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Complicações agudas da Diabetes mellitus, GRUPO 1 - SUBGRUPO 3 Tutora…
Complicações agudas da Diabetes mellitus
Cetoacidose diabética (CAD)
Cetoacidose diabética é uma complicação metabólica aguda do diabetes caracterizada por hiperglicemia, hipercetonemia e acidose metabólica.
A hiperglicemia causa diurese osmótica com perda significativa de líquidos e eletrólitos.
Ocorre principalmente no diabetes mellitus tipo 1
Etiologia
É mais comum nos pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e ocorre quando as concentrações de insulina são insuficientes para suprir as necessidades metabólicas básicas do organismo.
A deficiência de insulina pode ser absoluta (p. ex., durante lapsos de administração de insulina exógena) ou relativa (p. ex., quando as doses usuais de insulina não suprem as necessidades metabólicas durante estresse fisiológico)
Estresses fisiológicos
comuns que podem desencadear a cetoacidose diabética incluem:
Infecção aguda (como pneumonia e infecções do trato urinário)
Infarto do miocárdio
Acidente vascular encefálico
Pancreatite
Gestação
Trauma
Alguns
fármacos
implicados como causa de cetoacidose diabética são:
Corticoides
Diuréticos tiazídicos
Simpaticomiméticos
Inibidores do cotransporte de sódio-glicose 2 (SGLT2)
Fisiopatologia
A deficiência de insulina faz com que o organismo metabolize triglicerídios e aminoácidos em vez de glicose para produzir energia.
As concentrações plasmáticas de glicerol e ácidos graxos livres se elevam em decorrência da lipólise não controlada, assim como a alanina do catabolismo muscular.
Glicerol e alanina fornecem substrato para a gliconeogênese hepática, a qual é estimulada pelo excesso de glucagon que acompanha a insuficiência de insulina.
O glucagon também estimula a conversão mitocondrial de ácidos graxos livres em cetonas.
A insulina normalmente bloqueia a cetogênese pela inibição do transporte de derivados de ácidos graxos livres na matriz mitocondrial, mas a cetogênese prossegue na ausência de insulina.
Os principais cetoácidos produzidos, os ácidos acetoacético e beta-hidroxibutírico, são ácidos orgânicos fortes que causam
acidose metabólica
.
A acetona derivada do ácido acetoacético acumula-se no sangue e é eliminada lentamente pela respiração.
A hiperglicemia causada pela deficiência de insulina causa diurese osmótica que provoca perda significativa de água e eletrólitos na urina.
A excreção urinária de cetonas causa necessariamente perdas adicionais de sódio e potássio.
O sódio sérico pode cair em razão da natriurese ou aumentar em virtude da excreção de grandes volumes de água livre. Ocorre também perda de potássio em grandes quantidades.
Apesar do deficit significativo de potássio corporal total, inicialmente o potássio sérico inicial está normal ou elevado, devido à migração extracelular do potássio em resposta à acidose.
As concentrações de potássio geralmente caem mais durante o tratamento, à medida que o tratamento com insulina leva o potássio para o interior das células. Se o potássio sérico não for monitorado e reposto quando necessário, pode ocorrer hipopotassemia potencialmente fatal.
Quadro clínico
Os sinais e sintomas da cetoacidose diabética são os sinais e sintomas da
hiperglicemia
com o acréscimo de náuseas, vômitos.
Letargia e sonolência são sintomas de descompensação mais grave.
Pacientes podem estar hipotensos e taquicárdicos por desidratação e acidose
Respiração de Kussmaul: rápida e profunda para compensar a acidemia
Hálito com odor de frutas em razão de exalarem acetona ( derivada do ácido acetoacetico) . cetonuria perca pela urina e pela respiração
Edema cerebral agudo: complicação de 1% dos casos de cetoacidose diabética
Cefaleia e flutuação do nível de consciência marcam essa complicação em alguns pacientes, mas a parada respiratória é a manifestação inicial em outros.
Poliúria, polidipsia ou polifagia, associados a astenia e perda ponderal, principalmente nos dias anteriores do quadro.
Diagnóstico
Cetonas séricas
Cálculo do hiato aniônico
pH arterial
Prognóstico
A mortalidade geral por cetoacidose diabética é < 1%;
a mortalidade é mais alta nos idosos e nos pacientes com outras doenças potencialmente fatais
As principais causas de morte são colapso circulatório, hipopotassemia e infecção.
Entre as crianças com edema cerebral, cerca de 57% se recuperam por completo, 21% sobrevivem com sequelas neurológicas e 21% morrem.
Tratamento
Reposição de volume
Deve-se restaurar o volume intravascular rapidamente para aumentar a pressão arterial e assegurar a perfusão glomerular;depois que o volume intravascular for restaurado, os deficits totais de água corporal remanescentes são corrigidos mais lentamente, geralmente em cerca de 24 h
A reposição inicial de volume nos adultos é feita tipicamente com a infusão IV rápida de 1 a 3 L de soro fisiológico a 0,9%, seguida de infusão de soro fisiológico na velocidade de 1 L/h ou mais, se necessário, para aumentar a pressão arterial, corrigir a hiperglicemia e manter o fluxo urinário adequado.
