Em linhas gerais, pode-se portanto dizer que, com o desenvolvimento mental, a acomodação imitativa e a assimilação lúdica, após serem diferenciadas, se coordenam sempre estreitamente. Ao nível sensório-motor, elas se dissociam; no jogo simbólico, as imagens imitativas anteriores fornecem os “significantes” e a assimilação lúdica, as significações; integradas no pensamento adaptado, enfim, as imagens e a assimilação têm por alvo os mesmos objetos, a acomodação imitativa atual determinando os significantes cuja assimilação livre, deixando de ser lúdica por essa mesma coordenação, combina as significações. Mas, bem entendido, essa integração progressiva na inteligência da acomodação imitativa e da assimilação construtiva não resulta senão de uma ampliação gradual dessa inteligência, causa única do estreitamento gradual da imitação e do jogo, e desde o início existe um núcleo essencial de coordenação entre a assimilação e a acomodação, constituindo a adaptação sensório-motora em geral e a própria inteligência. No plano da inteligência sensório-motora em geral, trata-se de uma coordenação simples: ou bem as duas tendências se equilibram e há inteligência, ou bem a acomodação se subordina à assimilação, e há imitação, ou ainda é o inverso e há jogo. É a partir do nível da representação que as coisas se matizam, por causa do maior número de combinações possíveis entre a assimilação e as acomodações não mais somente atuais, como sobre o plano sensório-motor, mas atuais (acomodação propriamente dita) e passadas (imagens) Pág. 242.A Formação do Símbolo na Criança, Jean PIAGET