Processos de Conformação
Introdução
- Conjunto de processos de manufatura que usa a deformação plástica para mudar a forma do material
- Ferramenta aplica tensões: excedem o limite de escoamento do material
Tensões compressivas, trativas, de dobramento ou de cisalhamento - Material: propriedades como baixa tensão de escoamento e alta ductilidade
Conformação de grandes volumes
- Significante quantidade de deformações e grandes mudanças de forma
- A razão área volume da peça é relativamnete pequena
Conformação em chapas
- Operações correlatas em chapas, tiras, bobinas
- Razão áreas superficial/volume da peça é alta
Podem ser divididos em dois grupos
Processos Mecânicos
Constituídos pelos processos de conformação plástica e pelos processos de conformação por usinagem
Processos Metalúrgicos
Conformação por solidificação e conformação por sinterização
Podem ser classificados quanto
- Ao tipo de esforço predominantes
- A temperatura de trabalho
- Forma do material trabalhado
- Tamanho da região de deformação
- Tipo de fluxo de material
- Tipo de produto obtido
Ao tipo de esforço predominante:
- Por compressão direta: forjamento e laminação
- Por compressão indireta: trefilação, extrusão, embutimento
- Por tração: estiramento de chapas
- Por cisalhamento: torção de barras e corte de chapas
- Por flexão: dobramento livre, dobramento de matriz e calandragem
Temperatura de trabalho
- Trabalho mecânico a frio: provoca o aparecimento do encruamento (aumento da resistência mecânica com a deformação plástica)
Fundamentos
Deformação Plástica
Temperatura de conformação
Atrito e lubrificação
- Peça metálica tracionada: passa por deformação elástica posteriormente por deformação plástica
- Tensão limite entre essas deformações: limite de escoamento (resistência mecânica)
- Ductilidade: grau de deformação permanente antes da ruptura
Elementos de cristalografia
Os sólidos formados pelo agrupamento de átomos sob determinada ordem são denominados cristais
Essa estrutura forma uma rede de pontos no espaço denominado reticulado cristalino (cada ponto e vizinhança são idênticos aos demais)
Os pontos do reticulado cristalino localizam as posições dos átomos; forma geométrica dessa posição define a estrutura cristalina.
Estrutura cristalina
Os cristais metálicos se cristalizam nos sistemas:
Hexagonal compacto: planos de átomos justapostos; maior densidade de empacotamento; empilhamento ABABAB...
Cúbico de face centrada: no terceiro plano de empilhamento os átomos ficam perpendiculares ao primeiro plano. sequência ABCABCABC
Cúbico de corpo centrado: sua célula unitária se caracteriza por apresentar um átomo em cada vértice de um cubo e um átomo no centro desse cubo
Mecanismo de deformação plástica
Quando se atinge a tensão limite de escoamento (durante a solicitação mecânica de um corpo metálico) o corpo inicia a deformação plástica
Dois mecanismos estruturais básicos podem estar presentes no cristal durante o processo de deformação plástica: escorergamento e maclação
Conceito de tensão
Esse conceito não oferece informações sobre o carregamento metálico (estado de tensões atuante, a posição relativa da tensão, a real capacidade de produção de escoamento, etc.)
