Possui etiopatogenia multifatorial e pouco elucidada, no entanto, há hipóteses postuladas: 1) Teoria da denervação autonômica, a síndrome é devida a uma diminuição do tônus parassimpático. A maioria dos autores considera a dilatação colônica aguda uma consequência da diminuição da atividade parassimpática decorrente do plexo sacral (S2, S3, S4), resultando em atonia colônica distal a qual provoca uma obstrução funcional sem envolver o plexo mioentérico.
2) Possível papel da hipertonicidade simpática por um reflexo inibitório colo-cólico também foi proposto por alguns autores.
3) Teoria vascular, com base na diminuição da perfusão esplâncnica (hipovolemia, doença vascular mesentérica).
4) Teoria hormonal, implicando a prostaglandina E, que estimula a camada muscular circular da parede do cólon.
5) Teoria farmacológica, em que os medicamentos neurotrópicos têm sido frequentemente responsabilizados por causa de seus efeitos anticolinérgicos. Além disso, os opiáceos e outros medicamentos "colotóxicos" de ação prolongada (sedativos, antidepressivos tricíclicos, clonidina, fenotiazinas, inibidores do canal de cálcio, medicamentos antiparkinsonianos) podem desempenhar um papel importante.
Os achados clínicos mais comuns são distensão e dor abdominais, náuseas, vômitos, e baixo grau de febre, sendo a primeira presente em quase a totalidade dos casos.
A distensão abdominal costuma ser o primeiro sinal, aparecendo com 3 a 7 dias, podendo haver também esteatorreia e interrupção na eliminação das fezes.
O abdome, no exame físico é doloroso, pode estar timpânico, apresentando também contratura muscular involuntária, com sensibilidade leve a moderada e ausculta de sons intestinais presentes em cerca de 90% dos pacientes. Tais achados costumam se manifestar em cerca de 48 horas e em até 12 dias nos casos de pós-operatório e pode causar confusão com a obstrução mecânica do íleo paralítico.
A radiografia simples é indispensável para o diagnóstico, sendo seu principal achado os graus de dilatação colônica.
Como alternativa nos casos em que a radiografia simples não permite visualização de ar em todos os segmentos colónicos, o exame contrastado e a colonoscopia podem ser utilizados.
A tomografia computadorizada é o teste diagnóstico padrão, com sensibilidade de 96% e especificidade de 93% e pode evidenciar líquido livre na cavidade, ar, e as dilatações, dispensando assim o uso do contraste e poupando o paciente do risco de ruptura colônica.