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Procedimentos de descontaminação dos dispositivos médicos (DM)
Tipologia do material clínico
Antissepsia
É um processo onde se utiliza um produto químico de modo a reduzir e eliminar microrganismos indesejáveis em tecidos vivos.
Classificação dos dispositivos médicos
Uso único
Usar uma vez e eliminar.
Uso num único doente
Só pode ser reutilizado no mesmo doente.
Reutilizável
Está destinado a ser usado mais do que uma vez ou em mais do que um doente, deve ser descontaminado obrigatoriamente entre doentes, e entre utilizações no mesmo doente.
Ambiente asséptico/assepsia
É um conjunto de métodos e processos para evitar a contaminação por agentes infeciosos. Têm de haver métodos de higienização/descontaminação para garantir um bom ambiente asséptico como a limpeza, desinfeção e a esterilização.
Classificação de Spaulding
Material Crítico (risco elevado)
Utilizado em procedimentos invasivos com penetração da pele, mucosas e cavidades estéreis como por exemplo o bisturi ou os espéculos vaginais. Recomendasse a esterilização como um método de descontaminação.
Material Semi Crítico (risco intermédio)
Qualquer material que tenha contacto com mucosas integras e pele não íntegra como por exemplo o laringoscópio ou os biberões. Recomendasse a desinfeção de alto nível como método de descontaminação.
Material Não Crítico (risco baixo)
Qualquer material que entre em contacto com a pele íntegra do doente como por exemplo o termómetro e o estetoscópio. Recomendasse a limpeza como método de higienização.
Cuidados de Manipulação
Na manipulação de material clínico sujeito a esterilização é obrigatório o uso correto dos EPI como luvas, avental, óculos de proteção e máscara.
Conceitos
Material contaminado
Material usado, exposto a contaminação com matéria orgânica ou substancias indesejáveis (ex: pó, resíduos químicos)
Descontaminação
Remoção da contaminação microbiana para tornar o material seguro. Inclui limpeza, desinfeção ou esterilização.
Limpeza
Remoção mecânica da sujidade com agua e sabão ou detergente. Elimina cerca de 80% dos microrganismos.
Desinfeção/Antissepsia
Redução ou eliminação de microrganismos indesejáveis com eficácia de 90%, usando um produto químico, se for em tecidos vivos aplicasse a antissepsia.
Esterilização
Eliminação total de todas as formas de microrganismos.
Detergente
Substancia que remove sujidade e reduz microrganismos, mas não tem ação desinfetante.
Antisséptico
Substancia usada em tecidos vivos para reduzir ou eliminar agentes patogênicos e prevenir infeções.
Desinfetante
Substancia que elimina microrganismos em superfícies e equipamentos. Alguns podem ser usados na pele com por exemplo o álcool a 70%.
Associação Nacional de Esterilização
Foi criada por Amália Espada em dezembro de 1997.
Atualmente, a missão consiste em promover o desenvolvimento técnico científico no âmbito do reprocessamento de dispositivos médicos, de modo a contribuir para a prevenção da infeção associada aos cuidados de saúde garantindo assim a qualidade e a proteção da saúde pública.
A ANES tem como objetivo promover a qualidade na área de esterilização e contribuir para a prevenção e controlo de infeção nos estabelecimentos de saúde.
Recolha/triagem de DMc
A unidade de saúde deve fazer uma triagem eliminando todos os DM de uso único.
Os DM corto perfurantes são separados e colocados em contentores apropriados (embalagem amarela com uma tampa vermelha).
O restante material é recolhido em sacos verdes, azuis ou pretos para depois serem colocados dentro de contentores.
Os riscos e danos são mínimos se houver uma responsabilização dos funcionários de ambos os serviços, se o contentor for transportado fechado ou se os DM forem esterilizados apenas na zona de descontaminação.
Os DMc devem ser recolhidos e transportados para a zona de descontaminação de forma a evitar a infeção cruzada.
CICLO DO PRODUTO ESTÉRIL
Serviço Central de Esterilização
Finalidades do SCE
Assegurar a distribuição dos DM desinfetados ou esterilizados e o processamento dos DMr necessários á prestação de cuidados ao utente.
Promover ações de formação sobre circulação, manipulação e tratamento do DMc.
Colaborar com a Comissão de Controlo de Infeção.
Zonas e áreas funcionais
Preparação e Embalagem
Preparação de Têxteis
Inspeção
Esterilização
Armazém de Estéreis
Zona de Descontaminação
Destina-se a receber, lavar e secar todos os DMc reutilizáveis vindos dos serviços utilizadores. As práticas de descontaminação devem ser rigorosamente controladas a fim de se reduzirem ao mínimo os riscos de contaminação.
ocorre
A identificação e triagem do material, de acordo com o tratamento a realizar.