Deve-se desenvolver dois conceitos:
- conceito de tensor de tensões
- conceito de tensão no ponto (ponto material)
Conceito de deformação
- É a razão entre a diferença das dimensões finais e iniciais
de um material dividido (normalizado) pelo valor inicial
desta dimensão - Deformação cisalhante: relação entre o deslocamento (a) de um material ao longo de um determinado comprimento (h) por meio de uma tensão de cisalhamento
- A deformação de engenharia é uma grandeza adimensional e representa um valor médio específico da deformação tomado sobre a extensão do segmento observado
- A tensão correspondente ao carregamento F (próximo slide) pode ser obtida pela simples aplicação do princípio do equilíbrio, utilizando o corte de uma porção da viga
Conformabilidade
- O conceito de conformabilidade plástica está intimamente relacionado à capacidade de promoverse a modificação da forma de um material metálico sem acarretar defeitos que inviabilizem seu uso
- Associa-se o termo conformabilidade às condições limites de deformação nas quais o material mantémse íntegro
- Análise da integridade das ferramentas
- equipamentos empregados no processo,
caracterizando o que se denomina de capacidade do processo
A conformidade depende:
- do tipo de material trabalhado (preponderantemente a morfologia granular e a presença e distribuição de partículas)
- da temperatura de trabalho
- do estado de tensão
- dos gradientes de deformação desenvolvidos
Estado de tensão e gradiente de deformação dividem duas classes de processos:
1) Em que predominam estados simples de tensão, comumente tração e nos quais as deformações localizam-se em regiões específicas da peça
2) Em que o estado de tensão é mais complexo, envolvendo tanto tensões de tração como de compressão compostas, além de apresentarem deformações em praticamente todas as regiões do corpo deformado
Variáveis que influenciam a conformabilidade:
1) Às relacionadas com o material trabalhado
- composição química
- tamanho e forma granular
- porcentagem, distribuição, morfologia, tamanho e
natureza de precipitados e soluções sólidas
2) Às relacionadas ao processo de conformação
- grau de deformação
- taxa de deformação
- temperatura
- atrito
- estado de tensão
Ensaios de conformabilidade
- Deformação plástica é medida pelo ensaio mecânico
de tração - Curva tensão deformação
- Demais propriedades são determinadas através dos
ensaios de conformabilidade - Buscam avaliar quantitativamente as características dos materiais metálicos sob condições específicas de solicitação
- análise dos resultados obtidos fornece informações aproximadas do comportamento plástico quando conformados pelos diversos processos
Classificações:
- Os ensaios podem ser classificados quanto ao tipo de processo que se deseja avaliar, caracterizando o que se denominou forjabilidade e estampabilidade
- Ao tipo de ensaio realizado: ensaios de laboratório e
ensaios de fabricação
Ensaios de laboratório
- O estado de tensão presente é conhecido e pode ser adequadamente controlado, assim como a temperatura e taxa de deformação
- Ensaios de: tração, compressão, torção
Ensaios de torção
- No ensaio de torção pode-se atingir níveis elevados de deformação e de taxa de deformação sem que se observe o “empescoçamento”
- O atrito não influencia o comportamento do material ensaiado; isso faz com que a torção seja muito empregada em ensaios a quente
- Como desvantagem tem-se no ensaio de torção uma grande reorientação do material quando submetido a grandes deformações
- Situação não corresponde ao que normalmente se observa nos processos de conformação
Ensaios de compressão
