte de nenhuma outra disciplina ou profissão.
A musicoterapia é em primeiro lugar uma disciplina de prática. A prática é a principal fonte, objetivo e aplicação do conhecimento adquirido na teoria e pesquisa. Como uma prática, a musicoterapia é definida e delimitada para um foco – o processo pelo qual terapeutas usam experiências musicais e suas relações para ajudar o cliente a aperfeiçoar sua saúde. Como prática profissional, a musicoterapia é definida e delimitada a serviços que um terapeuta apropriadamente qualificado e mediante contrato terapêutico forneça para um cliente em troca de remuneração.