A verificação de possíveis falhas a fim de providenciar a sua reposição.
A verificação dos DMc reutilizáveis
O profissional responsável por esta zona deve estar protegido com: bata, máscara, touca, luvas de nitrilo e calçado antiderrapante e impermeável resistente á perfuração
Funções do SCE
Recolha e transporte de DMc nas unidades
Lavagem, desinfeção e inspeção de DMr
Preparação e embalagem de têxteis e DM
Esterilização
vantagens da esterilização centralizada
Procedimentos uniformizados
Protege o meio ambiente
Maior rentabilização dos recursos humanos e equipamentos
Controla a durabilidade do material dos DM, a qualidade e eficácia dos métodos usados
Diminui os gastos excessivos
Armazenamento dos materiais processados
Supervisão dos serviços utilizadores quanto ás condições de armazenamento de materiais estéreis
fases do ciclo
5º Esterilização
6º Armazenamento
7º Transporte até ao serviço utilizador
8º Uso
Antes da utilização
Verificar o indicador químico e a integridade da embalagem.
Armazenar os DMs adequadamente para evitar apertos, sobrecarga e contaminação.
Identificar e organizar bem os materiais para evitar manipulação desnecessária.
Não utilizar se
O prazo de validade estiver expirado.
O indicador químico não estiver ativado.
A embalagem estiver danificada (furada, rasgada, molhada).
Cuidados na manipulação
Manter o ambiente limpo, seco e sem correntes de ar.
Utilizar técnicas assépticas.
Trabalhar de frente para o material, manusear o material à altura da cintura.
Evitar falar, tossir ou espirrar sobre o material.
Higieniza as mãos com água e sabão.
Após a utilização
Evitar um ambiente húmido, que favorece a proliferação bacteriana.
Todos os DM usados devem ser considerados contaminados.
Limpar resíduos orgânicos com compressa para facilitar a lavagem.
Usar antissépticos e desinfetantes, pois resíduos orgânicos e biofilmes comprometem a esterilização.
Colocar os DM em recipiente próprio e seco, igual ao de transporte de esterilizados.
O transporte deve garantir que o material permaneça estéril até ao uso, o material acondicionado nas caixas não deve ser comprimido pois pode haver risco de perfuração, o transporte deve ser feito em caixas fechadas e devidamente identificadas. A higienização das caixas e dos carros de transporte é essencial para evitar a recontaminação.
As caixas devem ser feitas de material não poroso, lavável, rígido e hermético.
O objetivo do armazenamento e receber e guardar cargas após esterilizadas, garantindo a segurança e evitando contaminações, pode também incluir cargas em quarentena ou esterilizadas com óxido de etileno.
O espaço de armazenamento deve ser um ambiente seguro, visível, controlado e com acesso restrito a pessoas autorizadas, utilizar armários fechados com ventilação, permitir a rotação de stock e fácil acesso aos artigos. Não armazenar junto a material não estéril.
Manter a esterilidade e respeitar os prazos de validade, tendo em conta alguns aspetos como a qualidade da embalagem, as condições de armazenamento e transporte e boas praticas de transporte. O local deve ser de material não poroso e lavável o local deve estar sempre limpo e seco.
4º Empacotamento
O
Papel crepado
, a
Manga Mista
- Tyvek (polipropileno)
e a
Manga Mista com e sem fole para vapor
são os três tipos de embalagens.
Requisitos DE empacotamento
Data de empacotamento e validade (6 meses).
As tesouras devem ter as pontas protegidas para não fecharem completamente.
O material desmontado deverá ser montado.
Proteger os instrumentos pontiagudos para provocar perfurações depois do material estar esterilizado.
Requisitos PARA O empacotamento
Não preparação dos instrumentos cirúrgicos totalmente fechados.
Possuir um tamanho adequado em largura e comprimido relativamente ao DMc.
Uma margem de selagem de 2cm de modo a permitir uma abertura asséptica.
Proteção dos instrumentos pontiagudos ou com arestas.
A embalagem deve permitir a entrada do vapor ou peróxido de hidrogénio. Deve proporcionar uma barreira microbiana, permitir uma selagem adequada e facilitar a entrada do agente esterilizante e a saída do ar.
As embalagens têm como objetivo manter os DMc isolados de qualquer fonte de contaminação.
Destina-se a proteger o DM durante o processo de esterilização, garantindo a esterilidade do mesmo.
3º Inspeção
verificação e lubrificação dos DM
A inspeção dos DM é fundamental na verificação visual dos DMc para despiste da existência de sujidade e sinais de desgaste do material.
2º Limpeza/Desinfeção
processos de lavagem
Lavagem manual
Não imersão
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Imersão
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Tinas Ultra-Sónicas
O método tem a duração de 5 minutos e é eficiente como sistema complementar na limpeza de microinstrumentos, instrumentos de cavidades internas e de instrumentos com design complexo.