- No ensaio de compressão, ou recalque, de cilindros, não há os efeitos de “empescoçamento” e de reorientação cristalina propiciando grandes deformações até romper-se o material ensaiado
- As condições de lubrificação na interface materialferramentas podem ser controladas de modo a uniformizar a deformação ao longo da altura do corpo-de-prova, evitando o efeito de “embarrilamento”
- A grande dificuldade desse tipo de ensaio reside na manutenção de uma taxa de deformação constante, que exige o uso de equipamentos especiais
- É empregado para caracterização de materiais a temperaturas elevadas: necessita de dispositivos para não ocorrer o resfriamento diferenciado ao longo do corpo-de-prova que causaria a localização de escoamento e consequente instabilidade plástica
Ensaios de Dobramento
- O ensaio de dobramento é empregado para avaliar a conformabilidade de placas espessas e é normalmente realizado a frio
- Pode-se determinar a ductilidade de um material metálico através do ângulo de dobramento atingido quando de sua falha
Ensaios de fabricação
- Apresentam uma maior complexidade de execução e em sua maioria, não se encontram normalizados
- Esses ensaios buscam reproduzir as condições verificadas nos processos de conformação e por isso exigem equipamentos e dispositivos mais elaborados do que os universais empregados nos ensaios de laboratório
Destacam-se os:
- Ensaio de compressão sob deformação plana
- Ensaio de indentação em meia-largura
- Ensaio de tração secundária (modificado do anterior)
- Ensaio de compressão de anéis útil para avaliação do coeficiente de atrito
- Para avaliação da estampabilidade são empregados ensaios de fabricação que reproduzem os estados de tensão presentes nos processos de estampagem:
- Ensaio Erichsen (relacionado ao estiramento sob punção semiesférico)
- Ensaios de Swift Ensaios de Siebel-Pomp nos quais avaliam-se as condições limites de embutimento profundo
- Temperatura e taxa de deformação: grande influência na resistência mecânica
- Aumento da temperatura reduz o limite de escoamento
- Processos de conformação a altas temperaturas: altas taxas de deformação
- Deformação plástica a temperatura ambiente: causa
- deformação permanente
- aumento geral na resistência mecânica
- decréscimo da ductilidade Situação recebe o nome de encruamento
- Encruamento: interação das discordâncias entre si com outras barreiras, que diminuem ou restringem o seu movimento através da rede cristalina
- Deformação plástica: causa aumento no número de discordâncias (por cm³)
- Taxa de encruamento: quanto a taxa de resistência mecânica muda com a deformação plástica
- Efeitos do encruamento: são reversíveis
- Propriedades podem voltar aos níveis originais
- Recozimento: aquecimento a uma temperatura específica por um determinado período de tempo
Recuperação – recristalização – crescimento de grão
- Recuperação: tensões nas regiões deformadas são aliviadas
- Recristalização: formação de grãos axiais livres substituindo os grãos originais deformados
- Temperatura de recristalização: temperatura em que a recristalização completa ocorre em aproximadamente uma hora
- Crescimento de grão: temperatura continuar a aumentar os grãos recristalizados começam a crescer, excedendo os tamanhos dos originais
- Decréscimo da dureza e aumento da ductilidade
Dependendo da temperatura:
- Conformação ou trabalho a frio
- A morno
- A quente
Conformação ou trabalho a frio
- Temperatura < 0,3 Tm (temperatura de fusão em Kelvin)
- Temperatura ambiente
- Alta potência e forças
- Necessário (em alguns casos) recozimento
- Boa precisão dimensional (inexistência da contração de resfriamento)
- Bom acabamento (inexistência de oxidação)
A morno
- Temperatura 0,3 a 0,6 Tm
- Material aquecido abaixo da temperatura de recristalização
