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A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA NO BRASIL, FRANCISCO ANDERSON DE SOUSA SALES -…
A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA NO BRASIL
A SOCIOLOGIA CONSOLIDA-SE COMO CIÊNCIA NO BRASIL
Na década de 1930, há a criação de universidades e departamentos voltados à formação de profissionais no campo da Sociologia.
Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, em 1933.
ELSP
:
Abordagem metodológica mais eficaz;
Mais profissionais capacitados e de lideranças políticas; contribuição com a realidade social;
Internacionalização do saber;
Popularização do saber e do fazer científico;
Influência de intelectuais formados na
Escola de Chicago
(particularmente do sociólogo
Donald Pierson
e do antropólogo
Radcliffe-Brown
);
Seção de Sociologia e Ciência Política da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, em 1934.
USP:
Progresso da ciência;
Promover acesso a um conhecimento que seja útil;
Formação de profissionais capacitados e de lideranças políticas;
Contribuir com a formação da sociedade de modo geral;
Influência de intelectuais franceses;
Significaram a efetivação de espaços de reflexão, elaboração teórico-prática e formação de profissionais indispensáveis para a produção sociológica brasileira.
Universidade de Chicago
, considerada como o mais influente centro da Sociologia norte-americana da época.
Relações raciais (negros, brancos e imigrantes);
Estudos de comunidade;
Estudos urbanos;
Representantes da Escola de Chicago no Brasil:
Donald Pierson
(1900 - 1995)
Faz uma descrição minuciosa da situação racial na cidade de Salvador.
“Brancos e Pretos na Bahia”
(1942) e
“Teoria e Pesquisa em Sociologia”
(1945).
Contribuiu decisivamente para uma nova orientação científica dos estudos raciais no Brasil, sistemática e para além dos preconceitos das interpretações anteriores.
Empregou a etnografia e a observação participante.
Alfred Radcliffe-Brown
(1881-1955)
Antropólogo inglês que destacou-se pelo trabalho para aplicar a Antropologia à administração das populações nativas em várias colônias britânicas.
Fundou uma abordagem teórica que ficou conhecida como
Estrutural-Funcionalismo
Se opõem ao funcionalismo de Malinowski.
Cada sociedade estudada era considerada como uma totalidade, cujas partes eram interligadas e funcionavam de um modo mecânico para manter a estabilidade social.
Representantes da "missão francesa" no Brasil:
Roger Bastide
(1898 - 1974)
Se destacou pelo estudo da contribuição africana na formação da sociedade brasileira, tendo como foco central a questão das manifestações artísticas.
Seus escritos mostraram que acervos culturais distintos se reuniram no Brasil sem perder suas características originais.
Sua influência está presente na formação de sucessivas gerações de pensadores expressivos da Sociologia brasileira,
Juntamente com Florestan Fernandes coordenou projeto de pesquisa sobre as relações raciais entre brancos e negros em São Paulo.
Claude Lévi-Strauss
(1908 - 2009)
Exerceu forte influência na formação de vários intelectuais brasileiros da área de Antropologia, Sociologia, Psicologia, Filosofia, Literatura e Artes.
Dedicou especial atenção ao estudo do comportamento dos índios americanos - "Estruturalismo"
Sua abordagem teórica trouxe contribuições expressivas do pensamento de Durkheim, Weber, Mannheim, Gastn Richard, Radcliffe-Brown e as reflexões da Antropologia Cultural Americana.
Fernand Braudel
(1902 - 1985)
Foi o responsável pela introdução, entre os pensadores brasileiros, da compreensão de história da “Escola dos Annales”.
A visão histórica trazida pela “Escola dos Annales” ressalta a participação dos indivíduos, suas opções políticas e suas construções subjetivas.
A história das diferentes sociedades deve ser vista a partir do seu caráter global, ou o que chamam de “história social total”.
A tarefa narrativa deve ser orientada pela visão teórica da Totalidade, tanto no exame das fontes quanto na compreensão dos acontecimentos.
Principais temas enfocados pela Sociologia no Brasil em meados da década de 1950:
População, imigração e colonização;
Relações étnicas, contatos e assimilação (o negro; o índio e o branco colonizador);
Educação;
História social;
Direito e ciência política;
Estudos de comunidades;
Análises regionais e Sociologia rural e urbana;
As décadas de 40 e 50 significam o momento da afirmação do pensamento sociológico no Brasil.
Dos espaços acadêmicos fortalecidos neste período é que emergem pensadores que se transformam em ícones do desenvolvimento da Sociologia no Brasil.
