Paciente Y.G.S., 13 anos, sexo feminino, foi encaminhada para o serviço de urgência de um hospital terciário da rede pública do Estado do Ceará, com história de ingestão elevada de comprimidos de amitriptilina 25mg, segundo informações de familiares. Porém cerca de 12 horas antes do atendimento, a paciente foi levada para a unidade de saúde do município de Aratuba/CE, apresentando taquicardia sinusal (frequência cardíaca 168 bpm), saturação de oxigênio (O2Sat) 96% em ar ambiente, pupilas foto não reagentes, pressão arterial (PA) 120 x 90 mmHg, frequência respiratória (FR) 22 de incursões respiratórias em um minuto (irpm). Apresentava ainda, ausência de RHA, bexigoma, pele seca e avermelhada e pupila dilatada com pouca reatividade a luz.
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Fisiopatologia:
A síndrome anticolinérgica periférica refere-se à síndrome observada com a ação nos receptores muscarínicos periféricos com taquicardia, pele seca, boca seca, íleo paralítico e retenção urinária.
Os agentes anticolinérgicos inibem por competição ao se ligarem aos receptores colinérgicos muscarínicos, que se encontram em músculos lisos, glândulas, no corpo ciliar e no sistema nervoso central (SNC). Os agentes anticolinérgicos não antagonizam a ação dos receptores nicotínicos que se encontram na junção neuromuscular. Os fármacos anticolinérgicos e as toxinas das plantas inibem ou antagonizam competitivamente a ligação do neurotransmissor acetilcolina aos receptores de acetilcolina muscarínicos.
As complicações mais importantes das intoxicações por antidepressivos cíclicos são resultado dos efeitos de bloqueio do canal de sódio no coração, produzindo taquiarritmias complexas.
As características clássicas da síndrome anticolinérgica incluem estas seis manifestações cardinais:
Vermelhidão: os pacientes apresentam importante vasodilatação cutânea para compensar a perda de produção de suor com shunt de sangue em direção à pele. Assim, apresentam-se pletóricos com hiperemia cutânea significativa e com aumento da temperatura local.
Pele e mucosas secas: perda da produção de suor pelas glândulas sudoríparas inervadas por receptores muscarínicos. Os pacientes apresentam pele seca, principalmente na região de axilas e mucosas secas (por exemplo, boca seca).
Aumento de temperatura: com a perda de dissipação do calor pelo suor, pode ocorrer hipertermia.
Alterações visuais: os anticolinérgicos interferem tanto na constrição pupilar como na acomodação visual, que se manifesta como visão turva. Por esse motivo, esses pacientes são referidos como “cegos como um morcego”.
Alterações do SNC: o bloqueio dos receptores muscarínicos no SNC pode causar manifestações como ansiedade, agitação, disartria, confusão mental, desorientação, alucinações visuais, delirium, psicose, coma e convulsões.
Retenção urinária: os músculos detrusores e o esfíncter da uretra têm controle muscarínicos e previnem o relaxamento normal do esfíncter da uretra, causando retenção urinária.
Tratamento
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Antídoto
Fisostigmina: 1-2 mg EV durante 2-5 minutos (a dose pode ser repetida).
Não deve ser usada para convulsões ou coma. Contraindicada se distúrbios de condução cardíaca.
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