Os adultos com cetoacidose diabética costumam precisar de pelo menos 3 L de soro fisiológico nas primeiras 5 h. Quando a pressão arterial estiver estabilizada e o fluxo urinário adequado, substituir o soro fisiológico normal por soro fisiológico hipotônico (a 0,45%). Quando a glicemia se reduzir a < 200 mg/dL, o líquido IV deve ser trocado por glicose a 5% em solução fisiológica a 0,45%.
Correção da hiperglicemia e da acidose
A hiperglicemia é corrigida pela administração de insulina regular. Suspender a insulina até o potássio sérico alcançar ≥ 3,3 mEq/L (≥ 3,3 mmol/L) .
Se a glicemia não cair para 50 a 75 mg/dL (2,8 a 4,2 mmol/L) na primeira hora, a dose de insulina deve ser dobrada.
Prevenção da hipopotassemia
A prevenção da hipopotassemia requer a reposição de 20 a 30 mEq (20 a 30 mmol) de potássio a cada litro de líquido IV para manter o potássio sérico entre 4 e 5 mEq/L (4 a 5 mmol/L).
Se o potássio sérico for < 3,3 mEq/L (3,3 mmol/L), a insulina deve ser suspensa e o potássio administrado na dose de 40 mEq/h até o potássio sérico ≥ 3,3 mEq/L (≥ 3,3 mmol/L); ou mais;
Se o potássio sérico for > 5 mEq/L (> 5 mmol/L), a reposição de potássio pode ser suspensa.
Estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH)
Etiologia
O estado hiperglicêmico hiperosmolar [anteriormente chamado coma não cetótico hiperglicêmico hiperosmolar (CNHH) e síndrome hiperosmolar não cetótica (SHNC)] é uma complicação do diabetes mellitus tipo 2.
O número de óbitos estimado é de até 20%, que é significativamente mais alta do que o número de óbitos por cetoacidose diabética.
Desenvolve-se, em geral, após um período de hiperglicemia sintomática no qual a ingestão de líquidos é inadequada para evitar a desidratação extrema decorrente da diurese osmótica induzida pela hiperglicemia.
Fatores precipitantes
Infecções graves e outras condições médicas
Fármacos que prejudicam a tolerância à glicose (glicocorticoides) ou aumentem a perda de líquidos (diuréticos)
Não adesão ao tratamento do diabetes
As cetonas séricas não estão presentes, pois a quantidade de insulina na maioria dos pacientes com diabetes mellitus tipo 2 é adequada para suprimir a cetogênese.
Como não há sintomas de acidose, a maioria dos pacientes tolera um período signitivamente mais prolongado de desidratação osmótica antes da apresentação
Assim, a glicose plasmática (> 600 mg/dL [> 33,3 mmol/L]) e a osmolaridade (> 320 mOsm/l) são tipicamente muito mais elevadas que na cetoacidose diabética.
Quadro clínico
Sintoma primário: alteração do nível de consciência variando de confusão ou desorientação a coma, resultante da desidratação extrema.
Ao contrário da cetoacidose diabética, pode haver convulsões focais ou generalizadas e hemiplegia transitória.
Taquipnéicos e podendo evidenciar sinais de choque
As alterações neurológicas são comuns inclusive com manifestações focais,
podendo simular patologias como o AVE – Acidente vascular encefálico.
Diagnóstico
Glicemia sanguínea
A suspeita inicial de estado hiperglicêmico hiperosmolar ocorre ao identificar um aumento muito grande da glicemia em uma amostra de glicemia capilar obtida na avaliação de uma alteração do estado mental.
Osmolaridade sérica
Devem ser realizadas medidas dos eletrólitos séricos, ureia e creatinina, glicose, cetonas e osmolaridade plasmática.
Tratamento
Correção de qualquer hipopotassemia
Insulina IV (se o potássio sérico for ≥ 3,3 mEq/L
Solução fisiológica a 0,9% IV
Desenvolve-se, em geral, após um período de hiperglicemia sintomática no qual a ingestão de líquidos é inadequada para evitar a desidratação extrema decorrente da diurese osmótica induzida pela hiperglicemia.
Hipoglicemia
Caracterizada por baixas concentrações de glicose plasmática, estimulação sintomática do sistema nervoso simpático e disfunção do sistema nervoso central.
Geralmente é uma complicação do tratamento farmacológico do diabetes mellitus.
Etiologia/ Fisiopatologia
As causas de hipoglicemia em adultos podem ser classificadas como:
Mediadas por insulina ou não mediadas por insulina
Mediadas por insulina
Insulina exógena
Uso de secretagogos de insulina (sulfonilureia)
Insulinoma
é um tumor neuroendócrino raro de células beta produtoras de insulina.
Nesidioblastose
é hipertrofia das células beta produtoras de insulina
Hipoglicemia pós-cirurgia bariátrica
Hipoglicemia autoimune com anticorpos anti-insulina
é uma doença que ocorre mais frequentemente em pacientes com outras doenças autoimunes, como lúpus.
