Please enable JavaScript.
Coggle requires JavaScript to display documents.
Epopeia Portuguesa: Os Lusíadas, Características, estruturas e planos,…
Epopeia Portuguesa: Os Lusíadas
História de Portugal
e os feitos dos portugueses
1143 – Independência de Portugal
1385 – Batalha de Aljubarrota
1434 – Passagem do Cabo Bojador
1488 – Passagem do Cabo da Boa Esperança
1497-1499 – Descoberta do caminho marítimopara a Índia
Textos da Antiguidade que influenciam
Os Lusíadas
Ilíada (Homero)
Poema épico que se centra na fúria de Aquiles, queteve lugar no décimo ano do cerco de Troia. Aqui re-latam-se as batalhas entre gregos e troianos. A açãotermina com a morte de Heitor, filho do rei de Troia,às mãos de Aquiles.
Odisseia (Homero)
Poema que relata o regresso de Ulissesa Ítaca, após o final da guerra de Troia.Uma viagem pelo Mediterrâneo que du-rou dez anos e durante a qual Ulissesteve de viver mil aventuras para sobre-viver – uma autêntica odisseia!
Eneida (Virgílio)
Poema que conta a história deEneias, um dosguerreiros troianos que combateu na guerrade Troia. Após o final da guerra, viaja peloMediterrâneo, vivendo várias aventuras,até chegar à península itálica , onde fundao que virá a ser o Império Romano.
Epopeia / Poema épico
poema que se destina a celebrar feitos grandiosos de heróisinvulgares, reais ou ficcionais, num estilo elevado e grandioso. É, portanto, umtexto narrativo, escrito em verso, que inclui os elementos da narrativa (ação,personagens, espaço, tempo).
Uma
Epopeia
inclui
Profecias
ao longo do poema surgem várias profecias, como é o caso do destino trágico da família Sousa Sepúlveda (contado por Adamastor).
Narrador
o poema tem, entre outros, os seguintes narradores:
o
poeta
(narrador principal);
-
Vasco da Gama
, que conta ao Rei de Melinde a História de Portugal;
-
Paulo da Gama
, que conta ao Catual aspetos da História de Portugal, com base nas bandeiras hasteadas no seu barco.
Episódios
no poema são incluídas pequenas narrativas como:
Inês de Castro (Canto III);
Batalha de Aljubarrota (Canto IV);
Velho do Restelo (Canto IV);
Adamastor (Canto V);
A tempestade (Canto VI).
pág. 118/119
Características, estruturas e planos
Estrutura externa de
Os Lusíadas
(estrutura formal)
Cantos
O poema está organizado em
dez cantos
(do Canto I ao Canto X).
Estâncias
Nome dado às
estrofes
em Os Lusíadas, que têm todas
oito versos
(são
oitavas
).O poema é composto por 1102 estâncias.
Versos
Cada verso do poema tem
10 sílabas métricas
(os versos são
decassilábicos
).Os versos são predominantemente
heroicos
(ou seja, têm um acento rítmico na 6.a e na 10.a sílabas).
Rima
O esquema rimático no poema é fixo. A rima é
cruzada
nos seis primeiros versos (
ababab
)e
emparelhada
nos dois últimos (
cc
):
Estrutura interna de
Os Lusíadas
Proposição
(Canto I, ests. 1 a 3)
O poeta apresenta o
assunto
, a
matéria
do seu poema e os
heróis.
Invocação
(Canto I, ests. 4 e 5)
O poeta invoca as ninfas do Tejo, as
Tágides
, pedindo-lhes inspiração para escrever um poema à altura da glória dos heróis.
Dedicatória
(Canto I, ests. 6 a 18)
O poema é dedicado ao jovem rei
D. Sebastião.
Narração
(Canto I, est. 19 atéao final da obra)
Tem início
in medias res
, ou seja, no início da narração os navegadores encontram-se a
meio da viagem
, no oceano Índico(os factos anteriores, desde a saída de Lisboa, serão contados posteriormente).
Centra-se na viagem de
descobrimento do caminho marítimo para a Índia
.
Também é narrada a
História de Portugal
(alguns episódios).
Planos de
Os Lusíadas
Plano da viagem
Relato da viagem de Vasco da Gama e dos marinheirosportugueses (a ação central do poema).
Plano mitológico
Relato da ação dos deuses mitológicos (influênciae intervenção direta no plano da viagem).
Plano da História de Portugal
Relato de episódios da História de Portugal.
Plano das considerações do poeta
Momentos de reflexão do poeta, que têm lugarsobretudo no final de cada canto.
pág. 121/122
Galeria de personagens
Plano dos deuses
Júpiter
(Deus dos deuses)
Vénus
(Deusa do Amor e defensora dos portugueses)
Baco
(Deus do Vinho e inimigo dos portugueses)
Plano da viagem
Vasco da Gama
(Capitão da armada portuguesa)
Marinheiros
(Personagem coletiva que enfrenta as dificuldades da viagem marítima)
Plano da História de Portugal
Inês de Castro
(Paixão do rei D. Pedro; personagem do episódio narrado por Vasco da Gama)
pág. 123
Os Lusíadas: o épico e o título de uma Epopeia
Época em que viveu Luís de Camões
Renascimento
Movimento cultural que teve início em meados do séc. XIV, prolongando-se até aos finais do séc. XVI. Foi um período de renovação e de grandes transformações culturais associadas ao crescimento da burguesia comercial e das atividades económicas. Este período implicou uma
revalorização da Antiguidade greco-latina
e levou a uma diminuição da influência da religião, ao considerar o
homem como o centro do universo
(antropocentrismo).
Classicismo
Orientação que se centrou na
valorização dos modelos da Antiguidade
,buscando a perfeição formal e o equilíbrio presente nas expressões artísticas gregas e latinas. Esta corrente caracteriza-se também pela
adoção de novos géneros e estilos literários, como a
poesia épica
ou o
soneto
(trazido para Portugal por Sá de Miranda)
Humanismo
Movimento intelectual resultante do Renascimento, que
estuda as criações clássicas
(literatura, filosofia...) e que coloca
o homem no centro dos seus interesses
, valorizando todas as dimensões humanas.
O homem é visto como um ser racional e agente da história
, um ser dotado de inteligência, capaz de mudar o seu próprio destino.
Origem da palavra Lusíadas
A palavra
Lusíadas
foi criada no século XVI por Garcia de Resende, um poeta contemporâneo de Camões. A palavra formou-se a partir de
Luso
, nome de uma figura mitológica que seria filho ou companheiro de Baco, deus do vinho, e que teria fundado Lisboa. Ao adotá-la para título da sua epopeia, Camões pretende explicitar que o seu herói é não um herói individual, como nas epopeias antigas, mas um
herói coletivo: o povo português.
pág. 120
Luís de Camões
Viveu no século XVI. Pensa-se que tenha nascido em Lisboa e que tenha adquirido a sua formação em Coimbra. A sua obra revela anos de estudo, que contrastam com uma vida boémia e de prazeres nas ruelas de Lisboa. Passou por Ceuta e foi até à Índia. No regresso a Portugal, passou por Moçambique, onde viveu um período de grandes dificuldades, ao mesmo tempo que continuou a escrever Os Lusíadas, que foram publicados em 1572. Embora tenha ficado a receber uma tença anual, Camões terminou os seus dias na pobreza. Ficou para a história como um dos maiores nomes da cultura renascentista e um dos grandes génios de sempre da literatura portuguesa.