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Síria (Intervenção Estrangeira (Antes do conflito, a Turquia que era…
Síria
A guerra civil na Síria completou seis anos, em março de 2017
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Em março de 2011, um grupo de adolescentes foi preso pela polícia por fazer pichações com críticas ao governo no muro de uma escola em Deera.
O episódio estimulou centenas de pessoas a sair às ruas para reivindicar mais liberdade, em uma ação inspirada pela Primavera Árabe.
Na Síria, o alvo dos protestos era o regime da família Assad, que governa o país com mão de ferro desde que o general Hafez al-Assad assumira o poder através de um golpe em 1970.
Desde a década de 1960, a Síria encontra-se sob estado de emergência, o que significa que as garantias constitucionais que protegem a população estão suspensas
Com a ascensão Bashar al-Assad em julho de 2000, após a morte do pai, o cenário não mudou muito;
A precária situação dos direitos humanos, a corrupção governamental e o elevado desemprego somaram-se a esse caldo de insatisfação.
As primeiras manifestações populares foram duramente reprimidas pelo aparato de segurança do regime, que, em várias ocasiões, não hesitou em abrir fogo contra a multidão
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A partir daí, foi uma bola de neve: centenas de milhares de pessoas protestaram em todo o país exigindo a saída de Assad;
Mais uma vez, o governo sufocou as divergências com violência.
Civis oposicionistas e soldados desertores se organizaram em diversos grupos armados com o objetivo de se defender
Em pouco tempo, as brigadas rebeldes passaram a lutar contra as forças de segurança pelo domínio de seus territórios;
Em agosto de 2011, surge o Exército Livre da Síria (ELS), dirigido pela oposição moderada, que iniciou os combates contra as forças de Assad;
Tinha início, assim, a guerra civil que engolfou o país e, em pouco tempo, iria desestabilizar o Oriente Médio, com reflexos em todo o planeta.
Com o tempo, a disputa adquiriu contornos sectários, opondo muçulmanos sunitas (maioria da população síria) a alauítas, ramo do islamismo xiita ao qual pertence Assad;
O caráter religioso do confronto arrastou potências regionais para ele, dando-lhe uma nova dimensão;
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Intervenção Estrangeira
Além das forças internas envolvidas no conflito, a Guerra da Síria se transformou em um intrincado tabuleiro geopolítico, a partir do envolvimento de outras nações;
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O governo da Síria é apoiado pela Rússia, pelo Irã e pelo grupo xiita libanês Hezbollah
A Rússia é uma aliada histórica da Síria, a quem sempre prestou apoio diplomático e militar;
A única instalação militar russa no Mediterrâneo é a base naval de Tartus, no litoral sírio. E os russos não querem correr o risco de perdê-la caso Assad seja alijado(??) do poder.
A Rússia quer reconquistar um papel relevante no Oriente Médio e voltar a ser encarada como uma superpotência global, recuperando o protagonismo perdido após a dissolução da União Soviética. Vencer a guerra ao lado de Assad pode ajudar nesse objetivo.
O Irã é o principal aliado de Assad, no Oriente Médio e tradicional adversário da Arábia Saudita e Israel
A ele se soma a milícia libanesa Hezbollah – financiada pelo regime de Teerã. Ambos são xiitas e se opõem historicamente aos EUA e a Israel.
Ao Irã interessa ter um aliado em Damasco que lhe facilite acesso ao Líbano, base dos guerrilheiros do Hezbollah, e ao Mar Mediterrâneo, local estratégico do ponto de vista comercial e militar.
A Arábia Saudita, nação muçulmana de maioria sunita, é uma forte opositora do regime sírio
O motivo é simples: Assad é apoiado pelo Irã, rival histórico dos sauditas na região.
Os sauditas, aliados históricos dos EUA, temem que a permanência de Assad no poder fortaleça a influência do Irã na Síria e no Líbano.
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Antes do conflito, a Turquia que era aliada de Assad, agora trabalha pela queda do ditador
O regime turco apoia tanto os rebeldes sunitas moderados como os mais radicais, ligados à Al Qaeda.
No início da guerra, até facilitou a entrada de extremistas islâmicos na Síria para combater as forças de Assad.
Hoje, a principal preocupação dos turcos é o avanço do EI, que tem realizado atentados terroristas em cidades turcas.
Além disso, a consolidação do poder dos curdos do YPG no norte da Síria pode fortalecer as posições curdas na própria Turquia, onde o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) reivindica a autonomia da região curda do país.
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Tragédia Humanitária
O enviado da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, estimou que a guerra já matou mais de 400 mil pessoas
Para a organização Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, a cifra de mortos passa de 465 mil.
Já o Centro Sírio para Pesquisa de Políticas, outro grupo de estudos, calcula que o conflito já tenha causado a morte de mais de 470 mil pessoas.
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Por volta de 1,7 milhão de crianças não vão à escola e dois terços da população não têm acesso a água potável
A falta de perspectivas para o fim do conflito deve prolongar ainda mais o sofrimento do povo sírio, como um atestado da incapacidade da comunidade internacional em estancar essa tragédia humanitária.
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