Lavagem mecânica
passos obrigatórios
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Eficácia do processo de limpeza depende
Do volume e temperatura da água, do contacto de todas as superfícies do DM com o agente de limpeza, da configuração do instrumento, do tempo de exposição, da qualidade da água e do pH e da eficácia do detergente.
Objetivo
Reduzir a carga microbiana através da eliminação da matéria orgânica e inorgânica aderente aos DMc prevenindo a sua deterioração.
Finalidade
Preparar os DM para processo de desinfeção ou esterilização e para o manuseamento seguro. Remover a sujidade visível e invisível.
1º Transporte até á Central de Esterilização
A recolha e transporte de DMs contaminados devem ser rigidamente controlados, para reduzir os riscos biológicos. O transporte deve ser realizado preferencialmente em carros fechados, com material não poroso, facilmente laváveis, rígidos e herméticos.
os carros de transporte devem ser
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Manuseamento de embalagens
Os DMc esterilizados deve ter um número mínimo de manipulações (3-4 no máximo) para evitar contaminação.
É importante deixar arrefecer o material antes de ser retirado do esterilizador para evitar a condensação.
Se uma embalagem com o produto estéril ficar húmida perde a eficácia contra a barreira bacteriana deixando de ser considerado estéril.
A esterilização é um processo que resulta na completa eliminação e destruição de todas as formas vivas de microrganismos incluindo esporos bacterianos.
processos de esterilização
Físico
Calor húmido
(utilizado no autoclave),
Radiações
,
Microondas
e
Filtração
.
Calor seco
O agente de esterilização é o ar quente, o equipamento adequado é a estufa de Panpinett, o tempo é de 60 minutos a uma temperatura de 160ºC esta temperatura é necessária devido ao facto de os microrganismos terem uma resistência maior ao calor seco.
A destruição das bactérias dá-se pela oxidação dos seus constituintes.
Químico
Gases
:
Formaldeído
,
Óxido de Etileno
Líquidos
:
Glutaraldeído
,
Formaldeído
Os processos físicos são os mais utilizados por se utilizar um vapor saturado não poluente para o ambiente e de baixo custo.
Fatores
:
carga microbiana das matérias-primas
,
condições de armazenamento
e
controlo do ambiente onde os DM são preparados e embalados.
indicadores
Físico
São dispositivos incorporados nas autoclaves que durante o processo de esterilização permitem saber se foram alcançados os parâmetros necessários
através de uma fita impressa em cada ciclo de esterilização
.
Estas fitas devem ser arquivadas pelo período de 6 meses. A incorreta distribuição da carga interfere na saída de ar e na penetração do vapor algo que só é detetado através dos indicadores físicos.
Se os monitores indicarem uma falha no funcionamento toda a carga é considerada não estéril e a autoclave só deve ser reutilizada após a resolução do problema.
Químicos
São
substâncias químicas fixadas em suportes de papel
impressos nas mangas mistas
que quando são expostas ao processo de esterilização sofrem uma
reação química fazendo a sua cor mudar.
Os indicadores químicos estão classificados em 6 classes, sendo a 2º e a 6º as mais padronizadas.
Classe 2
Indicadores usados em provas específicas. O teste de Bowie&Dick permite avaliar a eficácia da remoção de ar das autoclaves. A cor rosa significa que o produto se encontra estéril.
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Classe 6
Indicadores de simulação, reagem a tosos os parâmetros do processos de esterilização quando 95% do ciclo está concluído. Na utilização do indicador classe 6 está padronizado a esterilização a vapor de 134º
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Biológicos
Consistem na utilização de esporos bacterianos não patogénicos de alta resistência.
2º Geração
Surgiu na década de 1970, utilizando frascos plásticos com esporos e meio de cultura com indicador de pH em ampola de vidro. Após a esterilização, o frasco é agitado para misturar o conteúdo, e a mudança de cor do meio após 24 a 48 horas indica crescimento bacteriano. Esse método reduziu o tempo de incubação e evitou contaminações por manipulação, tornando o processo mais seguro e eficiente.
3º Geração
Os indicadores biológicos é semelhante à 2º, mas inclui um substrato que reage com uma enzima liberada pelos esporos, gerando uma resposta fluorescente detectada pela incubadora em até 3 horas. Esse método é mais rápido e permite identificar falhas no processo de esterilização e validar o esterilizador com agilidade, inclusive após manutenção.
1º Geração
Antes da década de 1970, consistia em tiras de papel com esporos que, após a esterilização, eram incubadas por 7 dias em laboratório. A presença de turbidez no meio de cultura indicava falha na esterilização. Esse método era demorado e havia risco de contaminação ou transferir mecanicamente as tiras para o meio de cultura.