a ação tratada do ângulo da ontologia do território traz à reflexão a tecnicidade da existência. É esta ação que articula, pela experiência social acumulada no território, sistemas de objetos com diferentes idades, reduzindo a abstração característica do pensamento dominante, que envolve, atualmente, a metamorfose informacional da moeda, do crédito, da produção, dos serviços, do comércio e, até mesmo, do consumo.
A articulação desejada entre território e sujeito corporificado exige o acréscimo, à crítica da concepção dominante de mercado, de algumas das características mais marcantes do novo economicismo, disseminado através dos elos entre ciência, técnica e lucro
salientamos a adesão a-crítica aos mecanismos sócio-territoriais que permitem rápida hibridação entre tecnoesfera e psicoesfera; a decomposição fragmentadora do indivíduo, pela infinita multiplicação de necessidades; a colagem de desejos e sonhos a bens e serviços; o predomínio da estética sobre a ética; a mercantilização das mediações entre produção e consumo, envolvendo o controle dos fluxos; o excesso de imagens, que reduz as margens de liberdade do imaginário e da imaginação; as formas de produção da segurança, pelo sistema bancário, que colam o lucro financeiro a cada produto ou serviço
ao associarmos os conceitos de hegemonia e mercado, temos a intenção de retirar as consequências de afirmações antes feitas com relação às características do novo economicismo. Nesta direção, afirmamos que, se ocorre crescente penetração das regras empresariais na ação do Estado, como demonstram os modelos que mais visam a eficácia da gestão do que a justiça social, também acontece, na imbricação entre economia e aparelhos de governo, a penetração de sentidos da política no âmago do fazer econômico.
É por este caminho que podemos interpretar o envolvimento, cada vez mais intenso, de empresários no desenho e na implementação de políticas sociais (ver, por exemplo, a composição do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e a consolidação do ente mercado como uma espécie de ator político, mesmo que, nesta consolidação, exista mais ideologia do que realidade
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cabe afirmar que a fração financeira constitui, ao mesmo tempo, a fração mais antiga e a mais atualizada do capital. Acumula experiências que vão da dependência dos soberanos frente aos financiadores da arte da guerra até o domínio das navegações e de todas as outras formas de conquista de terras e povos
a fração financeira, por constituir o elo ativo entre mundialização e globalização, detém o poder de transformar a riqueza territorializada em fluxo, o que possibilita a simbiose entre a sua natureza abstrata e os elementos imateriais de diferentes culturas
é necessário dizer que o ente mercado manifesta-se através de personas, isto é, de defensores dos seus interesses inseridos em diferentes entidades da sociedade civil (como exemplificam alguns órgãos da imprensa e associações de classe) e no Estado
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