Contudo, na realidade, o estágio se depara com questões diversas, que podem dificultar a efetiva formação do licenciando, entre as quais pode-se mencionar: falta de interação entre professor orientador e supervisor, de forma que, em muitos casos, a ação do aluno em sala de aula não é acompanhada pelo orientador e nem ele recebe feedbacks suficientes sobre pontos de melhoria durante a sua prática (Pimenta e Lima, 2008); a falta de orientações e suporte durante a ação em sala de aula faz com que os alunos imitem modelos, tomando por referência os professores que tiveram na educação básica ou superior, sem a reflexão crítica e criatividade necessárias à construção de suas próprias identidades profissionais (Ponte, 2002; Tardif, 2000); pouca atenção têm se dado à formação dos professores orientadores, de modo que não se têm estabelecidos quais os saberes que esses profissionais devem deter para atuar nesta função, nem mesmo quais ações deve realizar para que forneça um acompanhamento suficiente aos licenciandos, o que é agravado pela precarização do seu trabalho docente (Nacarato, 2006); acrescenta-se, também, a sobrecarga dos professores supervisores que, frente à tantas demandas em sala de aula, nem sempre dispõem de tempo, formação complementar e recursos suficientes para dar suporte aos licenciandos, de forma que o estágio resume-se à estes estudantes substituindo-os. Tal situação é tão grave que, dada a falta de referências em boas experiências de estágio, os orientadores e supervisores tendem a repetir as ações dos profissionais que os acompanharam nesta etapa da formação inicial, com o estágio reduzindo-se à uma obrigação burocrática e desarticuladora.