CASO 2: Um homem de 72 anos, com diabetes, hipertensão, glaucoma, distimia e luto pela perda de sua esposa há 9 meses, procura atendimento médico na UBS. Ele relata sintomas de disfunção erétil, incluindo ereções inadequadas para penetração e diminuição do desejo sexual. Também relata o surgimento de oportunidades sexuais, com duas mulheres bastante interessadas em ter relações com ele atualmente. Em uma anamnese mais detalhada, o paciente indica satisfação com masturbação, embora tenha um orgasmo tardio e breve. Durante uma tentativa de ter relações sexuais após o falecimento de sua esposa, ele não conseguiu manter uma ereção adequada para a penetração.
Disfunção erétil?
Etiologia
Fisiopatologia
A ereção peniana depende do relaxamento do músculo liso cavernoso, aumento do fluxo sanguíneo sinusoidal e oclusão do fluxo venoso, seguidos por rigidez.
O NO é liberado nas fibras pré-sinápticas do nervo cavernoso e células endoteliais e é responsável por iniciar e manter o relaxamento das células do músculo liso vascular.
O processo de ereção peniana costuma ser iniciado de três maneiras:
- Psicogênicas, em resposta a estimulação sensitiva aferente (T11-L2 e B2-B4) para desencadear a ereção dopaminérgica central na área pré-óptica.
- Reflexogênica preservadas em homens com lesão na medula espinal acima do nível sacral, ocorrem com a estimulação genital e são mediadas na medula espinal e no núcleo autonômico.
- Ereções noturnas durante o sono REM.
Classificação
Causas
Orgânicas; provocadas por lesões ou distúrbios vasculares, neurológicos,hormonais ou cavernosos
Psicogênicas; em decorrência de inibição central do mecanismo de ereção, sem fator orgânico.
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Classificação clinica
- Envelhecimento
- Distúrbios psicológicos
- Distúrbios neurológicos (dças mentais, lesão medula espinal, neuropatia periférica, lesão do nervo pudendo)
- Distúrbios hormonais (hipogonadismo, hiperprolactinoma, dça tireoideana, sd de cushing, dça de addison)
- Distúrbios vasculares (aterosclerose, DAOP, insuficiencia venosa, distúrbios cavernosos)
- Medicamentos (anti-hipertensivos, antidepressivos, estrogênios, antiandrôgenios, digoxina)
- Hábitos
- Outros
O fluxo sanguíneo regional local comprometido é uma característica comum e a causa mais comum é a
arteriogênica (excluindo diabetes):
- Vascular/arteriogênica - 40%
• Diabetes - 30%
- Fatores intrínsecos peniano; priaprismo (sequela), peyronie, traumas peniano, neoplasias.
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Prevenção
Fatores de risco
Diagnóstico
Tratamento
Somente alguns casos tem potencial de cura, como:
• DE arteriogênica pós-traumática em pacientes jovens:
a taxa de sucesso com revascularização peniana é de
60 a 70%;
• DE de origem hormonal: a terapia de reposição de testosterona é efetiva e deve ser utilizada somente após
outras causas de falência testicular serem excluídas.
• DE psicogênica: terapia psicossexual pode ser empregada isolada ou associada a qualquer alternativa terapêutica e tem resultados variáveis.
Primeira linha:
- Farmacoterapia oral
- Sildenafil
- Tadalafil
- Vardenafil
Segunda linha:
- O alprostadil (Caverject
®, Edex/Viridal ®) é a monoterapia mais eficaz
para tratamento intracavernoso, com doses de 5 a 40 μg
- Prostaglandina E1 pode ser administrada intrauretral, como
uma pastilha semissólida, em doses e 125 a 1000 μg
Terceira linha:
- O implante cirúrgico de próteses penianas pode ser considerado em pacientes que não respondem à farmacoterapia ou
que desejam uma solução permanente
O exame laboratorial deve ser personalizado para a história individual do paciente, para descartar
doenças subjacentes suspeitas.
Rotina: Glicemia de jejum, HbA1c, perfil lipídico, TSH, testosterona sérica, FSH, LH, prolactina.
Risco comuns com as doenças
cardiovasculares:
- Sedentarismo
- Obesidade
- Hipercolesterolemia
- síndrome metabólica
- tabagismo
- Prostatectomia
radical (25 a 75% apresentam DE pós operatório)
- Má
oxigenação dos corpos cavernosos ou insuficiência vascular
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Epidemiologia
Diretamente relacionada a: Idade, DAC, HAS, DM, Hiperlipidemia e tabagismo.