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Saúde Pública XIV parte 1 Dengue - Coggle Diagram
Saúde Pública XIV parte 1
Dengue
Dengue
É a arbovirose (causada pelo arbovírus) de maior incidência no mundo, sendo endêmica em todos os continentes, exceto a Europa
É transmitida por mosquitos do gênero
Aedes
e possui como agente etiológico o vírus dengue
(DENV)
, com
quatro sorotipos distintos ( DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4
–, cada qual apresentando distintos genótipos e linhagens)
Essa arbovirose possui uma sazonalidade marcada, coincidente com
épocas quentes e chuvosas no Brasil.
São arbovírus (Arthropod-bornevirus), ou seja, são vírus transmitidos por
artrópodes.
São assim denominados não somente por sua veiculação através de artrópodes, mas, principalmente, pelo fato de parte de seu ciclo replicativo ocorrer nos insetos.
São mosquitos da família
Culicidae
, pertencentes ao gênero
Aedes
, do subgênero
Stegomyia
A espécie Aedes aegypti é a única comprovadamente responsável pela transmissão dessas arboviroses no Brasil
e também pode ser transmissora do vírus da febre amarela em áreas urbanas.
Essa espécie está distribuída geralmente em regiões tropicais e subtropicais.
No Brasil, encontra-se disseminada em todas as UFs, amplamente dispersa em áreas urbanas.
O
Aedes albopictus
é o vetor da dengue na Ásia. Embora esteja presente nas Américas,
até o momento, não foi associado à transmissão de dengue
Apesar disso,
a espécie não pode ser desconsiderada pelos programas de controle
, por ter demonstrado competência vetorial em laboratório e estar presente em todas as regiões do Brasil
Os adultos de
Aedes aegypti
vivem em média 30 a 35 dias;
Só a
fêmea
é hematófaga e pica preferencialmente
durante o dia;
Pode produzir entre 300 e 400 ovos durante toda a sua vida;
Os ovos são depositados pela fêmea, individualmente, nas paredes internas dos depósitos que servem de criadouros, próximos à superfície da água;
Os ovos são capazes de resistir a longos períodos de dessecação e podem permanecer viáveis por mais de um ano e quando colocados em contato com a água podem eclodir;
Com uma mortalidade diária de 10%, a metade dos mosquitos morre durante a primeira semana de vida e 95% durante o primeiro mês
São vírus de RNA do gênero
Flavivirus
, pertencente à família
Flaviviridae
, que inclui
o vírus da febre amarela
Os mosquitos se desenvolvem através de metamorfose completa, e o ciclo de vida do Aedes aegypti compreende quatro fases: ovo, larva (quatro estágios larvários), pupa e adulto
Os ovos do Aedes aegypti medem, aproximadamente, 1mm de comprimento e contorno alongado e fusiforme
No momento da postura os ovos são brancos, mas, rapidamente, adquirem a cor negra brilhante
A fecundação se dá durante a postura e o desenvolvimento do embrião se
completa em 48 horas
, em condições favoráveis de umidade e temperatura.
Uma vez completado o desenvolvimento embrionário, os ovos são capazes de resistir a longos períodos de dessecação, que podem prolongar-se
por mais de um ano.
Esta condição permite que os ovos sejam transportados a
grandes distâncias, em recipientes secos, tornando-se assim o principal meio de dispersão do inseto
(dispersão passiva)
.
As larvas possuem quatro estágios evolutivos. A duração da fase larvária depende da temperatura, disponibilidade de alimento e densidade das larvas no criadouro
Em condições ótimas, o período entre a eclosão e a pupação pode não exceder a cinco dias.
É sensível a movimentos bruscos na água e, sob feixe de
luz, desloca-se com rapidez, buscando refúgio no fundo do recipiente
(fotofobia)
.
Tendo em vista a maior vulnerabilidade nesta fase, as ações do PEAa (programa de erradicação do aedes aegypti) devem, preferencialmente, atuar na fase larvária.
As pupas não se alimentam. É nesta fase que ocorre a metamorfose do estágio larval para o adulto.
O estado pupal dura, geralmente, de dois a três dias.
A cabeça e o tórax são unidos, constituindo a porção chamada cefalotórax, o que dá à pupa, vista de lado,
a aparência de uma vírgula
O Aedes aegypti adulto é escuro, com faixas brancas nas bases dos segmentos tarsais e um desenho em forma de lira no mesonoto.
Nos espécimes mais velhos, o desenho da lira pode desaparecer
O macho se distingue essencialmente da fêmea por possuir
antenas plumosas e palpos mais longos
Dentro de 24 horas após, emergirem, podem acasalar, o que vale para ambos os sexos.
