Considerando-se dois fatores — terra (fixo) e mão-de-obra (variável) —, se várias combinações de terra e mão-de-obra forem utilizadas para produzir, digamos, arroz, e se a quantidade de terra for manda constante, os aumentos da produção dependerão do aumento da mão-de-obra utilizada na lavoura. Nesse caso, a produção de arroz aumentará até certo ponto e depois decrescerá, isto é, a maior quantidade de homens para trabalhar, associada à área constante de terra, fará com que a produção cresça inicialmente a taxas crescentes. Após um determinado ponto, porém, continuará crescendo a taxas decrescentes até atingir um máximo, e depois passe a decrescer. Ou seja, o número de trabalhadores aumenta com o aumento da produção, mas terão dificuldades cada vez maiores para utilizar as ferramentas e o espaço disponível, que são fixos. Como a proporção entre os fatores fixo e variável vai se alterando, quando aumenta a produção, essa lei também é chamada de lei das proporções variáveis.
A lei dos rendimentos decrescentes é tipicamente um fenômeno de curto prazo, com pelo menos um insumo fixo. Se, no exemplo anterior, a quantidade de terra também fosse variável (por exemplo, passasse de 10 para 15 alqueires), o produto total teria um comportamento completamente diferente. Se isso ocorrer, sairemos de uma análise de curto prazo e entraremos na análise de longo prazo, pois também o fator capital variará, não existindo mais fatores fixos de produção.
Na prática, para uma firma individual, não é fácil imaginar que um empresário racional permita que a situação chegue ao ponto de o produto marginal ser negativo. Antes que isso ocorra, ele por certo procurará investir em novas instalações, ou comprar mais máquinas.
Para determinado setor produtivo, existe um exemplo clássico na literatura econômica denominado desemprego disfarçado, que pode ser verificado em agriculturas de subsistência, em países subdesenvolvidos. São agriculturas não voltadas ao mercado (por exemplo, as roças), com famílias muito numerosas, de sorte que a retirada de parte dessa população do campo não provocaria queda do produto agrícola (ou seja, a produtividade marginal na mão-de-obra é nula). A transferência desse tipo de mão-de-obra para as regiões urbanas, embora em atividades de pouca qualificação eleva o produto urbano, e pode ser um dos primeiros requisitos para que um país inicie um processo de industrialização e de crescimento econômico.