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Psicologia Fenomenológica e Existencial - Coggle Diagram
Psicologia Fenomenológica e Existencial
A Psicologia Fenomenológica e Existencial é uma abordagem que utiliza o método fenomenológico como sustentação metodológica para acessar a experiência subjetiva do ser humano e, a partir daí, trabalhar os temas centrais da existência, como a liberdade, a angústia e a busca de sentido. Ela representa a Terceira Força em Psicologia, valorizando a percepção e a consciência do sujeito.
AUTORES:
Autores com Enfoque Fenomenológico/Existencial:
Karl Jaspers: Inovou a visão da psicopatologia ao abordar a experiência.
Carl Rogers e Abraham Maslow: Figuras centrais do Humanismo (A Terceira Força em Psicologia). A noção de percepção do sujeito é um ponto de aproximação do Humanismo com o existencialismo e a fenomenologia.
Ludwig Binswanger e Medard Boss: Psiquiatras que aplicaram o saber filosófico (inspirados em Husserl e Heidegger) na psicoterapia e psicopatologia (Daseinsanalyse).
Rollo May e Viktor Frankl: Autores associados ao existencialismo e à psicoterapia.
AUTORES FUNDAMENTAIS:
Martin Heidegger: Utilizou o método fenomenológico. Voltou-se para o esclarecimento do ser e da existência.
Jean-Paul Sartre (1905–1980): Principal nome do existencialismo moderno. Propôs a tese central de que "a existência precede a essência", o homem está "condenado a ser livre" e que "ser é agir". Sua abordagem psicológica é chamada Psicanálise Existencial.
Martin Buber (1878–1965): Descreveu fenomenologicamente o encontro humano (a relação Eu-Tu).
Søren Kierkegaard (1813–1855): Considerado o “pai do existencialismo”. Focou na existência humana como ponto de partida da filosofia, introduzindo a noção de liberdade existencial e angústia.
Edmund Husserl, fundador da Fenomenologia, inspirado por Franz Brentano, criou um novo método de conhecimento centrado nos fenômenos psíquicos e criticou o positivismo para resgatar o sentido dos fenômenos.
Principais Conceitos
Conceitos Chave da Fenomenologia:
Epoché
Termo grego que significa "suspensão do juízo". É a prática de colocar entre parênteses os preconceitos, teorias e juízos de valor (a atitude natural ou ingênua).
Redução Fenomenológica
É o método completo de suspensão de julgamentos e conhecimentos prévios. Busca o retorno às coisas mesmas ("voltar às coisas mesmas").
Redução Eidética
Primeira etapa da consciência reflexiva que busca o sentido dos fenômenos. Reduz os objetos às suas essências.
Consciência Intencional
A essência da consciência é a intencionalidade: é sempre "consciência de alguma coisa" (ato dirigido a um conteúdo). Consciência e objeto se unem em uma relação contínua.
Mundo Vivido (Lebenswelt)
O mundo que já está dado como pressuposto do pensamento. É a experiência pré-reflexiva, fonte do sentido dos conceitos.
Fenômeno
É tudo aquilo que se manifesta ou se apresenta à consciência
Conceitos Chave da Existencialismo:
Liberdade
O sujeito é livre para se criar e está "condenado a ser livre". A liberdade significa autonomia de escolha.
Ser é Agir / Projeto
O ser humano é aquilo que ele faz (práxis). Ele é um projeto, uma realidade inacabada em constante construção.
A existência Precede a Essência
O homem primeiro existe e, através de suas escolhas e ações, define o que é. Não há natureza ou propósito pré-determinados.
Angústia
Sentimento fundamental que surge do confronto com a liberdade e a necessidade constante de decidir diante da ausência de garantias.
Responsabilidade
Inerente à liberdade. O sujeito é inteiramente responsável pelo que faz. Quando escolhe, escolhe por toda a humanidade.
Comparando os dois enfoques:
Foco de Investigação
Fenomenologia: A Consciência e a Estrutura da experiência (o "como" o fenômeno se apresenta). Busca o sentido e a essência (redução eidética).
Existencialismo: A Liberdade, a Escolha e o Vir-a-ser (o "que fazer" com a situação).
Abertura/Evolução
Fenomenologia: Não propõe um sistema finalizado (busca contínua do sentido).
Existencialismo: Gera Angústia; o movimento criativo não garante, necessariamente, uma evolução ou progresso (divergência com o Humanismo).
Função Principal
Fenomenologia: É o Método e a Atitude filosófica.
Existencialismo: É o Tema e a Ontologia da existência.
Neutralidade
Fenomenologia: Rejeita a neutralidade absoluta. Propõe a suspensão do juízo (epoché).
Existencialismo: Assume a Responsabilidade radical pela própria construção e a do mundo.
Uso clínico, cotidiano e críticas:
Uso Cotidiano: A Fenomenologia é também um modo de vida. O ser humano constrói suas vivências à medida que experimenta e se relaciona com o mundo. A filosofia existencialista promove um humanismo engajado, enfatizando que o cuidado de si está ligado ao cuidado do outro (ser-com).
Críticas:
Crítica ao Rigor Científico: A Fenomenologia é, por vezes, alvo de críticas, como a de que "não representa e não tem resultados científicos" no debate da Psicologia Baseada em Evidências (PBE). Essa crítica é vista, na perspectiva fenomenológica, como um retrocesso ao modelo positivista que busca o resultado final em detrimento do processo.
Rejeição à Neutralidade: A perspectiva fenomenológica critica a premissa de que a ciência pode ser totalmente neutra. Para Husserl, não existe neutralidade absoluta na produção do conhecimento, e o pesquisador sempre está implicado na relação com o fenômeno.
Desafio Metodológico: A PFE, especialmente a pesquisa qualitativa nela inspirada, enfrenta o desafio de ser considerada válida cientificamente, pois, embora se esforce por rigor (descrição de vivências), a Psicologia tradicionalmente busca estabelecer ligações genéricas de causalidade.
Uso clínico:
Postura do Terapeuta: O profissional é um facilitador da autonomia e da relação dialógica. Ele não é superior, mas constrói e negocia sentidos junto com o paciente. A prática exige uma escuta atenta e o exercício da epoché (suspensão de juízos).
Objetivo Clínico: O foco não é descobrir "o porquê" (causa e efeito), mas sim compreender "como é aquela situação para aquele sujeito" e o que ele fará com ela. O objetivo é ajudar o paciente a tomar consciência de sua liberdade e de suas possibilidades de escolha.
Processo de Mudança: A terapia existencialista trabalha com a noção de que a mudança é sempre possível. O trabalho clínico consiste em perceber os atravessamentos das histórias sociais e culturais do sujeito e ajudá-lo a decidir o que fazer com eles.