o modelo de entendimento e tratamento da doença mental tinha como fundamento básico o biologismo organicista alemão, trazido por Juliano Moreira em 1903, e a prática asilar, cujo tratamento moral compreendia entre seus princípios básicos, o isolamento, a organização do espaço terapêutico, a vigilância e a distribuição do tempo. Um fator histórico de extrema relevância é a fundação, em 1923, por Gustavo Heidel, da Liga Brasileira de Higiene Mental, com características marcadamente eugenistasd, xenofóbicas, anti-liberais e racistas, com grandes semelhanças com o pensamento nazista alemão. Era a Psiquiatria assumindo seu papel no controle social, da forma descrita por Foucault (1978), citada anteriormente, como a Terceira Ordem de Repressão, que opera entre a polícia e a justiça, por via da penetração no espaço cultural, a qual passa a intervir, com ‘métodos preventivos’, na regulação não só dos doentes mentais, mas também dos “normais”. A prática desta regulação pelo saber psiquiátrico se difunde na sociedade, e os fenômenos psíquicos e culturais começam a ser vistos como sendo explicados unicamente pela hipótese de uma causalidade biológica, o que, em tese, justificava a intervenção médica em todos os níveis da sociedade