A pedagogia tradicional está profundamente imbricada com os projetos coloniais, pois ambos compartilham uma lógica de dominação, controle e hierarquização do saber. Assim como o colonialismo impôs aos povos colonizados uma cultura, uma língua e um modo de vida europeus, a pedagogia tradicional impôs um modelo educativo eurocêntrico, que desvalorizava os saberes locais, orais e populares, e exaltava os conhecimentos considerados “universais” – quase sempre produzidos por elites brancas, ocidentais e masculinas. Nesse sentido, a escola tradicional funcionou como um dos principais instrumentos de reprodução do colonialismo, ensinando os sujeitos a se verem a partir da lente do colonizador, apagando identidades e formas de conhecimento dissidentes.