RESUMO artigo : a questão do sentimento é a do movimento no homem. visível ou invisível, diz respeito à afecção, à emoção e à percepção que constituem seu arco de individuação. a questão do sentimento é inevitavelmente ligado à da arte, pois intrínseco ao da plasticidade/escritura do movimento (já dizia o poeta Pessoa, que finge o que deveras sente). seu problema político é duplo: o da fixação, rigidez da inteligência emocional que impede toda reconfiguração/abordagem dos temas comuns. e o que decorre imediatamente deste, o ressentimento. não há dúvida que o humor é ação de reconfiguração do sentimento e da inteligência emocional. pelo excesso, exagero (não necessariamente pela caricatura, mas também), pelo conflito (e não necessariamente oposição, mas também), pela exteriorização, assim entendida não como agência de qualquer fora absoluto, mas simples operação arstística de jogo, ir e vir do sujeito que é jogado na disposição para a brincadeira, em outras palavras, externalização do interior, movimento da intimidade não destacada do mundo, a possibilidade da fugacidade na demora interna, arte do movimento. nesse sentido, o humor move o jogo, o fingere das emoções, comove também o espectador. pelo arranjo dos signos redistribui o sensível (pensemos na potência de Chaplin ao calcular matematicamente a dramaturgia pantomímica, "ínfimo excesso" desdobrando sem cessar o mecânico e o vivo, descobrindo a vivacidade e o riso calcados no mecânico) e sem dúvida pode ser um agente de transformação do ressentimento e de redistribuição da inteligência emocional. mas o ressentimento, há que se pensar para além do reforço de um "mesmo sentir" que bloqueia e retorna como reatividade em contrapartida à criação. o ressentimento dá as mãos ao revisionismo que não é senão a outra face da moeda reacionária, ou seja, toma a história como explicação destinal da necessidade desigualitária. o paternalismo é sua faceta afetiva, efetividade da alma assujeitada a um corpo policial. a duração do espontâneo é sim o saber de um sonho do que pode ser diferente daquilo que é agora. e isto é a dupla atopia que alimenta todo sonhador: tanto não se sonha sozinho assim como todo sonho é feito de práticas do comum. sempre se pode fazer algo distinto do que aquilo que se faz agora. é questão de verificar o seu processo sem imediatizar seu resultado, principio de heteronomia poética liberado de um agora já destinado.
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haveria humor-riso na angustia? tonalidade afetiva fundamental. sentimento do mundo em Drummond. angustia diante do fato da existência. sendo a existência plural, angústia pelo entendimento. perplexidade filosófica. circulo hermenêutico. filosofia como onto-teologia. homem como aquele que inventou o tempo, que se relaciona com a morte, que tem consciência da finitude. que herda um mundo de compreensão, na sua lida tácita com ele. e o seu entendimento do fato de que é no mundo, de herança tácita, e a entrada no círculo hermenêutico, não é esta entrada um círculo, também, sentimental? peter campus e o "centro da imagem".
dor e prazer, tristeza e alegria são as emoções basilares para pensar a política e a justiça em aristóteles. admiração em descartes. simpatia em adam smith?
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riso é um afeto. do frêmito físico, em platão, à complexidade sentimental? riso para kant: a tensão das ideias até o "nada" gerar. modelo é a anedota?
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a compaixão deve ser vista como emoção que incide entre a solidão e a solidariedade. quem não se afeta com o próximo, com a dor e o sofrimento alheio perdeu a capacidade de abstração que nos é inerente. a solidão regula o ânimo de rebanho, a solidariedade impulsiona a comunidade na direção da satisfação de suas necessidades. neste sentido, o intervalo pelo qual a solidão e a solidariedade se alimentam é o da compaixão. mas como tal, longe da patologia e a paixão pode acometer, a compaixão é uma questão de compatibilização. e para Simondon (MEOT), compatibilização significa
a emoção na "palhaçaria"; a neutralidade é um estado, sensível, e não uma posição. âmbito da ficção. o jogo dos palhaços necessita a neutralidade para que haja evento. operação da sedução. o que faz palavra.
logos. razão /lógico-centrismo. linguagem/literatura e arte, poética. pensamento / espanto e desentendimento. relação / relacionalidade x relativismo + figuras de linguagem (analogia como racionalidade. metaforicidade como poeticidade. argumentativoEpoética = . imagem.
- contiguidade (x interseccionalidade) da vida em comum é, também, emotiva. x ódio e medo. 2. mudar a vida (a noite dos proletários, p. 1), lutar contra hierarquia e paternalismo.
afeto como pré-compreensão. o afeto faz parte da compreensão. mas a compreensão não é apenas hermenêutica. o afeto já compreende, o que necessita fazer pensar uma dinâmica de afetos co-originária à toda compreensão.
riso é distintivo, para aristóteles, entre o homem e o animal. mas e o humor?
bergson pensou o "riso". o mecânico calcado no vivo x na tragédia o herói não come, nem se senta.
em rancière: chaplin e a "matemática" do riso. a geometria proporcional dos desencontros? ver aisthesis. mantém-se, de certa forma, na esteira da "contrariedade" bergsoniana?
riso e ridículo como o que destrói a açõ revolucionária. (filosofo e seus pobres, p. 166)