- Ocorre a recuperação dinâmica (tensões são aliviadas nos grãos)
- Combinar vantagens da conformação a frio e a quente
- Precisão dimensional e acabamento
- Formas complexas sem oxidação excessiva
A quente
- Temperatura > 0,6 Tm
-Temperatura acima da temperatura de recristalização - Limite de escoamento diminui, ductilidade aumenta
Benefícios
- Menores força e potência
- Metais que fraturam a frio podem ser trabalhados
- Peça é isotrópica em relação às propriedades mecânicas
- Altas temperaturas eliminam ou reduzem as heterogeneidades químicas
- Defeitos, como poros, são reduzidos ou eliminados
Limitações
- Precisão dimensional pobre
- Oxidação ou descarbonetação (aços)
- Alto consumo de energia
- Vida útil dos equipamentos e ferramentas de conformação diminuídas
Temperatura de recristalização
- Chumbo, estanho, cádmo: em torno da temperatura ambiente
- Aço: acima de 900 °C
- Fio de tungstênio: 1200 a 1500 °C
Atrito
- Alguns processos: 50% da energia é pra vencer o atrito - Atrito é o mecanismo pelo qual se desenvolvem forças de resistência superficiais ao deslizamento de dois corpos em contato
- A causa primordial para o atrito entre materiais metálicos correlaciona-se com o contato entre pequenas regiões ao longo das superfícies deslizantes
- Helman e Cetlin (1983) apontam que as forças de atrito parecem ter sua origem na resistência ao cisalhamento destas uniões
- Estas forças podem também se originar como resultado de um processo de “arar” o metal mais duro sobre a superfície do mais macio
Atrito é indesejado
- Fluxo do metal é retardado
- Elevação da temperatura
- Causa tensões residuais e defeitos
- Aumento da demanda de força e potência
- Desgastes das ferramentas
- Facilitar o “agarramento” das ferramentas de conformação com o metal a ser conformado
- Aumento do consumo de energia necessária à deformação, diminuindo a eficiência
Lubrificantes
Finalidade
Interface peça ferramenta: reduzir o atrito
Atuar como barreira térmica
Minimizar a corrossão
Características dos lubrificantes
- Facilidade de aplicação e remoção
- Ausência de toxidade, odor, flamabilidade
- Ausência de reatividade com a superfície da peça
- Molhabilidade
- Fluidez
- Custo
Exemplos de lubrificantes
- Óleos Minerais
- Saponáceos
- Grafite
- Vidros Fundidos
- Serragem
Laminação
Laminação convencional
Processo manesmann
Laminação de roscas
Laminação transversal
Conceito
- Modificar a seção transversal pela passagem do material entre dois cilindros com geratriz retilínea ou contendo canais entalhados
- Distância entre os dois cilindros deve ser menor que a espessura inicial da peça metálica
- Formas: barra, lingote, placa, fio, tira, etc. - Processo proporciona alta produtividade e controle dimensional
- Material é submetido a tensões compressivas elevadas: ação de prensagem dos rolos
- Forças de atrito: “puxam” o metal entre os cilindros
Etapas
- Redução ou desbaste inicial: laminação a quente
- Nova etapa: redução ainda com laminação a quente
- Laminação a frio: produto com excelente acabamento superficial
Trabalho a quente
- Requer menos energia mecânica
- Reduz heterogeneidades da estrutura do material
- Eliminação de bolhas de gás e porosidade
- Operações a quente: múltiplos passes
Laminador
- Cilindros, mancais, carcaça (gaiola), motor
- Forças podem atingir milhares de toneladas
- Construção rígida e motores potentes Duo, trio, quádruo
- Medida que se laminam materiais mais finos: cilindros de trabalho de pequeno diâmetro
- Minimizar o risco dos cilindros fletir: apoiar em cilindros de encosto
Cilindros
- Aço fundido ou forjado, ferro fundido (coquilhado ou não)
-Resfriamento: Jato d'água
Mancais
- De fricção: pescoço gira sobre casquilhos de bronze, madeira, etc.
