José Maria da Silva Paranhos é, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, “o mais brilhante diplomata do Império”. Além de seu talento para a diplomacia, o Visconde foi também o Presidente do Conselho de Ministros mais duradouro do período imperial. Paranhos, político expoente do Partido Conservador, representou a glória e a decadência do Império. Foi durante sua chefia de gabinete que a Lei do Ventre Livre foi aprovada, o que representou a consolidação do processo de abolição da escravatura e de declínio de uma das bases de sustentação do regime.
O Visconde notabilizou-se por sua atuação na região do Rio da Prata, zona de grande complexidade política e de interesse estratégico para o Brasil. O início de sua experiência diplomática deu-se por meio do convite de Carneiro Leão, então chefe de gabinete de ministros, para que integrasse a Missão Especial no Rio da Prata em 1851. Posteriormente, Paranhos foi nomeado ministro residente no Uruguai, o que consolidou a atuação do estadista na região mais conflituosa para a política externa imperial. O Visconde foi designado para atuar na pacificação do Uruguai, que padecia de uma longa e violenta guerra civil. Em 1865, ele participou da assinatura de um acordo de paz com o governo uruguaio que deu fim ao conflito, o que contribuiu para forjar uma aproximação entre Brasil, Uruguai e Argentina, que logo depois estariam unidos contra o Paraguai em uma nova e ainda mais violenta guerra. Novamente cumprindo suas funções diplomáticas, o Visconde atuou na pacificação e na reconstrução de um Paraguai assolado por um dos maiores conflitos do século XIX. Sua tarefa consistia em contribuir para a consolidação de um governo estável e independente, garantir o cumprimento dos acordos de paz e conter os anseios expansionistas da Argentina sobre o país derrotado. Ao fim, Paranhos foi peça chave para a consolidação dos objetivos estratégicos brasileiros na região do Prata: a segurança das fronteiras, a necessidade de estabelecer limites reconhecidos e a manutenção da livre navegação e circulação de bens e pessoas na região platina.
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