Uma única inseminação é suficiente para fecundar todos os ovos que a fêmea venha a produzir durante sua vida.
A oviposição se dá mais freqüentemente no fim da tarde. A fêmea grávida é atraída por
recipientes escuros ou sombreados, com superfície áspera
, nas quais deposita os ovos
Prefere água limpa e cristalina ao invés de água suja ou poluída por matéria orgânica.
Poucas vezes a dispersão pelo
vôo excede os 100 metros.
Entretanto, já foi demonstrado que uma fêmea grávida
pode voar até 3Km
em busca de local adequado para a oviposição, quando não há recipientes apropriados nas proximidades
A dispersão do Aedes aegypti a grandes distâncias se dá, geralmente, como resultado do transporte dos ovos e larvas em recipientes.
A domesticidade do Aedes aegypti é ressaltada pelo fato de que ambos os sexos são encontrados em proporções semelhantes dentro das casas
(endofilia).
As superfícies preferidas para o repouso são as paredes, mobília, peças de roupas penduradas e mosquiteiros
No Brasil, o primeiro registro de casos de dengue ocorreu em 1920.
Durante os 63 anos seguintes, não foram relatados casos no país e
o Aedes aegypti foi erradicado do Brasil
e de mais 17 países das Américas em
1950 e 1960
.
A reinfestação do país pelo vetor ocasionou grandes epidemias em Boa Vista, Roraima, em 1981/1982 (
primeira epidemia de dengue, documentada clínica e laboratorialmente
), e no Estado do Rio de Janeiro, em 1986, causadas pelo sorotipo DEN -1 e DEN-4
Desde então, a dengue vem ocorrendo no país de
forma endêmica
, com epidemias geralmente associadas à
circulação ou alteração dos sorotipos atualmente conhecidos
ou com a
circulação destes em áreas anteriormente indenes (livres da doença)
.
A curva histórica da doença se mostrou ascendente – com
recorde de registro de casos em 2015 – até o ano de 2016
Os primeiros casos de dengue no município de
Belo Horizonte ocorreram em 1996.
Em 1998, ocorreu uma epidemia pelo
DEN-1
. Em setembro do mesmo ano, entretanto, foi verificado aumento de casos pelo
DEN-2
e confirmados casos de dengue hemorrágico.
De 1996 a 2008, a capital mineira registrou casos de dengue em todos os anos.
O crescimento da dengue foi favorecido pela produção desenfreada de descartáveis que são dispostos inadequadamente no meio ambiente e manutenção de locais com acúmulo de água nos imóveis.
A rapidez dos transportes aéreos e o transporte de materiais como pneus estabeleceram oportunidades para os vírus e o vetor da dengue se movimentarem entre os países.
A persistência da circulação é favorecida pela elevada densidade das populações humanas, taxa de nascimento e migração, que continuamente repõem o estoque de indivíduos susceptíveis, criando as oportunidades para perpetuação do ciclo de transmissão do vírus.
A partir de 1991, a GECOZ (gerencia de controle de zoonoses) tornou-se co-responsável pelo controle da dengue e da leishmaniose em Belo Horizonte (atribuição até 1990 da Fundação Nacional de Saúde - FUNASA/MS)
O Aedes aegypti, transmissor de dengue e febre amarela urbana é, provavelmente, originário da África Tropical, tendo sido introduzido nas Américas durante a colonização.
É uma doença febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se apresenta: infecção inaparente, dengue clássico (DC), febre hemorrágica da dengue (FHD) ou síndrome do choque da dengue (SDC)
As infecções clinicamente aparentes estão presente em aproximadamente 25% dos casos
Pode apresentar três fases clínicas: febril, crítica e de recuperação.
Fase febril: a primeira manifestação é a febre, geralmente acima de 38ºC, de início abrupto e com
duração de 2 a 7 dias
, associada a cefaleia, astenia, mialgia, artralgia e dor retro-orbitária
Após a fase febril, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral
Fase crítica: tem início com o declínio da febre (defervescência),
entre o 3° e o 7° dia
do início da doença Os sinais de alarme, quando presentes, ocorrem nessa fase
Os sinais de alarme são assim chamados por sinalizarem o extravasamento de plasma e/ou hemorragias que podem levar o paciente a choque grave e óbito.
sinais de alarme são caracterizados principalmente por:
• dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua;
• vômitos persistentes;
• acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
• hipotensão postural e/ou lipotímia;
• letargia e/ou irritabilidade;
• hepatomegalia maior do que 2cm abaixo do rebordo costal;
• sangramento de mucosa; e
• aumento progressivo do hematócrito.
Fase de recuperação: ocorre após as 24-48 horas da fase crítica, quando uma reabsorção gradual do fluido que havia extravasado para o compartimento extravascular se dá nas 48-72 horas seguintes.
