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Saúde Pública XXII Leptospirose - Coggle Diagram
Saúde Pública XXII
Leptospirose
Leptospirose
Doença infecciosa febril de início abrupto, cujo espectro clínico pode variar desde um processo inaparente até formas graves.
Bactéria helicoidal (espiroqueta) aeróbica obrigatória
do gênero
Leptospira
, do qual se conhecem 14 espécies patogênicas, sendo a
mais importante a
L. interrogans.
A unidade taxonômica básica é o sorovar (sorotipo).
Mais de 200 sorovares
já foram identificados, cada um com o(s) seu(s) hospedeiro(s) preferencial(ais), ainda que uma espécie animal possa albergar um ou mais sorovares.
Qualquer sorovar pode determinar as diversas formas de apresentação clínica no homem.
No Brasil, os
sorovares
Icterohaemorrhagiae e Copenhageni
estão relacionados aos casos mais graves.
Reservatórios
Animais sinantrópicos domésticos e selvagens. Os principais são os roedores das espécies Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), Rattus rattus (rato de telhado ou rato preto) e Mus musculus (camundongo ou catita)
Esses animais
não desenvolvem a doença quando infectados e albergam a leptospira nos rins
, eliminando-a viva no meio ambiente e contaminando água, solo e alimentos.
O
R. norvegicus
é o principal portador do sorovar
Icterohaemorraghiae
, um dos mais patogênicos para o homem.
Outros reservatórios são caninos, suínos, bovinos, equinos,
ovinos e caprinos.
O homem é apenas
hospedeiro acidental e terminal
, dentro da cadeia de transmissão.
A infecção humana resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados.
A penetração do microrganismo ocorre através da pele com presença de lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através de mucosas.
Outras modalidades de transmissão possíveis, porém com rara frequência, são: contato com sangue, tecidos e órgãos de animais infectados; transmissão acidental em laboratórios; e ingestão de água ou alimentos contaminados.
A transmissão pessoa a pessoa é rara, mas pode ocorrer pelo contato com urina, sangue, secreções e tecidos de pessoas infectadas.
Período de incubação
Varia de 1 a 30 dias (média entre 5 e 14 dias).
Os animais infectados podem
eliminar a leptospira através da urina durante meses, anos ou por toda a vida
, segundo a espécie animal e o sorovar envolvido.
A imunidade adquirida pós-infecção é sorovar-específica, podendo um mesmo indivíduo apresentar a doença mais de uma vez se o agente etiológico de cada episódio pertencer a um sorovar diferente do(s) anterior(es).
As apresentações clínicas da leptospirose são divididas em duas fases:
fase precoce (fase leptospirêmica)
Caracteriza-se pela instalação abrupta de febre, comumente acompanhada de cefaleia, mialgia, anorexia, náuseas e vômitos
A fase precoce da leptospirose tende a ser autolimitada e regride entre 3 e 7 dias sem deixar sequelas.
Sufusão conjuntival é um achado característico da leptospirose e é observada em cerca de 30% dos pacientes. Aparece no final da
fase precoce
fase tardia (fase imune)
Em aproximadamente 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a evolução para manifestações clínicas graves, que se iniciam após a primeira semana da doença, mas podem aparecer mais cedo
A manifestação clássica da leptospirose grave é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar.
Geralmente, a icterícia aparece entre o 3º e o 7º dia da doença
A eliminação de leptospiras pela urina (leptospirúria) pode continuar por uma semana até vários meses após o desaparecimento dos sintomas.
Leptospirose
A leptospirose tem distribuição universal. No Brasil, é uma doença endêmica; torna-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes
Vigilância epidemiológica
Objetivos
Reduzir a letalidade da doença
Monitorar a ocorrência de casos e surtos.
Identificar os sorovares circulantes.
O resultado NEGATIVO (não reagente) de qualquer exame sorológico específico para leptospirose (ELISA-IgM, MAT), com amostra sanguínea coletada antes do 7º dia do início dos sintomas, não descarta o caso suspeito.
Medidas de prevenção e controle
As medidas de prevenção e controle devem ser direcionadas aos reservatórios, à melhoria das condições de proteção dos trabalhadores expostos e das condições higiênico-sanitárias da população
Relativas às fontes de infecção
Controle da população de roedores
Segregação e tratamento de animais de produção e companhia acometidos pela doença
Criação de animais seguindo os preceitos das boas práticas de manejo e posse responsável
Armazenamento apropriado dos alimentos pelos proprietários de imóveis residenciais, comerciais ou rurais, em locais inacessíveis aos roedores
Tratamento adequado dos resíduos sólidos, coletados, acondicionados e destinados aos pontos de armazenamento e tratamento definidos pelo órgão competente
Manutenção de terrenos, públicos ou privados, murados, limpos e livres de mato e entulhos, evitando condições propícias à instalação e proliferação de roedores.
Relativas às fontes de exposição
Conhecimento da distribuição espacial e temporal dos casos, mapeamento das áreas e do período de ocorrência dos casos, assim como dos locais com maior potencial para a transmissão de leptospirose, criando um banco de dados das áreas prioritárias, para controle e prevenção
Uso de informações dos sistemas de previsão climática, para desencadear alertas de risco de enchentes às populações que vivem em áreas sujeitas a esses eventos
Organização de um sistema de orientação aos empregadores e profissionais que atuam nosserviços de coleta e segregação de resíduos sólidos, tratamento de efluentes, limpeza e manutenção de galerias de águas pluviais e esgotos
Relativas às vias de transmissão
Cuidados com a água para consumo humano
Limpeza da lama residual das enchentes
Limpeza de reservatórios domésticos de água
(caixa d’água e cisternas)
Cuidados com os alimentos
Saneamento ambiental