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O estágio atual do capitalismo e a divisão internacional do trabalho…
O estágio atual do capitalismo e a divisão internacional do trabalho
Divisão internacional do trabalho (DIT)
é um conceito que está relacionado ao papel que cada economia nacional desempenha no âmbito da economia mundial.
Ao longo do tempo, diferentes combinações das atividades produtivas entre os países implicaram em diversas formas de divisão internacional do trabalho.
A evolução da DIT
se relaciona com as diferentes fases da evolução histórica do capitalismo, desde a ligação entre metrópoles e colônias, chegando às relações em que países desenvolvidos se agregam aos subdesenvolvidos.
A DIT geralmente é dividida em três fases, obedecendo à dinâmica econômica e política do período histórico em que elas existiram.
Origem da divisão internacional do trabalho
Final do século XV
o ciclo de reprodução do capital estava assentado, principalmente, na circulação e na distribuição de mercadorias entre metrópoles e colônias;
as regiões do mundo passaram a desenvolver funções diferenciadas, uma vez que cada uma se especializou em fornecer produtos manufaturados, matérias-primas, metais preciosos, etc.
os diferentes papeis assumidos pelos países inauguraram a divisão internacional do trabalho, inicialmente caracterizada pela exportação de manufaturas pelas metrópoles e pela produção de matérias-primas pelas colônias.
A necessidade europeia de expandir seu capital mercantil resultou na conquista de novas terras
a partir desse momento, várias partes do mundo foram submetidas a uma dinâmica de produção e circulação comandada pelos europeus;
a Europa impunha funções econômicas a vários outros países. Foi o início de um domínio que se estende até os nossos dias.
Primeira divisão internacional do trabalho
Século XVIII
Com a consolidação do sistema capitalista nesse período, ocorreu uma intensa transformação no processo produtivo, a
Revolução Industrial
.
Nesse período, a DIT sofre modificações, causadas pelo surgimento de um novo modelo de produção, no qual as fábricas tomam o lugar da produção artesanal.
Essa nova fase irá se estender da Revolução Industrial até a Segunda Guerra Mundial.
Primeira Revolução Industrial (1780-1820)
a Inglaterra surgiu como o país da industrialização, transformando-se na grande oficina do mundo ao longo do século 19.
a combinação entre seu poder militar e as formas superiores de produção industrial colocou a Inglaterra em uma posição de hegemonia na economia mundial, assumindo o centro do capitalismo mundial.
Nesse momento, o mundo está dividido em:
países que se especializaram em fornecer matérias-primas
esses países ficaram atrelados ao subdesenvolvimento.
países que, utilizando essas matérias-primas, fornecem produtos industrializados
esses países ficaram especializados em produzir produtos de maior valor, desenvolveram-se e tornaram-se líderes do sistema capitalista.
Segunda divisão internacional do trabalho
Início do século XX
a Inglaterra passou a registrar sinais de fragilidade na sua condição de potência hegemônica, agravada por duas guerras mundiais e também pela crise de 1929.
depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos assumem, então, a posição de nação hegemônica.
Essa nova fase do desenvolvimento do capitalismo ficou conhecida como
capitalismo financeiro
causou novas modificações na divisão internacional do trabalho.
nessa época, os países subdesenvolvidos começaram a ser financiados pelos países detentores de capital;
muitas empresas passaram a instalar filiais em diferentes nações do mundo, o que acabou transformando muitos países subdesenvolvidos - que eram apenas produtores primários - em exportadores de produtos industrializados, alterando as relações comerciais que predominavam no mundo.
Terceira divisão internacional do trabalho
Superada a destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial
a economia mundial voltou a crescer num ritmo mais acelerado do que antes;
as empresas dos países industrializados assumiram proporções gigantescas, tornaram-se grandes conglomerados e se expandiram cada vez mais pelo mundo, encarregando-se de globalizar não apenas a produção, mas também o consumo.
Desde a década de 1970
assiste-se uma modificação substancial na
DIT, ocasionada por dois vetores principais:
o processo de reestruturação empresarial, acompanhado da uma nova Revolução Tecnológica;
e a expansão de investimentos de grandes empresas no exterior.
Gradativamente, grandes empresas construíram filiais em vários países (inclusive subdesenvolvidos e recém-independentes, na Ásia e na África).
esse processo, intensificado pela globalização, transformou muitos países subdesenvolvidos - que, no passado, eram meros produtores primários - em exportadores de produtos industrializados, alterando as relações comerciais que predominavam no mundo.
Essas empresas tornaram-se, assim, multinacionais ou transnacionais.
É o que explica, fundamentalmente, o fato de alguns países subdesenvolvidos terem se industrializado nesse período.
esse processo de industrialização é desigual, uma vez que os tipos de indústria e tecnologia empregados não são os mesmos das matrizes.
Países desenvolvidos x subdesenvolvidos
Países desenvolvidos
países que se destacam pela produção de
tecnologias mais sofisticadas, bens industriais com maior valor agregado ou que fornecem capitais para outras nações na forma de investimentos e empréstimos.
Países subdesenvolvidos
países que produzem matérias-primas, bens industriais e tecnologias menos avançadas e transferem riqueza na forma de remessas de lucros ou pagamentos de juros referentes as suas dívidas.