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Ortopedia IV - Luxação coxofemoral/displasia coxofemoral (LUXAÇÕES…
Ortopedia IV - Luxação coxofemoral/displasia coxofemoral
LUXAÇÕES COXOFEMORAIS
Geralmente são o resultado de traumatismo externo
59 a 83% devidos a traumatismos produzidos por veículos
A maior parte das luxações são lesões unilaterais
As lesões de tecidos moles variam consideravelmente
Em todas as luxações uma porção da cápsula articular e do ligamento redondo são lacerados
Lesões à cartilagem articular da cabeça femoral ou do acetábulo podem estar presentes
Em casos mais graves, um ou mais dos músculos glúteos podem estar parcial ou completamente lacerados
Raramente, porções da borda dorsal do acetábulo são fraturadas ou uma porção da cabeça femoral pode estar fraturada
Objetivos do tratamento
Reduzir o deslocamento com o menor prejuízo possível para as superfícies articulares
Estabilizar a articulação o suficiente para permitir a cicatrização dos tecidos moles
Com a expectativa de retorno à função clínica normal
A maior parte dos pacientes pode ser tratada por meio de redução fechada
Casos mais crônicos e casos com múltiplas lesões podem requerer fixação adicional para manter a redução
Em certos casos é irreparável em virtude
Presença de displasia preexistente
Grave abrasão da cartilagem da cabeça femoral
Fraturas concomitantes irreparáveis do acetábulo ou da cabeça femoral
Tais pacientes são tratados com a excisão artroplástica ou substituição total da articulação coxofemoral
Luxação
Craniodorsal é mais comum, observada em 78% dos cães acometidos e em 73% dos gatos
Caudodorsal é uma condição rara e pode ser simplesmente uma luxação craniodorsal com grande instabilidade
Permitindo que a cabeça femoral movimente-se caudalmente
Ventral é relativamente rara e pode ocorrer como entidade separada, ou pode estar associada à fratura por compactação do acetábulo
Tratamento
Quando não há fatores complicadores, a maior parte das luxações simples pode ser reduzida fechada
Caso seja tratada dentro dos primeiros 4 a 5 dias após a lesão
Situações em que a articulação coxofemoral permanece muito instável após a redução
Ou em que a cabeça femoral não pode ser reduzida, requerem abordagem aberta
Também é necessária para fraturas por avulsão da cabeça femoral
DISPLASIA COXOFEMORAL
Desenvolvimento ou crescimento anormal da articulação coxofemoral, em geral ocorrendo bilateralmente
Se manifesta por vários graus de frouxidão dos tecidos moles ao redor, instabilidade, má-formação da cabeça femoral e do acetábulo, e osteoartrose
Incidência
Causa mais importante de osteoartrite coxofemoral no cão
A doença raramente ocorre em cães que possuem peso corporal abaixo de 11 a 12 kg, quando adultos
Cães com massa muscular pélvica maior possuem articulações coxofemorais mais normais que os cães com massa muscular pélvica relativamente menor
O início, a gravidade e a incidência da displasia coxofemoral podem ser reduzidos pela restrição da taxa de crescimento dos filhotes
A freqüência e a gravidade da osteoartrite em cães displásicos são reduzidas limitando-se a ingestão alimentar e, portanto, o peso corpóreo nos cães adultos
Pode-se prevenir a doença se a congruência da articulação coxofemoral for mantida até que a ossificação torne o acetábulo menos plástico e os tecidos moles ao redor se tornem fortes o suficiente para impedir a subluxação da cabeça femoral
As articulações coxofemorais são normais ao nascimento
A falha dos músculos em se desenvolverem e atingirem a maturidade simultaneamente ao esqueleto resulta na instabilidade da articulação
Histórico e Sinais Clínicos
Os achados clínicos na displasia coxofemoral variam com a idade do animal
Há dois grupos clínicos identificáveis de cães
1. Cães jovens entre 4 e 12 meses de vida
Cães jovens geralmente mostram início súbito de doença unilateral (ocasionalmente bilateral)
Caracterizado pela redução repentina da atividade associada com dor acentuada dos membros pélvicos
Radiograficamente, a conformação das cabeças femorais geralmente parece normal
Mas algum grau subluxação pode ser observado
A maior parte vai apresentar sinal de Ortolani positivo
(estalo produzido pelo movimento da cabeça femoral à medida que ela desliza para dentro e para fora do acetábulo)
2. Animais acima de 15 meses de vida com doença crônica
A maior parte dos cães displásicos entre 12 e 14 meses de idade anda e corre livremente e está livre de dor significativa, apesar da aparência radiográfica da articulação
Locomoção semelhante ao “coelhinho” quando corre
Cães mais velhos apresentam um quadro clínico diferente visto que sofrem de doença articular degenerativa crônica e sua dor associada
A claudicação pode ser unilateral, mas geralmente é bilateral
Modo de locomoção bamboleante, e freqüentemente crepitação
Os sinais podem se tornar aparentes por um longo período de tempo
Ou surgem subitamente após vigorosa atividade que resulta na laceração ou outra lesão de tecidos moles da articulação anormal
Os músculos pélvicos e da coxa atrofiam de modo acentuado
Ao mesmo tempo, os músculos do ombro se hipertrofiam
O sinal de Ortolani raramente está presente em animais maiores, mais idosos, devido à pouca profundidade do acetábulo e fibrose da cápsula articular
Dois outros problemas comuns associados
Rompimento parcial ou completo de ligamento cruzado
Problemas de coluna como afecções de disco ou mielopatia degenerativa
Tratamento
Métodos conservadores, que incluem a diminuição de exercícios abaixo do nível limite que as articulações coxofemorais podem tolerar sem sinais clínicos de dor e fadiga
A redução de peso é essencial para animais obesos
O uso de analgésicos e outros agentes antiinflamatórios é indicado para muitos animais
Terapia Cirúrgica
A decisão de se adotar o tratamento cirúrgico precocemente precisa ser considerada com cuidado
Uma vez que os resultados são previsíveis
Se a dor tornar-se um problema, então a ostectomia da cabeça e colo femorais, ou substituição total da articulação coxofemoral são opções
Osteotomia pélvica tripla a sinfisiodese púbica e possivelmente as osteotomias intertrocantéricas são exemplos de terapias preventivas
Para alívio da dor apenas prática de miectomia pectínea, ostectomia da cabeça e colo femorais ou artroplastia total da articulação coxofemoral