- Rolamento
- A filme de óleo sob pressão
Conceito
Desenvolvido pelos irmãos Manesmann (1885) na Alemanha:
- Laminação de tubos sem costura
- “Sem costura”: diferenciar tubos originados de tiras soldadas
- Passagem de uma barra redonda maciça entre dois rolos de dupla conicidade
- Os eixos dos rolos se cruzam sob certo ângulo: estão inclinados em relação ao sentido de passagem da barra
- A orientação dos rolos origina um momento torçor e um avanço em sentido axial
- Rolos fazem com que a barra gire: compressão progressiva e cíclica no mandril
- Tensões de ruptura elevadas no seu centro
- Estado de tensão no centro provoca ruptura de material nessa área: barra abre e contorna o perfil, formando o tubo
- Temperaturas 1.200 a 1.300 °C
- Diversas operações são feitas para ajuste dos diâmetros
- Diâmetros entre 60 a 660 mm; espessura de paredes 3 e 125mm
- Comprimentos até 28 m
Conceito
- Conformar o arame laminado entre “pentes”
- Pentes: ranhuras dos filetes (passo helicoidal)
- Processo é feito a frio: filetes com elevada resistência mecânica e com tensões residuais compressivas (melhorando a resistência a fadiga)
- Dependendo do produto:
- Laminação seguida de tratamento térmico – têmpera e revenido
- Tratamentos superficiais - zincagem
- Parafusos de aço carbono, aços ligas, aços inoxidáveis, ligas de alumínio e cobre
- Usinagem: no caso da laminação é recomendada para altos lotes de produção
Conceito
- Cross-rolling ou roll forming
- Redução de uma seção de peça retangular ou cilíndrica para passagem em um conjunto de rolos que giram em direção oposta
- Rolos possuem entalhe de acordo com as formas desejadas na peça
- Entalhes causam fluxo plástico do material na direção paralela aos rolos de laminação
- Rolos rotacionam somente uma vez na parte da peça em que a deformação é desejada
- É um processo “preliminar” como na fabricação de virabrequins
Forjamento
Conceito
Origem: trabalho dos ferreiros, séculos antes de Cristo
Nome genérico para operações de conformação mecânica efetuada com esforço de compressão para que o material assuma a forma ou perfil da ferramenta de trabalho
Ferramental: par de ferramentas de superfícies plana ou côncava denominada matriz ou estampo
- Maioria das operações é efetuada a quente
- Parafusos, pinos, porcas, etc.: forjamento a frio
Forjamento - escopo
- Forjamento em matriz aberta
- Forjamento em matriz fechada
- Operações correlatas
Forjamento em Matriz aberta
- Material é conformado entre matrizes: forjamento em matriz aberta que não se tocam - Metal aquecido é submetido ao impacto de um martelo
- Acionado por sistema pneumático ou queda livre
- Fluxo do metal não é confinado - Peças com grandes dimensões acabadas que sejam grandes, com geometria simples e pequena escala
- Eixos de navios e de turbinas, ganchos, âncoras, correntes
- Pode ser empregada como primeira de uma série de etapas - Facilitar a obtenção de geometria complexa através de matriz fechada ou usinagem
Forjamento em matriz fechada
- Material é conformado entre duas metades de matriz que possuem impressões com o formato que se deseja fornecer a peça
- Deformação ocorre sob alta pressão em cavidade fechada ou semifechada
- Produção de peças com tolerâncias dimensionais menores
- Matriz fechada: precisão na quantidade de material fornecida na cavidade
- Matriz provida de zona oca nas laterais: recolher material excedente ao término do preenchimento da cavidade principal – rebarba
- Formação da rebarba: matriz totalmente preenchida
Etapas
- Corte do material
- Aquecimento
- Pré-conformação (forjamento livre)
- Forjamento em matriz fechada
- Rebarbação
Considerações econômicas
- Lotes viáveis > 10.000 peças
- prensas de até 33.000 toneladas
- Projeto: Complexidade da peça
Equipamentos
- Martelos de forja: deformam o material através de rápidos golpes de impacto
- Prensas: deformam o material por compressão contínua com velocidade relativamente baixa
Forjamentos - Operações correlatas
Operação de recalque:
- Uma parte cilíndrica da peça é aumentada em diâmetro e reduzida em comprimento
- Matriz aberta ou fechada Frio, morno ou a quente
- Equipamento: recalcadora ou máquinas de forjamento por compressão
Forjamento rotativo:
- Operação que visa a redução do diâmetro de um tubo ou cilindro sólido
