A informação e a comunicação possuem duas faces, mais ou menos contraditórias, mas indissociáveis: 1) uma dimensão normativa: na informação remete à ideia de verdade e na comunicação à de compartilhamento; 2) Dimensão funcional: instrumental, ligada ao fato de que na atual sociedade não é possível viver sem informação, contatos e interações. Esses dois conceitos devem ser tomados sem discriminação, pois fixam um horizonte: a verdade para a informação; o compartilhamento para a comunicação. Portanto, no aspecto funcional, o horizonte é o mesmo, a busca pelo outro e da relação.
Os processos de informação e de comunicação contribuem para estruturar, por meio de múltiplas interações, um novo espaço público baseado num vínculo social mais dinâmico e frágil (p. 25). A valorização do conceito de convivência ajuda a renovar a reflexão sobre a natureza do laço social nas sociedade contemporâneas, nas quais as interações são mais numerosas e contraditórias. Privilegiar o entendimento na comunicação e no funcionamento do espaço público significa, portanto, refletir sobre a necessidade de administrar as diferenças inerentes às nossas sociedade.
A comunicação está associada à ideia de vínculo, de compartilhamento. Hoje há uma inversão de sentido, a informação passou a ser o que estabelece vínculo, tendo a sociedade da informação como horizonte. Portanto, diferente de ruptura, já que um dado novo perturba, a informação passou a ser vínculo. A mesma inversão ocorre com a comunicação: antes comunicar era compartilhar e unir, agora é conviver e administrar descontinuidades. Cada um desses conceitos, absorvem uma parte do referencial do outro.