Antes da chegada dos europeus, o território que hoje chamamos de Brasil era habitado por uma imensa diversidade de povos indígenas, estimados entre 2 e 5 milhões de habitantes, divididos em cerca de 1.000 etnias, com línguas, culturas e formas de organização social distintas. Alguns exemplos: Tupi-Guarani, Yanomami, Guarani-Kaiowá, Huni Kuin, Macro-Jê, Karib, Tikuna, Enawenê-Nawê e Arawak.
Como eram as organizações sociais para manter certo controle social, no sentido psicanalítico de recalque necessário para a inserção cultural?
Referência: Mal-Estar na Civilização, de 1930 (ano da primeira publicação)
Embora não houvesse uma "polícia" formal como entendemos hoje, existiam mecanismos próprios de regulação, justiça e controle social entre os povos indígenas.
Justiça e ordem
A autoridade era difusa e baseada em prestígio, não em coerção física.
A figura do cacique (ou tuxaua) não era um chefe militar ou policial, mas sim um líder político/diplomático, cujo poder derivava do respeito e da capacidade de mediação.
As sanções para desvios de conduta (como roubo, adultério, desobediência aos costumes) podiam incluir:
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Desvios de conduta podem ser entendidos aqui como o que não é permitido fazer dentro da organização social indígena, singular da comunidade.
Em algumas sociedades, haviam guerreiros que atuavam na defesa externa e no cumprimento de normas internas, mas não existia um corpo separado como “força policial”.
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Em resumo, o período pré-cabralino ou pré-colonial foi marcado por sistemas de controle social não estatais, baseados em autoridade moral e comunitária; sanções rituais ou simbólicas; organização descentralizada; e ausência de aparato coercitivo permanente (como polícia ou exército formal)