Nódulos mamários
Lesões benignas
Cistos mamários
Decorrentes do processo de involução cística (dilatação e consequente acúmulo de secreção de uma unidade ducto-lobular)
CLÍNICA
- Lesões arredondadas, circunscritas, móveis, e de consistência amolecida ou endurecida ao exame físico
- Nódulo doloroso de crescimento rápido
ULTRASSONOGRAFIA
Lesões circunscritas e anecoicas, com reforço acústico posterior
Em caso de dúvida diagnóstica, proceder com PAAF (punção aspirativa por agulha fina)
CLASSIFICAÇÃO
Quanto ao diâmetro
Microcistos: até 1 cm
Macrocistos: 1 cm ou mais
Quanto ao aspecto ultrassonográfico
Simples
Complicados
Complexos
Bem circunscritos, com sombra acústica posterior, sem debris internos ou componentes sólidos nem vascularização ao Doppler
Bem circunscritos com paredes finas, presença de debris internos homogêneos, sem componentes sólidos ou septos espessos, e ausência de vascularização ao Doppler
Presença de material sólido internamente, ecogenicidade heterogênea, paredes e septos espessos
CONDUTA
Cistos simples
- Em geral expectante;
- PAAF reservada para esvaziamento do cisto em pacientes sintomáticas (dor ou incômodo);
- Aspiração de conteúdo líquido amarelo-citrino ou esverdeado não merece atenção;
- Aspiração de líquido sanguinolento ou ausência de líquido requer investigação
Mais frequentes em mulheres na pré-menopausa, por volta dos 40 anos
Fibroadenoma
Tumor sólido benigno mais frequente das mamas, sendo mais frequente entre 20-30 anos
Sua origem e crescimento tem relação com os hormônios femininos, sobretudo o estrogênio (lesões hormônio-dependentes de componente epitelial e conjuntivo e que expressam receptores de estrogênio e progesterona)
CLÍNICA
Lesões geralmente unilaterais, móveis à palpação, bem delimitadas, ovais ou lobuladas, de consistência fibroelástica, de até 3 cm
ULTRASSONOGRAFIA
Nódulo regular ou macrolobulado, hipoecoico, horizontal (maior eixo paralelo à pele), sem sombra acústica posterior
EXAME HISTOLÓGICO
É mandatório para o diagnóstico definitivo
Biópsia por agulha grossa ou excisional
BI-RADS 3
BI-RADS 2
CONDUTA
BI-RADS 2
Expectante + US anual
BI-RADS 3
Expectante + US semestral (2 anos); depois, US anual
Exérese cirúrgica restrita a casos com prejuízo estético ou emocional, ou crescimento ou mudança nas características radiológicas
Papiloma
Lesão proliferativa dos ductos maiores, subareolares, em geral única, que acomete mulheres na pré-menopausa
CLÍNICA
Fluxo papilar hemorrágico, espontâneo e intermitente
Espessamento retroareolar palpável
DIAGNÓSTICO
Preconiza-se BIÓPSIA POR AGULHA FINA, por risco significativo de carcinoma in situ concomitante
CONDUTA
Exérese cirúrgica
OBS: Marcador de risco para câncer de mama
Tumor filoide
Tumor resultado da proliferação do parênquima e estroma mamários com altíssima celularidade
CLÍNICA
Nódulo sólido, de consistência fibroelástica, móveis à palpação e crescimento rápido, com potencial deformidade mamária
CONDUTA
DIAGNÓSTICO
Estudo histológico
Benigno >> ressecção com margem
Maligno ou borderline >> tratamento oncológico
Câncer de mama
EPIDEMIOLOGIA
Carcinoma (98%), originado das células epiteliais dos ductos e lóbulos mamários
- Segundo câncer mais frequente entre mulheres no Brasil;
- Principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil
FATORES DE RISCO
Sexo feminino (principal)
Idade (> 40 anos)
Menarca precoce e menopausa tardia (exposição estrogênica prolongada)
História reprodutiva (nuligestas)
Terapia de reposição hormonal
Contraceptivos hormonais orais
Radiação ionizante torácica antes de 30 anos
Câncer de mama prévio
Lesões mamárias com atipia (hiperplasia)
Antecedente familiar de câncer de mama (familiar de 1º grau antes de 50 anos)
História comprovada de hereditariedade (genes BRCA1 e BRCA2 mutados)
Obesidade e álcool
Densidade mamária aumentada
Síndrome de Predisposição Hereditária ao Câncer de Mama e Ovário (SPHCMO)
Estrogênio estimula a proliferação de células previamente alteradas
RASTREAMENTO
Mamografia
Baixo risco e assintomáticas
Dos 50 aos 69 anos, a cada 2 anos
Alto risco
A partir dos 35 anos, anualmente
- História familiar de primeiro grau (mãe, irmã, filha) com câncer de mama antes de 50 anos OU câncer de ovário em qualquer idade OU câncer de mama bilateral em qualquer idade OU câncer de mama masculino;
- História pessoal de biópsia mamária com lesões proliferativas, com atipias ou carcinoma lobular in situ
DIAGNÓSTICO
Exame clínico
- Nódulo endurecido (consistência pétrea), geralmente indolor;
- Retração mamária e do complexo areolopapilar;
- Linfonodomegalia em regiões supra e infraclaviculares e axilares;
- Derrame papilar em "água de rocha", cristalina e uniductal
Exames complementares
ACHADO SUSPEITO: Nódulo espiculado, com ou sem microcalcificações agrupadas
Mamografia, US, RM
CLASSIFICAÇÃO
- BI-RADS 0: exame inconclusivo, que necessita de avaliação adicional com outro exame radiológico, usualmente a ultrassonografia mamária;
- BI-RADS 1: exame normal, com recomendação de rastreamento a cada 2 anos;
- BI-RADS 2: achados radiológicos benignos, como cistos simples, próteses mamárias, calcificações tipicamente benignas; recomendação de rastreamento a cada 2 anos;
- BI-RADS 3: achados muito provavelmente benignos, cuja chance de malignidade é menor do que 2%; a recomendação é a repetição do exame em 6 meses, por 2 anos;
- BI-RADS 4: risco de malignidade variável de 2 a 95%, em média de 40%. São microcalcificações e nódulos irregulares; recomendação de estudo anatomopatológico;
- BI-RADS 5: achados altamente suspeitos, com risco maior do que 95% de malignidade: nódulos espiculados, microcalcificações pleomórficas ou em trajeto ductal; recomendação de estudo anatomopatológico;
- BI-RADS 6: achados que já têm diagnóstico de câncer
Exame histopatológico, a partir de biópsia com agulha grossa, é PADRÃO-OURO para o diagnóstico definitivo