Os meios de comunicação alteram a interação. Thompson (1995) distingue três tipos de interação: interação face a face, quase-interação mediada e interação mediada. No caso da interação face a face, tanto a expressão verbal quanto a não-verbal estão disponíveis para todas as partes presentes. Os meios de comunicação de massa, como jornais, rádio e televisão, proporcionam o que Thompson chama de quase-interação mediada, com o qual ele quer dizer que a comunicação é dirigida a um grupo desconhecido e não determinado de pessoas que, além do mais, são incapazes de interagir com o emissor. Por outro lado, uma conversa telefônica é um exemplo de interação mediada: a conversa se dá entre indivíduos identificados, que podem interagir em pé de igualdade. Assim, segundo Thompson, a quase-interação mediada é monológica, enquanto a interação mediada é dialógica.” “Esta última distinção é importante, mas a escolha de Thompson pelo termo quase é um pouco infeliz, uma vez que permite a interpretação de que ler um artigo de jornal ou assistir a um programa de televisão apenas se parece a uma interação, enquanto falar ao telefone ou presencialmente é uma interação verdadeira. De um ponto de vista sociológico, nem a interação entre o leitor e o artigo de jornal, nem aquela entre o telespectador e o programa de televisão é menos verdadeira ou significativa do que uma conversa sobre o artigo ou o programa na mesa do café da manhã. A circunstância de que a comunicação de massa não permite que o receptor responda imediatamente ao emissor não significa que nenhuma ação ou comunicação da parte do receptor em relação a um artigo ou programa tenha lugar. A própria exposição a um jornal ou a um canal de televisão representa um ato que tem significado social para o receptor e o emissor igualmente. Além disso, o leitor ou telespectador pode muito bem armazenar a mensagem que leu ou viu e relacioná-la a outras.”
“Em termos mais gerais: devemos ter em mente que a interação social não implica necessariamente que as oportunidades de se expressar ou de agir sejam distribuídas igualmente entre as partes envolvidas. Isso se aplica à interação não-mediada e direta, tais como aquela entre a pessoa que fala e os participantes em uma reunião ou entre participantes de um processo judicial, onde as oportunidades de expressão podem ser muito controladas e, de fato, deliberadamente desiguais. Essa desigualdade não torna a reunião ou o processo quase; ela simplesmente reflete o fato de que em qualquer interação social, seja ela mediada ou direta, as partes assumem papéis sociais que conferem diferentes graus de latitude em relação à expressão pessoal e à influência ao longo do curso da interação ou seu resultado. Os meios de comunicação, no entanto, têm, sim, impacto sobre os papéis sociais na interação, no sentido de que o acesso ao meio em si e aos modos de interação que ele disponibiliza para os participantes afetam a capacidade destes para se comunicar e agir. Uma vez que os meios de comunicação desempenham um papel cada vez mais importante em um número cada vez maior de contextos, os papéis sociais também são avaliados em termos do acesso à cobertura midiática que eles são capazes de mobilizar