Anemia Hemolítica Auto-Imune (AHAI) caracteriza-se pela destruição precoce das hemácias, devido à fixação de imunoglobulinas ou complemento na superfície da membrana das hemácias. Os pacientes apresentam, na maioria dos casos, reações sorológicas positivas (teste de coombs positivo), porém sem nenhuma repercussão clínica de AHAI. Isto ocorre devido ao aumento da eritropoese capaz de compensar a menor sobrevida das hemácias. Inúmeras drogas podem induzir a formação de anticorpos dirigidos contra só ou contra antígenos eritrocitários e, conseqüentemente, causar AHAI. Os principais mecanismos etiopatogênicos são: (1) Adsorção da droga: a droga (exemplo, penicilina), que funciona como hapteno, liga-se fortemente às proteí nas da membrana eritrocitária, resultando na síntese de anticorpos dirigidos contra a droga ligada às hemácias; (2) Adsorção de imunocomplexos: os anticorpos reagem com a droga (quinidina, fenacetina, cefalosporinas de terceira geração) para formar imunocomplexos que são adsorvidos por receptores específicos das hemácias e podem ativar o sistema do complemento e desencadear hemólise intravascular; (3) Indução de auto-imunidade: drogas (alfa-metildopa, procainamida) que podem induzir à formação de auto-anticorpos que reagem com antígenos eritrocitários, em geral, relacionados ao grupo sangüíneo Rh. Têm sido relatado casos de AHAI, geralmente quadros graves, secundário ao uso de drogas que interferem no sistema imunológico, como por exemplo, fludarabina, pentostatina, tacrolimus e interferon alfa. (CANÇADO, 2005) A maioria dos casos de anemia hemolítica auto-imune (AHAI) é mediada por auto-anticorpos quentes, na qual a temperatura ótima de reatividade é 37oC e, usualmente, a classe da imunoglobulina é IgG; por outro lado, a síndrome da aglutinina fria é geralmente causada por uma IgM cuja reatividade máxima ocorre a 4oC. A diferenciação entre a AHAI a quente e a frio é essencial, pois o prognóstico e as estratégias terapêuticas são distintos. A AHAI referida como idiopática não é associada a nenhuma doença de base; entretanto, a secundária é geralmente associada à infecção, que desaparece após a resolução do quadro infeccioso. (HAMERSCHLAK, 2007)