- Empregada geralmente em extremidades de peças para criar seção cônica ou afunilada
Extrusão
Conceito
- Conformação por compressão no qual o metal é forçado a fluir através de uma matriz com forma desejada para produzir seção reduzida
- Geometria da matriz permanece inalterada
- Classificação: perfis sólidos, perfis tubulares, semitubulares
- Perfis tubulares
- Utiliza-se mandril interno que move independente do pistão
- Matriz tipo estrela
Tipos de extrusão
Direta: tarugo cilíndrico é colocado numa câmara e forçado através de uma abertura da matriz por um pistão hidráulico
Indireta: tarugo é colocado em uma câmara e a matriz se desloca na direção do tarugo
Hidrostática: diâmetro do tarugo é menor do que o da câmara, que é preenchida por um fluido
- É efetuada geralmente a temperatura ambiente; óleo vegetal como fluido
- Atrito praticamente nulo; ponta do tarugo tem que ser cônica
Variáveis de extrusão
Razão de extrusão: é a razão da área inicial da seção transversal do tarugo com a área final da seção transversal depois da extrusão
- 40:1 para o aço (processo a quente) e 400:1 para o alumínio
Fator de transformação: é a razão entre a área da seção transversal do recipiente e a área da seção transversal do perfil multiplicado pelo número de furos
- Ligas de alumínio de baixa dureza: valor ideal 70 para perfis sólidos e 60 para tubulares
Temperatura de trabalho: não deve exceder a temperatura solidus, onde se inicia a formação de fase líquida – evitar fissuras
- Não aquecer próximo a temperatura de fusão: impurezas de fusão menores fundirão nos contornos de grão – “fragilidade a quente”
- Atrito provoca aquecimento do tarugo: oxidação
Velocidade de extrusão: maior velocidade gera maior taxa de deformação; maior temperatura
- Alta temperatura agravada pela redução do tempo para dissipação do calor gerado
- Baixa velocidade: há grande dissipação de calor
Condições de atrito:
- (a) Baixo atrito: presença de fluido
- (b) Médio atrito: produz zona neutra de metal que sofre pequena deformação
- (c) Alto atrito: desenvolve-se um plano de cisalhamento interno
Equipamentos
Prensas hidráulicas
- Controle da velocidade de operação e o curso
Força pode ser mantida constante para um longo curso: extrusão de peças longas
Prensas hidráulicas verticais: extrusão a frio, menor capacidade, ocupam menos espaço
- Prensas excêntricas: extrusão a frio e por impacto; produção em série de pequenos componentes
- Prensas especiais: operações de múltiplos estágios; seção transversal progressivamente reduzida
Produtos
- Produtos longos com seção transversal uniforme
- Seção entre 1 a 100 mm; ligas de alumínio
- Peças estruturais, tubos de cobre, esquadrias
Trefilação
Conceito
- Matéria prima é estirada em matriz em forma de canal convergente por meio de força trativa aplicada ao lado de saída da matriz
- Deformação plástica ocorre pelas tensões de tração e pelas tensões de compressão oriundas da reação da matriz sobre o metal
- Carregamento: “compressão indireta”
- Trefilação de arames: estiramento de bobina passando por uma série de matrizes
- Limitação: redução máxima por passe ser limitada a aquela que mantenha as tensões abaixo da tensão de escoamento
- Barra: redução é de 50%; múltiplos passes: redução entre 20 – 25%
- Dependendo do material: tratamento térmico antes da trefilação e/ou entre os vários passes
- Usado para reduzir o diâmetro da parede de tubos sem costura
Máquinas de trefilação
- Classificadas em três critérios:
- Quanto ao modo que exercem o esforço
- Quanto aos sistemas de lubrificação
- Quanto ao diâmetro dos fios trefilados
Modos que exercem o esforço
Sem deslizamento: Possui sistema de tração do fio, constituído de anel tirante Anel primeiro acumula o fio trefilado, depois permite o movimento para segunda fieira
Com deslizamento: Fio parte de uma bobina – desbobinadeira - roldana - primeira fieira – tracionado – alinhado com a segunda fieira – segunda fieira – etc.
Sistema de Lubrificação
- Máquinas com sistema de imersão – fieira e anéis permanecem imersos no líquido lubri-refrigerante
- Máquinas com sistema de aspersão – fieira recebe um jato de líquido lubri-refrigerante
Produtos
Arames e fios que são empregados em:
- Condução elétrica, equipamentos eletrônicos, cabos, molas, instrumentos musicais, clips de papel, cercas, eletrodos para soldagem, etc.
