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REPERCUSSÕES DA GRAVIDEZ NO ORGANISMO MATERNO - Coggle Diagram
REPERCUSSÕES DA GRAVIDEZ NO ORGANISMO MATERNO
ADAPTAÇÕES DO ORGANISMO
MATERNO À GRAVIDEZ
SISTEMA CIRCULATÓRIO
Aumento do volume (em maior expressividade) e da constituição sanguínea (em menor expressividade) devido ao aumento da necessidade de suprimento, já observado no 1º trimestre de gestação. Em pacientes com alguma restrição de crescimento fetal e hipertensão arterial, esse aumento pode se apresentar de forma discreta.
Aumento na síntese de hemácias devido ao aumento da eritropoetina (hormônio).
Leucocitose pode estar presente: 5.000 e 14.000/mm³. Esse quadro pode aumentar durnate o parto e/ou no puerpério devido, provavelmente, à atividade das adrenais no momento de estresse.
Plaquetas encontram-se diminuidas devido à hemodiluição, ao grau de coagulção intravascular, ao aumento do baço. O quadro de plaquetopenia (contagem inferior ou igual a 100.000/mm³) pode resolver-se após o parto.
Aumento dos fatores de coagulação.
⬆️ do débito cardíaco: atinge o ápice no pós-parto imediato.
Diminuição da quantidade de ferro devido ao aumento considerável do seu consumento:
📌 Consumo pela unidade fetoplacentária;
📌 Uso na síntese de hemoglobina e de mioglobina: massa eritrocitária e musculatura uterina;
📌 Perdas sanguíneas;
📌 Aleitamento.
⬆️ da síntesa de prostaciclina: provoca vasodilatação sistêmica. Em conjunto com a progesterona, igualmente elevada, ocorre a vasodilatação generalizada. Esse quadro é favorecido pelo aumento da produção de óxido nítrico.
⬆️ da pressão venosa nos MMII devido à compressão das veias pélvicas e ao útero volumoso, podendo ocorrer hipotensão, edema, varizes e doença hemorroidária.
Coração encontra-se desviado para cima e para a esquerda devido à elevação do diafragma por causa do aumento do volume abdominal. Também está aumentado de volume por causa do aumento do volume sistólico e da hipertrofia dos miócitos.
É comum a ocorrência de sopro sistólico por
causa da diminuição da viscosidade sanguínea
Eletrocardiograma deve ser avaliado cuidadosamente devido a essas alterações anatômicas/fisiológicas
SISTEMA ENDÓCRINO E METABOLISMO
Equilíbrio endócrino e metabólico é mantido devido à produção de substâncias similares aos hormônios maternos pela placenta.
Pode-se dividir os acontecimentos em duas fases: 1a e 2a metades
1️⃣ fase anabólica (materno);
2️⃣ fase catabólica (materno) e anabólica (fetal).
Hormônios sintetizados pelo hipotálamo sofrem aumento na circulação periférica devido a essa síntese placentária. Exemplos dos produtos dessa síntese: o hormônio liberador da
gonadotrofina (GnRH), hormônio liberador da corticotrofina (CRH), hormônio hipotalâmico estimulador da tireotrofina (TRH), somatostatina e hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH).
A gravidez pode ser caracterizada em períodos de hipercortisolismo e hiperaldosteronismo.
Ganho de peso: acúmulo de componente hídrico intra e extravascular, acúmulo de componentes energéticos e estruturais.
⬇️ da glicemia em jejum e da glicemia basal devido ao armazenamento lipídico > glicogênese hepática > transferência de glicose ao feto. Alterações vista na fase 1️⃣, desencadeadas pelo estrógeno e pela progesterona.
30 semanas: início de mobilização energética. O ⬆️ da resistência periférica à insulina provoca as seguintes condições: hiperglicemia pós-prandial e hiperinsulinemia (observada a partir da 26ª semana - qualquer desequilíbrio no metabolismo dos carboidratos pode gerar um quadro de diabetes mellitus gestacional!).
Aumento de tamanho da hipófise: volume e peso podem dobrar ao final da gestação, sem causar efeitos deletérios. Pode ocorrer a síndrome de Sheehan quando o aumento volumétrico causa sangramento profuso no periparto e isquemia hipofisária.
Alterações na tireoide devido a:
1️⃣ diminuição dos níveis séricos de iodo;
2️⃣ elevação das frações ligadas dos hormônios;
3️⃣ estimulação dos receptores de TSH (hormônio estimulante da tireoide) pelo hCG (gonadotrofina coriônica humana).
Contudo, essas alterações não causam alterações volumétricas da glândula!
Aumento da síntese de prolactina.
Aumento dos níveis séricos do hormônio do crescimento por causa de sua secreção pelo sinciciotrofoblasto.
1º trimestre: alterações evidentes a respeito da função tireoidiana (produção e secreção do hormônio estimulante da tireoide diminuídos). No 2º trimestre volta à normalidade (níveis)
Hormônio melanotrófico da hipófise (MSH) encontra-se elevado devido aos altos níveis de progesterona.
Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) elevado devido à síntese hipofisária e placentária.
Limiar entre o hormônio antidiurético (ADH) e a ocitocina é alterado: determina-se um novo equilíbrio.
Decréscimo dos níveis de cálcio: necessidade do concepto. Contudo, os níveis de cálcio iônico e corrigido pela albumina permanecem inalterados.
⬆️dos níveis de calcitriol = ⬆️ absorção de cálcio pelo sistema digestório.
É esperado uma glicosúria leve: +/4+ ou 250mg/dL por causa do ⬆️ de filtração glomerular e à ⬇️ da reabsorção tubular renal. Níveis mais altos são motivos de alerta para diabetes!