Indivíduos acima de 65 anos estão mais sujeitos à hospitalização e ao desenvolvimento de formas graves da doença.
Gestantes necessitam de observação rigorosa, independentemente da gravidade da doença.
O agravamento nas crianças, em geral, é mais rápido que no adulto
A fonte de infecção e o reservatório vertebrado é o
ser humano.
O arbovirus pode ser transmitido ao homem por via vetorial, vertical e transfusional
Existem registros de transmissão
vertical em humanos (gestante–feto)
, apesar dessa via de transmissão ser rara
A principal forma é a vetorial, que ocorre pela picada de
fêmeas de Aedes aegypti infectadas
, no
ciclo humano–vetor–humano
; elas mostram marcada predileção pelo
homem
(antropofilia).
O macho alimenta-se de carboidratos extraídos dos vegetais. As fêmeas também se alimentam da seiva das plantas, além de sangue
Na natureza, esses vírus são mantidos entre mosquitos, principalmente por intermédio da
transmissão transovariana
O processo de transmissão compreende um
período de incubação intrínseco (PII) – que ocorre no ser humano
– e outro
extrínseco, que acontece no vetor
No homem, o período entre a picada infectante e o aparecimento de sintomas pode variar de
4 a 10 dias sendo, em média, de 5 a 6 dias (período de incubação intrínseca).
O vetor Aedes aegypti pode se infectar ao picar uma pessoa infectada no
período virêmico
Após a ingestão de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus depois de
8 a 12 dias (período de incubação extrínseca)
e assim permanece durante toda sua vida
(6 a 8 semanas)
Esse período corresponde ao tempo decorrido desde a ingestão de sangue virêmico, pelo mosquito suscetível, até o surgimento do vírus na saliva do inseto.
Esses períodos se diferenciam, de acordo com o
vírus envolvido na transmissão
e, no caso do período de incubação extrínseco (PIE), também em
função da temperatura ambiente.
A transmissão do ser humano para o mosquito ocorre enquanto houver presença de infecção no homem
(período de viremia).
Este período começa
1 dia antes do aparecimento dos sintomas e vai até o 5º dia da doença.
A imunidade para um mesmo sorotipo (homóloga)
é permanente
, entretanto a imunidade cruzada (heteróloga) existe
temporariamente
.
Heterológa: induzida por um sorotipo, é apenas parcialmente protetora contra outros sorotipos e desaparece rapidamente
Os
anticorpos IgM
em pessoas neoinfectadas, se elevam rapidamente, sendo detectáveis a partir do
6° dia.
Em indivíduos que tiveram
infecção prévia
por outro sorotipo de dengue (infecção secundária), os títulos de
anticorpos IgG
elevam-se rapidamente, com aumento mais tardio e menos marcado de anticorpos
IgM
Ocorre quase sempre durante o dia, nas primeiras horas da manhã e ao anoitecer
Divisão das áreas de zoneamento (distrito sanitário) para controle das zoonoses em BH
Cada área de zoneamento é vinculada a um ACE I ou um Agente Sanitário
Para um grupo de oito a dez agentes haverá um ACE II ou um Encarregado que é responsável pela equipe
Esse por sua vez é coordenado por um Técnico Superior de Saúde (veterinário ou biólogo) ou um Coordenador de área , este assumirá mais áreas de abrangência.
As Unidades Secundárias -
Centro de Controle de Zoonoses e Laboratório de Zoonoses
, são ligados administrativamente ao
Distrito Sanitário
e tecnicamente à
Gerência de Controle de Zoonoses - SMSA
.
Compete à vigilância epidemiológica
Notificar e investigar oportunamente os casos suspeitos de dengue, chikungunya e Zika, para acompanhar, de forma contínua, a evolução temporal desses agravos, e detectar efetivamente mudanças no padrão de ocorrência, surtos e epidemias;
Realizar análises epidemiológicas descritivas dos casos, em função de variáveis relacionadas a pessoa, tempo e espaço;
Integrar as informações de vigilância de casos, vigilância entomológica e vigilância laboratorial;
Promover a integração entre as áreas de controle vetorial, assistência e demais entes que atuam na prevenção e controle das arboviroses, visando à adoção de medidas pertinentes capazes de controlar e/ou impedir a transmissão.
Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem
, uma vez que não há nenhuma vacina ou droga antiviral.
A notificação dos casos suspeitos, a investigação do local provável de infecção e a busca ativa de casos são elementos fundamentais.
Em outubro de 2006 a pesquisa larvária passa a ser executada com nova metodologia: levantamento rápido de índices de in-festação por Aedes aegypti (LIRAa).