Heckscher-Ohlin-Samuelson (Teorema de Equalização de Preços de Fatores.: Ora, se um país vai se especializar na produção e exportação de um produto, e se esse produto será fabricado de modo que o fator abundante no país será empregado de forma intensiva, então é automático inferir que haverá um aumento na demanda por esse fator, portanto a remuneração desse fator tenderá a aumentar. Assim, no país onde há abundância de mão de obra, o salário tende a ser baixo, pelo simples fato de que existe oferta elevada de trabalhadores. A partir do momento em que passa a existir comércio, como esse país vai produzir itens em cujo processo produtivo demanda-se intensivamente mão de obra, é natural que aconteça uma elevação do nível de salário. Tem-se, pois, uma situação na qual em um país em que o salário era baixo e o custo do capital elevado, dada sua escassez relativa, o comércio tenderá a elevar o salário. Como estamos pensando em um mundo com dois países, e no outro país a situação antes do comércio era precisamente a oposta, haverá uma tendência a que, no limite, haja uma convergência nos custos dos dois fatores nos dois países. Parece facilmente previsível imaginar que no mundo real nem tudo ocorre dessa maneira. A evidência empírica disponível indica que há alguma tendência à equalização de preços de fatores apenas quando os países que comerciam entre si têm características de estoques de fatores muito próximas. Assim, há uma razoável proximidade entre o nível salarial, digamos, na França e na Itália, mas não assim entre Alemanha e Honduras. Uma diferença pronunciada no estoque de fatores, a existência de rigidezes estruturais, como um salário mínimo legal e outros elementos, são parte da explicação para não se verificar na prática o que a teoria prediz.