Em um artigo publicado pelo jornal Folha de São Paulo a primeiro de setembro do corrente ano, deparei-me com sua opinião expressa no Painel do Leitor. Respeitosamente, li-a e, percebendo equívocos em suas considerações frente a veracidade dos motivos que colocaram milhares de jovens na rua, de maneira organizada e cívica, tento elucidar-lhe os fatos.
Nosso país, o senhor bem sabe, viveu muitos anos sob o regime militar ditatorial. Toda e qualquer manifestação que discordasse dos parâmetros ideológicos do governo era simplesmente proibida. Hoje, ao contrário daquela época, as pessoas conquistaram a liberdade de expressão e o país vive o auge da democracia. Assim, perante essa liberdade, o país evoluiu. Certo é que atravessamos um período de crises econômicos, mas as pessoas passaram a se interessar de maneira mais acentuada pelo cotidiano, frente a própria liberdade que lhes foi dada. Dessa forma, deparamo-nos com uma população ideologicamente mais madura.
Em sua carta enviada à Folha de São Paulo, o senhor assegura que a juventude é absolutamente imatura e incapaz de perceber a profundidade dos acontecimentos que a envolvem. Asseguro que tal opinião não é a mais justa. Nós já fomos jovens e sabemos perfeitamente que é uma época de transição. Mudamos nossos conceitos, nossos desejos e nossa visão de mundo. Mesmo assim, determinados valores que assumimos como corretos persistem em nossas vidas de forma direta ou não. Não sei se o senhor tem filhos, mas eu invejo a concepção que os meus assumem perante inúmeros acontecimentos. São adolescente, que se interessam pelos fatos políticos e se preocupam com o destino da nação, pois estão cientes de que, num futuro próximo, serão as lideranças do país.