- Barras redondas: diâmetro superior a 5 mm
Conformação em chapas
Conformação de chapas finas
Conformar uma chapa plana à forma de uma matriz, pela aplicação de esforços transmitidos através de um punção
- Corte
- Dobramento
- Estampagem
Na operação principal de conformação:
- Alongamento e contração das dimensões de todos os elementos de volume
- Chapa plana adquire uma nova forma geométrica
Prensas:
Mecânicas: energia armazenada num volante e transferida para o cursor móvel no êmbolo da prensa
Hidráulicas: são de ação mais lenta, mas com golpes mais longos e com maior força
Ferramentas:
- Punção: elemento móvel; ferramenta convexa que se acopla com a matriz
- Matriz: elemento fixo, ferramenta côncava
- Necessidade de alinhamento: mantê-las montadas
Corte de chapas
- Pressão exercida por punção ou uma lâmina de corte
- Esforço de compressão converte-se em esforço cisalhante (esforço cortante)
- Separação brusca de uma porção da chapa
- Chapa é levada até a ruptura nas superfícies em contato com as lâminas - Aresta de corte apresenta três regiões
- Uma rugosa (superfície da trinca da fratura)
- Uma lisa (atrito da peça com as paredes da matriz)
- Uma arredondada (deformação plástica inicial)
- Qualidade das arestas cortadas não é a mesma das usinadas
- Planejamento do corte: aproveitamento das chapas
- Projeto de corte: folga entre o punção e a matriz – folga varia em função da espessura (e) Aço doce e/20; aço duro e/14
Dobramento
- Tira metálica é submetida a esforços aplicados em duas direções opostas: provocar flexão e deformação plástica
- Há um raio de dobramento abaixo do qual o metal trinca na superfície externa: raio mínimo de dobramento
- Raio de dobramento 3: indica que o metal pode ser dobrado formando um raio de 3 vezes a espessura da chapa
- Deve-se considerar a recuperação elástica do material (efeito mola) para se obter as dimensões finais
- Recuperação elástica será maior quanto maior for o limite de escoamento, menor o módulo de elasticidade e maior deformação plástica
Estampagem profunda ou embutimento
- Chapa plana (“blank”) adquira a forma de uma matriz imposta pela ação de um punção
- Ex: pára-lamas, panelas, latinhas de alumínio Rendimento do processo: lubrificação (reduzir esforços e desgaste do ferramental)
- Indicados óleos para extrema pressão: óleos minerais com aditivos (Cl, Pb, P, gorduras orgânicas, etc.)
- Pressão no prensa chapas:
- Pequena: rugas nas laterais da peça
- Grande: ruptura da peça
- Deve haver folga suficiente entre a matriz e o punção
- Profundidade de copos muito elevada: utilizar sequência de operações com diâmetros decrescentes (da matriz e do punção)
Processo correlatos
Repuxamento: chapa axialmente simétrica é gradualmente conformada sobre um mandril pela ação de uma ferramenta
- Ferramenta aplica pressão bem localizada, no ponto de contato
- Geometrias obtidas: cones, semiesferas, tubos e cilindros, etc.
Conformação por explosão: - Uma carga explosiva é usada para conformar uma chapa ou uma placa na cavidade da matriz
- A chapa é fixa e selada na matriz, criando-se vácuo no espaço entre as mesmas Chapa e matriz são mergulhados dentro de um tanque com fluído (água) com a carga explosiva a uma certa distância
Estudo de caso
Corpo da panela de pressão
Apresentação do produto
- Recipiente fechado
- Cozimento rápido de alimentos através da imposição de altas temperaturas
- Sob condições normais de pressão (1 atm) a água ferve a 100°C ; com o aumento da pressão a temperatura de ebulição aumenta
- Aumento de 1 atm a temperatura de ebulição aumenta em cerca de 20 graus
- Temperatura maior de ebulição
- Cozinhar alimentos em temperatura mais alta Mais rapidamente
- Panela de pressão inventada pelo físico Denis Papin em 1861
- Princípio empregado em autoclaves para esterilização de material hospitalar, vasos de pressão, etc.
