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Argentina: política externa e relações com o Brasil - Coggle Diagram
Argentina: política externa e relações com o Brasil
Relações atuais Argentina-Brasil
Primeira
Aliança Estratégica
do Brasil (desde 1997).
Brasil superavitário desde 2004 (exceção de 2019); Argentina como o terceiro maior importador de produtos brasileiros e o quarto maior fornecedor de produtos ao Brasil.
Brasil vende produtos manufaturados (principalmente automóveis e peças relacionadas) e compra manufaturados (automóveis, peças, petróleo refinado) e bens primários (farinha, malte).
Política externa argentina
Congresso de Maio
, 1810: declaração da
independência das Províncias do Prata
(confederação sem presidente).
Congresso de Tucumán
, 1816: declaração definitiva da independência argentina.
Início da
Guerra da Cisplatina
(disputas entre Portugal e Espanha se transferiram para Brasil e Argentina), 1825.
Fim da Guerra da Cisplatina
, 1828: mediação inglesa; independência do Uruguai (um algodão entre dois cristais).
Início do período de
hegemonia de Rosas
(governador de Buenos Aires que tinha permissão das demais províncias para fazer política externa em nome de todas), 1828.
Início da
Guerra do Brasil contra Rosas e Oribe
, 1851.
Fim da Guerra contra Rosas
, 1852: fim do período de hegemonia de Rosas; início do período liberal com uma constituição; Buenos Aires se recusa a aceitar a constituição e a se federalizar; existência de
2 países
(Argentina e Buenos Aires).
Unificação da Argentina
(1860), com Buenos Aires aderindo à Constituição de 1852.
Guerra das Farinhas
, 1900: conflito tarifário entre Argentina e Brasil.
Argentina rompe relações diplomáticas com a Alemanha
, 1945.
Perón
eleito Presidente (1946): caráter antiamericano; carisma de Evita Perón como uma das bases de sustentação do
peronismo
; grande apoio das camadas populares; programas sociais; política externa similar à PEI (avant la lettre), denominada
Tercera Posición
; a Argentina se juntou ao TIAR, mas possuía boas relações com a URSS, não ingressou no FMI ou no Banco Mundial.
A
Revolução Libertadora
(golpe militar) de 1955 derruba Perón e coloca Pedro Eugênio Aramburu no poder; o peronismo é colocado na ilegalidade; fim da Tercera Posición e aproximação (pela 1o vez) com os EUA;
adesão às instituições de Bretton Woods
.
Início de uma disputa judicial contra o Brasil por causa da
Hidrelétrica de Itaipu-Corpus
, em 1966 (ano da assinatura da Ata das Cataratas entre Brasil e Paraguai).
Perón volta ao poder, 1973: chapa Perón-Perón (Isabelita); Perón falece 8 meses depois.
Guerra das Malvinas
(vitória da Inglaterra), 1982; a Argentina invocou o TIAR (sem resultados); início do processo de redemocratização e de abertura econômica; Brasil neutro oficialmente, mas prestando apoio diplomático à Argentina.
Guerra do Golfo (1990): Argentina foi o único país da América Latina a enviar soldados.
Plano Cavallo
(1992): paridade entre o peso argentino e o dólar (US$1 = 1 peso argentino); em um primeiro momento, a Argentina atraiu bastante investimento estrangeiro direto, mas entrou em uma crise econômica nos anos seguintes, sendo obrigada a vender suas reservas internacionais para manter a paridade (prevista na Constituição).
Como consequência do Plano Cavallo, as reservas argentinas se esgotaram e seu balanço de pagamentos quebrou;
moratória da dívida
argentina (2001).
A Argentina assinou um memorando de entendimento para a adesão à Iniciativa Cinturão e Rota da China, e reiterou seu apoio à soberania chinesa sobre Taiwan, enquanto Pequim declarou apoio à reivindicação argentina de soberania sobre as Ilhas Malvinas (2022).
Guerra do Paraguai
(1864-1870): Brasil, Argentina e Uruguai x Paraguai; ao final, a Argentina possuía primazia econômica, e o Brasil primazia política, no Paraguai.
EUA e Argentina foram os primeiros a reconhecer o novo governo do Brasil (proclamação da república, 1889).
Arbitragem da Questão de Palmas
com a Argentina (1895): Barão do Rio Branco como representante brasileiro; Groover Cleveland como árbitro; Zeballos como representante argentino; ganho integral do Brasil.
Política externa farroupilha
, 1835: tentativa de Bento Gonçalves (República Rio Grandense) de se aproximar do governo do Uruguai, do governador de Entre Ríos (Urquiza) e do governador de Corrientes, na Argentina.
General Júlio Roca (presidente da Argentina) visita o Brasil (1o visita presidencial), em 1899.
Guerra Civil no Paraguai
(1904): colorados pró-Brasil x liberais pró-argentina; liberais vencem; Rio Branco abre mão da influência política no país, que passa pra a Argentina; Doratioto chama a jogada de “
gâmbito do rei
”, pois o Brasil entrega o Paraguai (peão) em troca da amizade argentina e da estabilidade na região (rei).
Zeballos (chanceler argentino) sugere utilizar a janela de oportunidade, em 1906, em que a marinha brasileira estava inferior à Argentina, para bombardear a Bahia de Guanabara e fazer o Brasil desistir da compra de navios de guerra; plano vazou para a imprensa e Zeballos foi demitido.