Os autoanticorpos se ligam à insulina ou ao receptor e se dissociam de tal modo que a insulina circulante se torna disponível para se ligar ao receptor após a dissociação dos anticorpos que causam hipoglicemia.
As causas não mediadas por insulina são
:
Insuficiência adrenal
Uso de outros fármacos além de insulina ou sulfonilureia (p. ex., quinina, gatifloxicina, pentamidina, álcool)
Farmacológicas ou não
Reativas (pós-prandiais) ou de jejum
Em pacientes enfermos, o diagnóstico diferencial também inclui distúrbios mediados pela insulina e não mediados pela insulina.
Transtornos mediados pela insulina
Insulina exógena
Uso de secretagogos de insulina (sulfonilureia)
Os transtornos não mediados por insulina são
Desnutrição ou inanição
Cirrose
Sepse
Doença renal em estágio terminal
Insuficiência cardíaca avançada
Insuficiência adrenal
Hipoglicemia por tumor de células não ilhotas
Uso de outros fármacos além de insulina ou sulfonilureia
Quadro clínico
Uma elevação de atividade autonômica em resposta a baixas concentrações plasmáticas de glicose causa:
Ansiedade
Tremores
Calor
Palpitação
Náuseas
Fome
Sudorese
Parestesias
O suprimento inadequado de glicose para o cérebro causa:
Cefaleia
Visão dupla ou turva
Confusão
Dificuldade pra falar
Convulsões
Coma
sintomas autonômicos
concentração de glicose de 60 mg/dL (3,3 mmol/L) ou menos, ao passo que os sintomas no sistema nervoso central ocorrem em concentração de 50 mg/dL (2,8 mmol/L) ou menos
Diagnóstico
Resposta à administração de glicose (ou outro açúcar)
Jejum de 48 ou 72 h
Jejum de 72 horas realizado em um ambiente controlado é o padrão para diagnóstico.
Mas, em quase todos os pacientes com distúrbio hipoglicêmico, o jejum de 48 h é adequado para detectar a hipoglicemia e o jejum completo de 72 h pode não ser necessário.
Os pacientes consomem apenas bebidas não calóricas e descafeinadas e a glicose plasmática é dosada ao início do procedimento, sempre que houver algum sintoma e a cada 4 a 6 h ou a cada 1 a 2 h se a glicose cair abaixo de 60 mg/dL
Correlação das concentrações de glicose com achados clínicos
Requer a verificação de concentração baixa de glicose (< 50 mg/dL [< 2,8 mmol/L]) na ocasião em que ocorrem os sintomas de hipoglicemia e os sintomas respondem à administração de glicose
Se a glicose está normal, descartar hipoglicemia e considerar outras causas dos sintomas.
Se a glicose está anormalmente baixa e não é possível identificar uma causa a partir da anamnese, deve-se verificar os níveis séricos de insulina, anticorpos anti-insulina e sulfonilureia
Concentrações de insulina, peptídio C e proinsulina
devem ser medidos em períodos de hipoglicemia para distinguir entre hipoglicemia endógena e exógena (factícia).
Tratamento
Açúcares por via oral ou glicose IV
O tratamento imediato da hipoglicemia envolve fornecimento de glicose.
Lactentes e crianças menores podem receber solução de glicose a 10% de 2 a 5 mL/kg em bolus IV.
Adultos e crianças maiores que não conseguem comer ou beber podem receber glucagon a 0,5 (< 20 kg) ou 1 mg (≥ 20 kg), por via subcutânea ou intramuscular, ou glicose a 50% (50 a 100 mL em bolo IV), com ou sem infusão contínua de solução de glicose de 5 a 10%
Pacientes capazes de comer ou beber podem ingerir sucos, água com açúcar ou soluções de glicose; comer doces ou outros alimentos; ou mastigar comprimidos de glicose quando os sintomas ocorrerem.
Às vezes, glucagon por via parenteral
As causas subjacentes de hipoglicemia também devem ser tratadas
Fármacos que causam hipoglicemia, incluindo álcool, devem ser suspensas.
Diagnóstico diferencial entre CAD e EHH
CAD: geralmente em crianças e adultos jovens, instalação rápida, hálito cetônico, respiração de kussmaul, naúsea, vômitos, dor abdominal.
EHH: geralmente pacientes acima dos 40 anos , instalação progressiva, rebaixamento do nível de consciência e desidratação.
Ausência de cetoacidose
CAD: glicemia > 250 + pH ≤ 7,3 + bicarbonato < 15 + cetonúria ou cetonemia
EHH: glicemia > 600 + pH > 7,3 + osmolaridade > 320mOm/kg
GRUPO 1 - SUBGRUPO 3
Tutora NIEDJA- Problema 3
Ana Beatriz Rodrigues, Giovana Baldon, Maria Eduarda de Paula, Guilherme Sabatke, Luisa Milhomem, Laura Travaglini, Janaina Rocha.