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GEORGE - Coggle Diagram
GEORGE
3.Metamorfoses da figura feminina
As três idades da vida humana são também as três vidas da personagem feminina: vivida, em vivência, a viver.
Gi
Uma jovem irreverente
como todos os jovens de 18 anos, que mora numa vila pacata
Rebela-se contra o poder paternal
Ao sair de casa e da vila, Gi está a
abandonar não só os pais e os planos que estes tinham projetado para ela, bem como o noivo e o enxoval
Ela quer subverter estereótipos e ser uma mulher livre e independente
GEORGE
Vive em Amesterdão
, é uma aclamada
pintora
nos marchands das grandes cidades europeias que
preza a liberdade e que vive entre caras malas de rodinhas
Um dia regressa, ao fim de vinte anos, à vila onde morou para
vender a casa de família que recebeu de herança e à qual associa a velhice e a clausura
Quer
enterrar o seu passado e rejeita liminarmente a estabilidade
que essa casa parece proporcionar
Cultiva o alheamento social, recusa laços ou objetos que a prendam, que a oprimam
Acredita que as
economias guardadas no banco e que são a garantia de que não se está só
GEORGINA
Ronda os
70 anos de idade
e está
consciente da inexorabilidade da morte
Viaja no comboio com George
Não tem planos, nada espera e
tem apenas a certeza da solidão que a todos espera
A velha anuncia a
George que no futuro moram a solidão e a melancolia
As naturais metamorfoses físicas
acarretam, necessariamente,
metamorfoses psicológicas
, desde a
ingenuidade pueril de Gi, passando pela segurança altiva de George, até culminar na solidão de Georgina
No
auge da sua vida
, a personagem encontra-se com os
fantasmas da sua própria existência num diálogo polifónico
que é, simultaneamente, uma
despersonalização exterior de uma profunda tristeza interior
4. A Complexidade da Natureza Humana
A solidão é presença indelével nesse conto
A pintora deambula pela vila da sua infância/juventude e
essa errância é o eco perfeito de quem perdeu o rumo na vida enquanto erra nesse caminho para casa
De nada valeu a máscara social
de um nome sonante rodeado de malas breves e de uma vida sem laços afetivos nem materiais, porque
nada pode travar a passagem inexorável do tempo
A velhice, “o único crime sem perdão”
do qual George tanto tentou fugir, é a terceira e derradeira etapa da existência humana e
nem uma vida de isolamento e de desprendimento conseguem travar esta certeza inabalável
A vontade de George em saldar as contas com o seu passado
é também o reencontro com as memórias do passado, com a jovem subversiva e transgressora
O encontro com o fantasma do futuro, a velha Georgina
, é a
certeza de que a condição de exílio que a personagem para si escolheu ao negar casas próprias, mobílias ou bibelots
que carregam recordações levou a uma existência “desertificada”, tão
árida
quanto os quartos e as casas alugadas.