Telegrama no 9
(1908): Zeballos intercepta e interpreta um telegrama brasileiro que estava indo para o Chile como “aliança militar entre o Brasil e o Chile contra a Argentina”; Rio Branco divulga que o telegrama na verdade propunha um tratado de cooperação e amizade entre o Brasil, a Argentina e o Chile.
Vargas visita a Argentina e media a Guerra do Chaco, 1935.
Início do
Plano Condor
(1975): aliança político-militar entre os diferentes regimes militares da América do Sul (incluindo Brasil e Argentina) tutelada pelos EUA.
Argentina inicia um
contencioso comercial
e um movimento protecionista contra produtos brasileiros por conta da “desvalorização competitiva” do Brasil (1999); Brasil entra na OMC e ganha.
Inauguração da
Hidrelétrica binacional Garabi-Panambi
com o Brasil (2004).
Realismo periférico
: pensamento que predominou na política externa argentina nos anos 1990; o Brasil tem prioridade, mas a maior prioridade máxima da Argentina seriam os EUA.
Integração Brasil-Argentina
Pacto ABC (Argentina, Brasil e Chile) proposto por Rio Branco em 1909, mas Argentina não ratifica.
V Conferência Interamericana
, 1923: Argentina e Chile acusam o Brasil de belicismo (medo de expansionismo); Brasil recusa as propostas de limitação argentinas
Perón sugere a recriação do Pacto ABC (1953); caráter antiamericano do Pacto; incômodo brasileiro com o protagonismo excessivo da Argentina; Brasil recusa o Pacto; Argentina acusa o Brasil de subserviência aos EUA.
O Brasil e a Argentina lançaram a Operação Pan-Americana (
OPA
), em 1958, encabeçada pelo binômio segurança – desenvolvimento; queriam financiamento para o desenvolvimento com dinheiro dos EUA.
Encontro de Uruguaiana
(1961): Jânio Quadros e Arturo Frondizi;
espírito de Uruguaiana
; fim das desconfianças; grande momento na relação bilateral; Convênio de Amizade e Consulta como resultado.
Brasil e Argentina juntos no
outer six
(grupo contra a suspensão cubana da OEA) na Conferência de Punta del Este, 1962.
Declaração de Bogotá
(1966): Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia; contra o intervencionismo de Brasil, Argentina e México; contexto da intervenção na República Dominicana.
Tensões Itaipu-Corpus (1966 - 1979) resolvidas com o
Acordo Tripartite
(Brasil, Argentina, Paraguai); conciliação entre os projetos Itaipu-Corpus.
Declaração de Iguaçu
, 1985: reaproximação brasileiro-argentina em múltiplas áreas; começa-se a falar em integração econômica e comercial.
Grupo de Apoio à Contadora
, 1985: objetivo de apoiar o Grupo de Contadora; Brasil, Argentina, Uruguai e Peru.
Ata para a Integração Brasil-Argentina
, 1986: cria o Programa de Integração e Cooperação Econômica (PICE) com objetivo de gradual integração setorial entre o Brasil e a Argentina.
Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento: Brasil e Argentina
, 1988: 10 anos para a integração completa.
Ata de Buenos Aires
, 1990: 4 anos para a integração completa.
Tratado de Assunção
, 1991: Uruguai e Paraguai se juntam ao Brasil e a Argentina; criação do
Mercosul
.
O
Grupo 3+1
foi criado por Brasil, Argentina e Paraguai (2002), que convidaram os EUA, como reação ao 11/9; preocupação com a possibilidade de a Tríplice Fronteira ser espaço propício para a atuação de grupos terroristas.
Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Chile e Paraguai
suspendem sua participação na UNASUL
(2018) e aderem ao
PROSUL
(2019).
Início da
crise no Mercosul
, 2019: Bolsonaro x Fernandez; tentativas de flexibilizar a estrutura do Mercosul (Argentina resistente).
Irã e Argentina se candidatam para entrar no Brics (2022).
O Retorno da
onda rosa
na América Latina, em 2023, favoreceu as relações bilaterais; movimento faz referência à eleição de diversos líderes de esquerda no continente (Brasil, Colômbia, Chile, Argentina, Bolívia...).
Criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle (
ABACC
) por meio do Acordo entre Brasil e Argentina sobre o Uso Exclusivamente Pacífico da Energia Nuclear, em 1991.
Acordo Quadripartite
, 1991: Brasil, Argentina, ABACC e AIEA; acabam as desconfianças internacionais na área nuclear com relação ao Brasil e a Argentina.
Criação da
COBEN
(Comissão Binacional de Energia Nuclear) em 2008 para promover integração de tecnologias
Momentos da relação Brasil-Argentina
A partir de 1810, o Brasil viveu uma fase de
instabilidade estrutural com predomínio de rivalidade
em sua relação com a Argentina; questões fronteiriças pendentes entre os dois.
A partir de 1898: a instabilidade estrutural foi substituída por um período de
instabilidade conjuntural com busca por cooperação e momentos de rivalidade
nas relações Brasil-Argentina; um exemplo de momento de rivalidade seriam os desentendimentos sobre a entrada na Segunda Guerra Mundial.
A partir de 1962, as relações entre Brasil e Argentina passam a se caracterizar por
instabilidade conjuntural com predomínio de rivalidade
, uma vez que ditaduras se desconfiam mutuamente, e por conta dos problemas relacionados à Hidrelétrica Itaipu-Corpus.
A partir de 1979, com o Acordo Tripartite, começa uma fase de
construção da estabilidade estrutural pela cooperação
entre o Brasil e a Argentina.
A partir de 1989 começa uma fase de
construção da estabilidade estrutural pela integração
entre o Brasil e a Argentina, que dura até hoje.