- Possui válvula superior: sob ação da gravidade bloqueia a passagem de vapor por um orifício
- Equilíbrio dinâmico entre a pressão interna e o peso da válvula
- Dois modelos: travamento interno e travamento externo
- Dimensões típicas: volume 4,5 litros, pressão interna 0,2 Mpa (2 atm), espessura de parede 3 mm, diâmetro de 20 cm, peso de 1,5 kg
Características e propriedades exigidas
- Resistência a pressão interna
- Produto deve ser leve
- Maior densidade do material, mais pesado será o componente fabricado
- Maior resistência do material mecânica: mais fina pode ser a parede e diminuição do peso final
- Relação resistência mecânica (σe) x densidade (ρ)
- Razão σe/ρ chamada de resistência mecânica específica
- Deve resistir a impactos (manuseio): alta resistência mecânica e alta tenacidade
- Boa Condutividade térmica
- Utensílio doméstico: boa aparência e acabamento
- Superfície lisa (limpeza)
- Inércia química: não pode reagir com alimentos em seu interior
- Superfície lisa (limpeza)
- Inércia química: não pode reagir com alimentos em seu interior
Material deve apresentar
- Resistência mecânica e tenacidade
- Baixa densidade
- Boa condutividade térmica
- Bom acabamento
- Boa resistência a corrosão
Material
- Permitir fácil fabricação do produto, com baixo custo de produção
- Materiais de baixo custo: ligas de alumínio e aço inoxidável Aço inox
- Formato do produto: indicada a conformação a frio
- Ligas de alumínio série AA 3000: principal elemento dessa série é o manganês
- Manganês melhora a resistência à corrosão sob pressão e aumenta a dureza
Aço INOX
- Condutividade térmica menor que do alumínio (Al = 155 W/m.K e aço inox = 17 W/m.k)
- Possui alta temperatura de fusão e resistência mecânica: torna processos de fabricação caros
- Dureza é maior que ligas de alumínio
- Processamento do aço inox encarece a fabricação
Ligas de alumínio
- Atendem bem os requisitos listados anteriormente
- Algumas ligas são bastante dúcteis, facilitando a conformação plástica a frio
- Atendem bem os requisitos listados anteriormente
- Algumas ligas são bastante dúcteis, facilitando a conformação plástica a frio
Processo de fabricação
- Conformação plástica a frio: boa precisão no encaixe da tampa; eliminando usinagem posterior
- Chapas com 3 mm de espessura
- Cortadas com punção na forma de discos
- Revestimento antiaderente: Teflon
- Tratamento de cura do filme: aquecimento em forno à 380 °C e 400 °C
- Discos são lubrificados e passam para o processo de estampagem profunda
- Peça tem a borda superior dobrada
- Prende-se o corpo em um mecanismo giratório e durante o giro, a peça é dobrada
- Borda superior é cortada em forma oval (encaixe da tampa)
- Pode ser usinada para correção de erros de planicidade no fundo
- Encaixe de cabos, válvulas e furos pode ser feitos por usinagem ou puncionamento
As tensões e o estado de tensões de um corpo podem variar ponto-a-ponto, de acordo como as forças são aplicadas
Na prática as tensões não são homogeneamente distribuídas, pelas seguintes razões principais:
- o ponto de aplicação/transferência de carga não é homogêneo
- a geometria do material não é homogênea
- o material apresenta descontinuidades internas
- as propriedades mecânicas e/ou condição de contorno variam, entre outros