Please enable JavaScript.
Coggle requires JavaScript to display documents.
O Papel das Línguas Africanas na Emergência da Gramática do Português…
O Papel das Línguas Africanas na Emergência da Gramática do Português Brasileiro
A Tese Afirma que os Africanos têm um papel fundamental na Língua portuguesa. Observando Paralelismos Morfossintáticos entre o português Brasileiro e o Português Africano. Mas, primeiramente, como essas mudanças/ Influências se originaram?
A Primeira Mudança se derivou das transferências de Propriedades sintáticas das suas linguas Maternas
A segunda mudança foi uma restruturação desencadeada pela dificuldade de marcas gramaticais específicas.
Com as ideias da Listra Amarela em mente, volte para esta cor para entender agora as possíveis hipóteses dessas mudanças terem ocorrido. De acordo com pesquisadores da área.
A primeira hipótese, chamada hipótese de Deriva, embora criticada, considerada pelas vertentes do conteúdo exposto foi de que a língua, português brasileira sofreu apenas uma derivação oriunda apenas de Portugal e que não havia nenhuma propriedade inovadora devida à ação de contatos intralinguísticos
Hipótese do Contato é a segunda hipótese e considerada, até então, a mais correta, deriva do entendimento daqueles que defendiam a seguinte ideia: o português brasileiro apresenta características gramaticais que emergiram como consequência do contato, em particular no que se diz respeito à constituição das suas variedades populares.
CONCLUSÃO: As cinco marcas gramaticais analisadas apontam para efeitos concretos do contato linguístico entre o português e línguas africanas no Brasil colonial. As evidências empíricas apoiam a hipótese de que:
O português brasileiro não se desenvolveu isoladamente, mas foi moldado em um cenário de transmissão linguística irregular, no qual as línguas africanas desempenharam papel ativo tanto por influência estrutural direta quanto por processos de simplificação e reanálise durante a aquisição do português como L2.
Exemplos de mudanças no português brasileiro através de cinco Marcas Gramaticais
I) Construções de Tópico-Sujeito
No Português Brasileiro, termos locativos ou possessivos podem ocupar a posição de sujeito e concordar com o verbo:
Ex.: “Essas ruas passam muito carro” / “As crianças estão nascendo o dentinho”
Em Português Europeu e outras línguas românicas, essas estruturas são marcadamente incomuns ou agramaticais.
Paralelos nas línguas bantas:
Muitas exibem inversão locativa: o verbo concorda com um elemento locativo pré-verbal (ex: em quimbundo e zulu).
Há também padrões de concordância possessiva, em que o possuidor ocupa a posição de sujeito e o item possuído é o tema do predicado.
Português Brasileiro aceita frases como: “Fui no cinema”, “Cheguei na escola”.
Português Europeu tradicionalmente exige a preposição “a”: “Fui ao cinema”.
Português africano (L2) e variedades afro-brasileiras também mostram:
Uso frequente de “em”
Ausência de preposição
Combinação “para + em” (ex: “vou para no rio”)
Em línguas bantas como changana, não há preposição no sentido europeu; a ideia de lugar/direção é marcada dentro do próprio SN, com morfemas locativos.
Preposição “em” com Verbos de Movimento
Predicados Dativos com Duplo Objeto (COD)
PB popular (e afro-brasileiro) apresenta construções sem preposição “a”:
Ex.: “Ele vendeu compadre Jacó porco gordo”
Em PE, esperam-se estruturas com preposição: “Ele vendeu ao compadre...”
Línguas bantas permitem verbos com dois argumentos nominais sem preposição.
Interpretação:
(a) Influência direta das estruturas da L1 africana.
(b) Ambiguidade no uso da preposição “a” em português levou aprendizes L2 a ignorá-la.
(IV) Sintaxe Pronominal
PB mostra variações morfológicas de pronomes com base em função sintática, por exemplo:
“Me viu” (objeto) vs. “Eu vi” (sujeito).
Essas variações ocorrem de forma instável, sendo diferentes da normatividade do PE.
A instabilidade pode refletir:
Simplificações no uso pronominal típicas de aquisições tardias de L2.
Mistura de formas reduzidas e plenas segundo a função (caso morfossintático).
Nomes Nus (sem determinante) em Posição Argumental
PB permite nomes no singular sem artigo/determinante como argumento:
Ex.: “Ele comprou carro”
Em PE, espera-se: “Ele comprou um carro”.
Essa estrutura é comum em línguas bantas, onde o uso de determinantes é bastante diferente ou mesmo inexistente.
Interpretação:
Transferência direta da gramática das línguas africanas, nas quais o determinante não é obrigatório para definir referência.