FLORESTAN FERNANDES (1920-1995)
São inúmeras as atribuições dadas a Florestan Fernandes (1920-1995) para reconhecê-lo como o grande expoente da Sociologia brasileira.
Conforme expõe Ianni (1986), a Sociologia desenvolvida por Florestan Fernandes
estabelece um diálogo com cinco fontes
:
a) a Sociologia clássica e moderna;
b) o pensamento marxista...;
c) a corrente mais crítica do pensamento brasileiro...;
d) os desafios da época...;
e) a presença dos grupos e classes sociais que compreendem a maioria do povo brasileiro e que que descortinam um panorama social e histórico para além daquele evidenciado no pensamento dos grupos e classes dominantes...;
Adota uma
postura de questionamento constante da realidade e do pensamento
.
Procura ir além do que está dado, explicado, estabelecido, submetendo o real e o pensado à
reflexão crítica
.
ANÍSIO TEIXEIRA (1900-1971)
Entendia que a
educação era ferramenta fundamental para a transformação do país em direção a uma Nação moderna e desenvolvida
.
A educação era vista como elemento essencial na construção da autonomia dos sujeitos e do próprio povo brasileiro e na efetivação da democracia no país.
Era necessário desestruturar esta dualidade e refazer a concepção de país, e isto passava pela
educação pública
.
Para Anísio Teixeira, a sociedade brasileira foi edificada, em sua estrutura organizativa e ideológica, a partir da
dualidade entre povo e elite, entre governantes e homens comuns.
Ao preocupar-se com a relação entre educação e sociedade, Anísio Teixeira acaba transformando-se em um dos grandes teóricos da Sociologia da educação brasileira.
O objetivo era
formar uma “mentalidade nacional”, com características racionais, a partir da formação de mestres preparados para levá-la até o povo
, modificando assim a face do país.
ALBERTO GUERREIRO RAMOS (1915-1982)
Representa um crítico ferrenho a todas as concepções meramente importadas de fazer Sociologia no Brasil.
A formação econômica, social e política do Brasil foi construída sob as hostes do colonialismo cultural e da subordinação mental da elite nativa em relação à cultura dos países dominantes
, especialmente europeus e norte-americano.
“Questão do negro no Brasil”.
importação de categorias estrangeiras para sua interpretação.
Haveria uma inadequação no uso dos conceitos de “raça”, “aculturação” e “mudança social” para tratar a questão do negro no Brasil.
O “problema” do negro no Brasil era uma manifestação da “patologia social do branco brasileiro”.
persistente
desvalorização social e estética do negro
.
FERNANDO DE AZEVEDO (1894-1974)
Procurou pôr os conhecimentos da Sociologia a serviço da
compreensão e do enfrentamento dos problemas da educação brasileira
.
A educação, sendo um fenômeno social, deve ser estudada pelas Ciências Sociais
, a partir de seus métodos e teorias, para identificar seus objetivos e finalidades.
Cultura e civilização são dois conceitos essenciais na interpretação do autor.
A educação laica seria instrumento fundamental na superação dos entraves apresentados pela sociedade brasileira em direção a uma sociedade moderna.
LUIZ DE AGUIAR COSTA PINTO (1920-2002)
Propõe que as
questões raciais
sejam estudadas a partir da análise das relações e dos conflitos compreendidos sob o prisma das estruturas sociais historicamente determinadas que os engendram.
Demonstra ser necessária a distinção entre fatores étnicos e sociológicos na dinâmica demográfica brasileira.
Deixa claro que as tentativas de ascensão social individual ou até mesmo feita pelo
“movimento negro”
não passam de uma manifestação de “falsa consciência” e estarão fadadas ao fracasso.
É preciso um processo de conscientização de classe e não apenas étnico para que se possa falar em mudança social no Brasil e até mesmo em caráter universal.
Costa Pinto filia-se ao grupo de intelectuais da época que advoga o
compromisso dos cientistas sociais e das Ciências Sociais com os projetos de mudança social
.
Para dar conta deste projeto de modernização da sociedade brasileira, seria necessário o
abandono dos estudos localizados
.
Villas Boas explica que Costa Pinto, desde o início de sua vida profissional, defendeu o que chamava de uma “Sociologia crítica”, em detrimento a uma “Sociologia academicista”.
Esta Sociologia crítica deveria estar
voltada para a crítica dos seus próprios conceitos, tendo uma missão a cumprir com respeito às mudanças sociais no país
.
FRANCISCO ANDERSON DE SOUSA SALES - 494117 (S2)
ODONTOLOGIA 2021.1 - UFC
TEXTO BASE
: ROTTA, E.
Sociologia brasileira
. Ijuí: Ed. Unijuí, 2010. pp. 27-45.