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8 Ano - Cap 06 -
O ser humano nasce com um destino já traçado?
Indagar sobre a possibilidade de um destino que determine a vida é uma das questões que permeiam a mente das pessoas.
Muitos filósofos na história refletiram sobre esse questionamento.
"O indivíduo nasce com um destino previamente traçado, que determina os rumos de sua vida?"
Essa reflexão surge relacionada às dificuldades de lidar com a angústia, a insegurança e a incerteza existencial, por meio de perguntas como:
"Quem sou eu?"
"O que eu quero?"
"Como devo agir?"
Em algum momento é possível que haja uma sensação de desconforto.
Descontentamento que gera tristeza.
Pressões por assumir responsabilidades.
Agir da forma que outros determinam.
Exigência de superação das perdas pessoais.
Sonhos não realizados.
Desconhecimento.
São experiências que fazem as pessoas questionarem a vida e a capacidade de enfrentar exigências da realidade.
É possível inferir que a vida segue uma ordem natural, uma espécie de roteiro em que tudo é predeterminado?
PROBLEMÁTICA
A questão filosófica sobre o destino pode ser assim expressa:
"Tenho um destino já determinado com uma ordem preexistente, sem que eu nada possa fazer para mudar essa realidade, ou tenho liberdade para construir, dia após dia, a minha própria vida?"
Quem acredita que alguma coisa, além da própria compreensão racional, determina a vida, revela um
pensamento mítico
.
Isso significa que, muitas vezes, um indivíduo utiliza-se de justificativas sem considerar a lógica da situação.
Tem-se como exemplo a mitologia grega e a maneira como os gregos da Antiguidade compreendiam e explicavam a vida.
Para os gregos, o destino dos seres humanos e dos deuses era tecido por divindades.
As
Moiras
eram três irmãs que determinavam o destino das pessoas.
Cloto ("fiar") tecia o fio da vida;
Láquesis ("sortear") puxava e enrolava o fio;
Átropos ("afastar") cortava o fio, determinando o fim da vida.
Nessa dinâmica, elas iam tecendo e entrelaçando os acontecimentos da vida de deuses e humanos.
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Os gregos acreditavam na explicação mítica do mundo.
O destino era a ordem, a regra que posicionava cada ser no seu devido lugar e com seu papel a ser desempenhado ao longo do tempo.
A tragédia grega trata desse nó entre a vida humana e o destino que tudo controla.
Assim, acreditava-se na existência de um sentido oculto nos eventos da história, como se a vida não fosse consequência exata de seus atos.
Exemplo:
O mito de Édipo
INVESTIGAÇÃO
Arthur Schopenhauer (1788-1860)
Defende o determinismo das ações humanas.
Para ele, não existe liberdade no mundo concreto.
O mundo sensível só permite aos homens ver as aparências.
Mostrando seres limitados, finitos e separados uns dos outros.
Sua teoria afirma que tudo o que se faz (efeito) é determinada por causas anteriores (motivos).
Desse modo, a liberdade só existiria no mundo transcendental (visão do eu interior)
Quando o indivíduo nega sua vontade pessoal (querer)
Desse modo, rompe a relação entre os motivos (causa) e a vontade individual (efeito).
O mundo transcendental pode ajudar os indivíduos a reconhecerem que são ligados uns aos outros por uma única vontade, um laço de solidariedade que os faz livres.
Sartre (1905-1980)
Defende que os indivíduos são totalmente livres.
O ser humano estaria condenado a ser livre, tendo que fazer suas próprias escolhas.
Ao fazer escolhas, deve assumir total responsabilidade sobre suas ações.
Por isso, o sentimento de angústia vem diante do peso de sua responsabilidade e das consequências que daí surgem.
Para o ser humano, não há certezas e verdades prontas, sendo ele livre e capaz de se inventar e recriar sua própria vida.
Para Sartre:
Temos diferentes cursos de ação, apesar das causas recaírem sobre quem atua.
Agir livremente é um ato que advém da vontade.
Para ele, a liberdade é absoluta e não existe condicionamentos.
Sartre considera que o ser humano é livre em todos os momentos, até mesmo se o indivíduo escolher não ser livre.