⬆️ albumina total e ⬇️ de concentração plasmática
MODIFICAÇÕES SISTÊMICAS
DO ORGANISMO MATERNO
PELE E ANEXOS
Eritema palmar, telangiectasias, hipertricose, ⬆️ secreção sebácea e de sudorese: estado hiperprogestogênico e vasodilatação
SISTEMA RESPIRATÓRIO
Ingurgitamento, edema da mucosa nasal = elevam frequência de obstrução, sagramento e rinite
Diminuição da amplitude do diafragma
Reserva inspiratória preservada, alteração na reserva expiratória (reduz)
Dispneia: queixa comum
SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Queixas de alterações de memória, concentração, sonolência
Influência da qualidade do sono no desenvolvimento de blues puerperal/depressão
Importância de se atentar à qualidade da situação emocional
Hiperpigmentação, máculas hipercrômicas (melasmas/cloasmas): face, fronte, projeção cutânea da linha alba (linha nigra), aréola mamária, regiões de dobras
SISTEMA DIGESTÓRIO
Pode ocorrer o desejo por ingerir terra, sabão, carvão (pica/malacia)
Hiperêmese gravídica: náuseas, vômitos, perda de peso
Sintomas associados aos níveis de hCG circulantes, à situação emocional e psicológica da gesante e à função tireoidiana
Alterações do V par craniano (trigêmeo) e do nervo vago: dificuldade de deglutição
Hipertrofia gengival e hipervascularização devido aos altos níveis de esteroides sexuais. Epúlides gravídicos: pseudotumores/granulomas que podem ser formados na cavidade oral
Pirose: ocorre devido ao ⬆️ da incidência de refluxo gastroesofágico por causa do relaxamento do esfíncter esofágico inferior
Hipotonia da vesícula biliar: predisposição à litíase biliar
Obstipação
Estrias
SISTEMA ESQUELÉTICO
Embebição gravídica: acúmulo de líquido nas articulações
Hiperlordose e hipercifose devido à compensação do peso abdominal
Ligamentos mais frouxos
Maior elasticidade das articulações presentes na basia óssea - sínfise púbica, sacrococcígea, sinostoses sacroilíacas
Afastamento dos pés: diminuição da amplitude na deambulação - marcha anserina
SISTEMA URINÁRIO
Elevação do fluxo plasmático glomerular
Queixa de noctúria: influência da posição - repouso em decúbito: maior mobilização dos fluidos extravasculares
Substâncias envolvidas: óxido nítrico, endotelina, relaxina
Incontinência urinária
VISÃO, OLFATO, AUDIÇÃO
Edema localizado, opacificações pigmentares
⬇️ da pressão intraocular
Alterações retinianas
Hiposmia
MODIFICAÇÕES LOCAIS DO
ORGANISMO MATERNO
ÚTERO
Coloração violácea, consistência amolecida, alterações de volume e de peso
Até 12 semanas: órgão intrapélvico, assimétrico, sinal de Piscacek
Até 20 semanas: forma esférica, órgão abdominal, sinal de Noble-Budin
Fibras musculares do miométrio modificam-se: hiperplasia, hipertrofia, alongamento > mesmos processores ocorrem com a região do istmo
Órgão que mais sofre a hipervascularização: artérias uterinas e ovarianas. Esse aumento pode causar sangramento quando ocorre manipulação do colo uterino na coleta de colpocitologia oncótica e na amnioscopia
Inervação: sistema nervoso autônomo - fibras aferentes (sensitivas) e eferentes (motoras/secretoras/parassimpáticas). Também ocorre um automatismo uterino
Fim da gravidez/no parto: cérvix passa por colagenólise e desestruturação do tecido conjuntivo
OVÁRIOS
Importância no início da gravidez - até a 7ª semana: transformação do corpo lúteo no corpo lúteo gravídico > fornece progesterona suficiente para a dediduação do endométrio e nidação do blastocisto até que ele consiga se manter
⬆️ vascularização local: plexo vascular ovariano dilatado
⬆️ nº e calibre venosos
TUBAS UTERINAS E LIGAMENTOS
Tubas: estiram-se
Puerpério: encontram-se em hipotrofia > ⬇️ níveis hormonais
Ligamentos encontram-se hipertrofiados e congestos
Vascularização intensa
VAGINA
Hipervascularizada, hiperemiada, edemasiada, hipertrofia das células musculares e do tecido conjuntivo
Sinal de Kluge: coloração arroxeada - retenção sanguínea nos vasos venosos
Sinal de Osiander: pulsação tátil dos fórnices laterais
Acúmulo de glicogênio favorece a proliferação de
Lactobacillus acidophilus
> ⬇️ pH vaginal
VULVA
Manchas hipercrômicas
Sinal de Jacquemier-Chadwick: coloração arroxeada por causa da hipervascularização local
Edema do vestíbulo vaginal: atua como um coxim protetor na hora do parto
MAMAS
Queixas de dor e de hipersensibilidade mamária, melhoram com o decorrer da gestação
Crescimento e desenvolvimento influenciados pelo estrógeno, progesterona e prolactina
Único órgão que não retorna às características pré-gravídicas depois do período puerperal
6ª semana: momento em que se observa o aumento volumétrico das mamas
Mamilo: + sensível e pigmentado
Papila: + saliente : capacidade erétil
Sinal de Hunter: contorno de limites imprecisos que circunda a aréola mais clara
Tubérculos de Montgomery: hipertrofia das glândulas sebáceas do mamilo > elevações visíveis
Rede de Haller: rede venosa causada pela hipervascularização do tecido glandular
Pele das mamas pode ter estrias devido aos níveis de cortisol
Nutrição e imunidade do RN
Parece não haver relação entre o volume pré-gravídico das mamas e sua capacidade de produção láctea